Pensei cá com meu poncho: até minha bexiga tem história para contar! 😂
Tem assunto que a gente quase não fala. Não porque não aconteça, mas porque aprendemos que certas coisas precisam ser escondidas. Pois eu pensei cá com meu poncho — kkkkk — e resolvi falar de uma delas: incontinência urinária.
E olha que, no meu caso, essa história não começou depois dos AVCs.
Desde que me lembro, eu já tinha aquela bexiga meio apressadinha. Quando eu chegava da rua, já entrava pelo corredor correndo e gritando: Tem alguém no banheiro? Sai logo! E quem tem irmão caçula implicante sabe exatamente do que estou falando. 😂 Meu irmão, só para me perturbar, percebia meu desespero e corria para o banheiro antes de mim. E ainda tinha a coragem de dizer: Vou tomar banho! Pronto!
Minha mãe começava a mandar ele sair, eu ficava pulando na porta do banheiro, apertada, tentando convencer meu corpo a esperar só mais um pouquinho. Quando finalmente ele saía, era aquele desespero! Eu já empurrava meu irmão para fora, começava a tirar a roupa pelo caminho e pensava: Ufa! Deu tempo! 😂😂😂 E assim fui levando a vida. Até que vieram os AVCs. Depois deles, o problema piorou bastante. A vontade vinha e eu simplesmente não conseguia segurar como antes. E quando eu precisava ir ao banheiro, não dava para pensar: “Vou esperar mais cinco minutinhos.” Não. Era preciso ir. Foi aí que as fraldas passaram a fazer parte da minha rotina. E confesso que, no começo, isso mexeu comigo. Porque existe uma coisa muito cruel que algumas mulheres fazem consigo mesmas: começam a acreditar que, por precisarem de determinados cuidados, deixaram de ser mulheres. Mas eu precisei aprender uma coisa: Uma proteção não tira a feminilidade de ninguém. Hoje existem modelos que parecem uma calcinha, e isso me ajuda a me sentir mais confortável e segura. E, sinceramente? Graças a Deus por elas! Porque elas me dão uma liberdade que eu talvez não tivesse sem esse recurso. Às vezes é um espirro mais forte… Pronto! Às vezes vem aquele engasgo… Pronto! E quando aparece uma piada daquelas que fazem a gente rir até a barriga doer? Melhor nem comentar! 😂 Mas o que mais me incomodava era a madrugada. Eu ia ao banheiro várias vezes durante a noite. Às vezes levantava, fazia xixi, voltava para a cama, deitava… Cinco minutos depois: Lá vou eu novamente! E isso podia acontecer mais três ou quatro vezes. No fim das contas, eu só conseguia dormir direito quando já estava amanhecendo. Até que um dia procurei atendimento no posto de saúde perto de casa e, durante a consulta com a médica clínica geral, contei o que estava acontecendo. Contei das idas constantes ao banheiro durante a madrugada e de como aquilo estava atrapalhando meu sono. Ela avaliou meu caso e me passou um tratamento, acompanhado por ela, que também ajudaria nessa questão da ansiedade. E olha que maravilha! Passei a dormir muito melhor e deixei de ficar levantando o tempo todo para ir ao banheiro. Tudo com acompanhamento médico. E isso me ensinou mais uma coisa: Às vezes, aquilo que a gente fica sofrendo calada tem tratamento, orientação e cuidado. Por isso, mulher, se você vive algo parecido, não precisa ter vergonha.
Não estou dizendo para você tomar o que eu tomei, porque cada pessoa tem uma história e precisa ser avaliada por um profissional. Estou dizendo para você conversar com um médico. Conte o que está acontecendo.Mesmo aquilo que parece constrangedor.Porque o profissional de saúde não precisa da nossa vergonha.Precisa da nossa sinceridade para poder nos orientar.E também quero deixar uma palavra para aquela mulher que usa fraldas, absorventes ou qualquer outro tipo de proteção e, por causa disso, às vezes se sente menos bonita, menos feminina ou até menos mulher. Você continua sendo mulher. Seu corpo pode ter mudado. Sua rotina pode ter mudado. Você pode precisar de ajuda para algumas coisas que antes fazia sem pensar.Mas a sua essência não diminuiu.A proteção que você usa não define quem você é. Ela apenas ajuda você a viver melhor dentro da realidade que está enfrentando.Eu já passei por muita coisa. Já tive AVCs, já precisei reaprender muita coisa, já precisei de bengala, cadeira de rodas, ajuda para algumas atividades e agora também tenho minhas “companheiras” em forma de calcinha. 😂 E quer saber? Eu continuo sendo eu. Continuo mulher. Continuo escrevendo. Continuo rindo. Continuo fazendo planos. Continuo contando minhas histórias. E, principalmente, continuo agradecendo a Deus por cada recurso que torna minha vida um pouco mais confortável.Talvez o seu corpo também tenha mudado.Talvez você esteja vivendo uma fase que jamais imaginou viver. Não transforme uma limitação em uma sentença sobre o seu valor. Você é muito mais do que aquilo que o seu corpo consegue ou não consegue fazer. E se precisar usar uma proteção para sair de casa tranquila, rir sem medo, dormir melhor ou simplesmente viver o seu dia, use. Sem vergonha. Sem culpa. Sem deixar que isso roube a mulher que existe dentro de você.Porque, no fim das contas, mulher de verdade não é aquela que nunca precisa de nada. É aquela que aprende a cuidar de si mesma sem deixar de se amar.
Uma oração: “Senhor, obrigada porque o Senhor conhece cada detalhe do nosso corpo, inclusive aqueles que temos vergonha de contar para outras pessoas. Ajuda cada mulher que enfrenta limitações, mudanças no corpo ou situações que mexem com sua autoestima. Dá-nos sabedoria para procurar ajuda quando precisamos e humildade para aceitar os recursos que podem tornar nossa vida melhor. Que nenhuma mulher se sinta menos digna, menos bonita ou menos mulher por precisar de cuidados especiais. Ensina-nos a olhar para nós mesmas com mais carinho, paciência e compreensão. E que, mesmo diante das limitações, continuemos encontrando motivos para sorrir, viver e agradecer. Em nome de Jesus, amém.” “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável.” Salmos 139:14
Com carinho,
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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- Eu achei que meu AVC era culpa minha — e passei dez anos acreditando nisso — porque conversa diretamente com a parte do texto em que você fala das mudanças que aconteceram depois dos AVCs.
Leia o texto no SR Testemunhos - Antes de Cuidar de Alguém, Aprenda a Cuidar de Você — combina muito com a mensagem de respeitar os próprios limites, cuidar do corpo e aceitar que nós também precisamos de cuidado.
Leia o texto no SR Testemunhos - Amor-próprio: aprender a se enxergar com os olhos de Deus Amor-próprio: aprender a se enxergar com os olhos de Deus — fecha muito bem com a parte em que você fala que uma proteção não diminui a mulher que somos. Leia o texto no SR Testemunhos—
Leia o texto no SR Testemunhos
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Esse eu gostei mais! 😄❤️





