Quando a risada vem forte demais, o xixi não pede licença! 😂

Quando a risada vem forte demais, o xixi não pede licença! 😂

Quando a risada vem forte demais, o xixi não pede licença! 😂

Depois dos AVCs, algumas coisas mudaram no meu corpo. Uma delas foi a facilidade para me engasgar. Hoje preciso comer devagar, mastigar muito bem os alimentos e, sempre que possível, fazer minhas refeições em um lugar tranquilo, sem muita conversa, correria ou distração. Porque, no meu caso, quando vem um engasgo mais forte, a tosse pode acabar fazendo o xixi escapar. E é aí que minhas companheiras de todos os dias entram em cena: as famosas fraldas-calcinhas. Quando saio de casa, praticamente não abro mão delas. Não porque tenha vergonha do meu corpo, mas porque elas me dão segurança. E segurança, para quem enfrenta algumas limitações, vale ouro. Mas teve um dia que aconteceu uma situação que até hoje, quando lembro, tenho vontade de rir. Fomos almoçar na casa do meu irmão. Estava um calor daqueles aqui em Curitiba e, antes de entrarmos na casa, resolvemos ficar um pouco na garagem. Colocamos as cadeiras formando uma espécie de semicírculo e ficamos ali, conversando. E vocês sabem como é reunião de família, não sabem? Começa uma conversa… Alguém lembra de uma situação antiga… Outro lembra de outra… E quando a gente percebe, já está todo mundo contando histórias engraçadas. Foi exatamente o que aconteceu. Começamos a relembrar algumas situações e, claro, comecei a rir. E aí aconteceu aquilo que, para mim, pode acontecer quando dou uma gargalhada mais forte: o xixi saiu. Só que eu não conseguia parar de rir! Quanto mais eu ria, mais difícil ficava recuperar o ar. Comecei a tentar puxar o ar e não conseguia direito. E aí veio o nervosismo. Eu olhava para o meu irmão e para minha cunhada e percebia a aflição dos dois tentando descobrir como poderiam me ajudar. Só que quanto mais nervosa eu ficava, mais difícil parecia ficar para recuperar a respiração. E foi aí que entrou em cena o Giovani. Ele conhece minhas situações e, com aquela tranquilidade de quem sabe que nem sempre precisa transformar tudo em desespero, falou para eles se acalmarem, porque eu conseguiria me recompor. E foi exatamente o que aconteceu. Aos poucos consegui recuperar o ar, me acalmei e voltei ao normal. Mas depois que passou… Minha gente! Que situação! 😂😂😂 Primeiro porque eu estava rindo. Depois porque faltou o ar. E ainda tinha a questão do xixi. Se eu não estivesse usando minha fralda-calcinha, provavelmente teria sido uma situação muito mais constrangedora. Mas não foi. E naquele momento eu pensei: Graças a Deus eu estava protegida. Porque é justamente para isso que ela serve. Não para definir quem eu sou. Não para me fazer sentir menos mulher. Mas para me permitir continuar vivendo. Hoje, até dentro de casa, eu procuro ter alguns cuidados.Como devagar. Mastigo bem. Procuro comer em um ambiente mais tranquilo.E, dependendo do momento, até evito assistir ou ouvir alguma coisa que sei que vai me fazer rir demais enquanto estou comendo. 😂 Porque agora eu já sei: engasgar não é brincadeira. E também descobri que, para o meu corpo, gargalhada e bexiga nem sempre são grandes amigas. 😂 Mas existe uma coisa bonita em tudo isso.Aprendi a conhecer melhor o meu próprio corpo.Antes eu fazia as coisas sem pensar.Hoje presto atenção nos sinais. Se preciso comer mais devagar, como. Se preciso de um ambiente tranquilo, procuro. Se preciso usar uma proteção, uso. Se preciso descansar, descanso. E isso não é fraqueza. Isso é cuidado.  Talvez essa seja uma das maiores lições que a vida me

ensinou depois dos AVCs:Nem sempre podemos voltar a viver exatamente como vivíamos antes. Mas podemos descobrir novas maneiras de viver bem com aquilo que temos hoje. E, nesse caminho, alguns recursos que antes talvez nem passassem pela nossa cabeça acabam se tornando verdadeiros aliados. Para mim, essas fraldas-calcinhas são assim. Uma pequena coisa para quem olha de fora. Uma grande diferença para quem precisa delas. Elas me dão segurança para sair de casa.Para visitar minha família.Para sentar na garagem e conversar.Para rir das histórias antigas. Para viver. E talvez seja justamente isso que eu gostaria de dizer para outra mulher que passa por algo parecido: não tenha vergonha de cuidar de você. Não tenha vergonha de usar aquilo que ajuda você a viver com mais tranquilidade.Seu corpo pode ter mudado.Sua rotina pode ter mudado.Algumas coisas podem exigir mais atenção do que antes.Mas isso não diminui a mulher que você é.Eu continuo sendo mulher.Continuo gostando de rir.Continuo gostando de conversar.Continuo fazendo minhas histórias.Só que agora conheço melhor os limites do meu corpo. E, quando ele diz: “Vai devagar!” Eu tento obedecer. 😂 Porque depois de tudo que já vivi, aprendi que cuidar de mim também é uma forma de agradecer a Deus pela vida que Ele me permitiu continuar vivendo.

Uma oração: “Senhor, obrigada porque, mesmo quando nosso corpo muda e algumas coisas ficam mais difíceis, o Senhor continua cuidando de nós. Ajuda-nos a reconhecer nossos limites sem vergonha e sem culpa. Dá-nos sabedoria para cuidar do nosso corpo, procurar ajuda quando necessário e aceitar os recursos que podem tornar nossa caminhada mais segura. Que nenhuma mulher se sinta diminuída pelas limitações que enfrenta. Ensina-nos a continuar vivendo, sorrindo e encontrando motivos para agradecer, mesmo quando precisamos fazer as coisas de uma maneira diferente. Obrigada, Senhor, por cada pequeno cuidado que se transforma em uma grande ajuda no nosso dia a dia. Em nome de Jesus, amém.” “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1

Com carinho,

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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