Algumas amizades atravessam o tempo:
Existem pessoas que fazem parte da nossa infância de um jeito tão especial que, mesmo depois de muitos anos, quando lembramos delas, parece que conseguimos voltar no tempo. Na minha infância, eu tive uma tia muito amada, uma daquelas pessoas que estavam sempre por perto. Ela me ajudou em muitos momentos da minha vida e, na nossa família, tinha um título que ninguém precisava lhe dar oficialmente: ela era a nossa boleira oficial. E que boleira! Os bolos que ela fazia, além de lindos, eram deliciosos. Ela fez o meu bolo de 15 anos, fez o meu bolo de casamento — que ficou lindíssimo e delicioso — e esteve ao meu lado quando tive minha primeira filha. Ela e meu tio, seu marido, foram nossos padrinhos de casamento.
Quando penso nela, lembro de uma mulher que sempre estava fazendo alguma coisa. Desde pequena, eu a via costurando, fazendo bolos e cuidando da família.
Naquela época, morávamos todos juntos na casa da minha avó Maria José. Era muita gente debaixo do mesmo teto: meus pais, eu e meus irmãos, meu avô Darci, que ainda estava vivo, meu tio César, que também ainda estava conosco, minha bisavó Francisca e outros familiares. Era aquela casa cheia de gente, de vozes, de histórias e, provavelmente, de uma boa dose de confusão também. 😂 Até que, em determinado momento, meus tios conseguiram um apartamento próprio pela PM. Meu tio trabalhava como guarda de trânsito, e eles foram morar com os filhos em Olaria, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E nós, claro, continuamos visitando.Íamos para lá com frequência e, nas férias, às vezes eu passava alguns dias na casa deles. E foi justamente durante essas visitas que a vida me presenteou com algumas amizades que eu jamais imaginaria que durariam tanto. Foi ali que conheci algumas meninas que moravam no mesmo bloco e nos blocos vizinhos. Uma delas era a Renata. Desde cedo, nós duas fizemos amizade. E quando eu digo amizade, não estou falando daquela amizade em que a pessoa aparece de vez em quando. Nós estávamos juntas de manhã, à tarde e à noite.Era uma grudada na outra. Tão grudadas que as pessoas começaram a achar que éramos irmãs. E nós gostamos da ideia. Entramos na brincadeira e começamos a dizer que éramos irmãs também. 😂 O mais engraçado é que não tínhamos nem como sustentar muito bem essa história, porque havia apenas uma semana de diferença entre nós.A Renata nasceu no dia 4 de fevereiro e eu no dia 11 de fevereiro, no mesmo ano. Mas, naquela época, não ficávamos pensando se a história fazia sentido ou não. As pessoas diziam que éramos irmãs, nós achávamos divertido e pronto. Éramos irmãs de brincadeira.Mas a amizade era de verdade. Os anos passaram.
A infância ficou para trás, a vida mudou, cada uma seguiu seu caminho e muitas coisas aconteceram. Eu fui até madrinha do casamento da Renata. E isso, para mim, diz muito sobre o que aquela amizade se tornou.
Minha tia e meu tio já partiram, e hoje tenho menos contato com alguns dos meus primos daquela época. A vida vai criando distâncias que nem sempre significam falta de amor. Cada pessoa segue seu caminho, constrói sua família, enfrenta suas próprias lutas e vai vivendo. Mas algumas amizades conseguem atravessar essas mudanças. ARenata é uma delas. Depois de tantos anos, continuamos nos falando. E, quando penso nisso, percebo como algumas pessoas entram na nossa vida quase sem fazer barulho. Não chegam anunciando que ficarão por décadas. Elas simplesmente chegam.
Sentam ao nosso lado, brincam conosco, dividem segredos, passam tardes inteiras juntas, crescem conosco… e, quando percebemos, já fazem parte da nossa história. Talvez amizade verdadeira não seja aquela em que duas pessoas estão juntas o tempo inteiro. Talvez seja aquela em que, mesmo depois de tantos anos, quando a vida finalmente permite que vocês se reencontrem, o carinho ainda está lá. O tempo pode mudar muita coisa. Pode mudar a cidade, a casa, a aparência, a rotina, os caminhos e até a frequência das conversas. Mas existem vínculos que o tempo não consegue apagar. Hoje, olhando para trás, vejo que aquela menina que passava as férias em Olaria não sabia que estava construindo uma lembrança para a vida inteira. Eu só estava vivendo.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da vida: algumas das nossas melhores histórias são construídas enquanto ainda não sabemos que elas serão lembranças tão importantes. Por isso, valorize as amizades que fazem bem ao seu coração. Não espere uma ocasião especial para dizer a alguém que você gosta dela. Não espere perder uma pessoa para reconhecer a importância que ela teve na sua caminhada. A vida passa depressa demais. E algumas pessoas merecem saber, enquanto ainda estão conosco, que fizeram parte das páginas mais bonitas da nossa história.
Uma oração: “Senhor, obrigada pelas pessoas que colocaste em nossa caminhada. Obrigada pelas amizades que nasceram na infância, pelas que chegaram na juventude e por aquelas que permaneceram mesmo depois que a vida mudou tantos caminhos. Ensina-nos a valorizar as pessoas que nos fazem bem e também a aceitar, com maturidade, quando alguns caminhos se afastam. Que nunca nos falte gratidão pelas histórias que vivemos e pelas pessoas que fizeram parte delas. E, se houver alguém que precisa ouvir hoje um “eu não esqueci de você”, coloca essa pessoa em nosso coração e nos dê coragem para demonstrar o nosso carinho. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
Uma oração: “Senhor, obrigada pelas pessoas que colocaste em nossa caminhada. Obrigada pelas amizades que nasceram na infância, pelas que chegaram na juventude e por aquelas que permaneceram mesmo depois que a vida mudou tantos caminhos. Ensina-nos a valorizar as pessoas que nos fazem bem e também a aceitar, com maturidade, quando alguns caminhos se afastam. Que nunca nos falte gratidão pelas histórias que vivemos e pelas pessoas que fizeram parte delas. E, se houver alguém que precisa ouvir hoje um “eu não esqueci de você”, coloca essa pessoa em nosso coração e nos dê coragem para demonstrar o nosso carinho. Amém.”
Sandra Rochedo,
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Uma oração: “Senhor, obrigada pelas pessoas que colocaste em nossa caminhada. Obrigada pelas amizades que nasceram na infância, pelas que chegaram na juventude e por aquelas que permaneceram mesmo depois que a vida mudou tantos caminhos. Ensina-nos a valorizar as pessoas que nos fazem bem e também a aceitar, com maturidade, quando alguns caminhos se afastam. Que nunca nos falte gratidão pelas histórias que vivemos e pelas pessoas que fizeram parte delas. E, se houver alguém que precisa ouvir hoje um “eu não esqueci de você”, coloca essa pessoa em nosso coração e nos dê coragem para demonstrar o nosso carinho. Amém.”
Sandra Rochedo,
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E você? Você tem uma amizade que começou na infância e atravessou os anos? Conte para mim nos comentários. Vou adorar conhecer um pedacinho da sua história. Se este texto falou ao seu coração, curta, comente e compartilhe com alguém que também tenha uma amizade especial.
Continue lendo no SR Testemunhos:
- “Nem Todo Mundo Que Chama Você de Amigo É Seu Amigo” — publicado no SR Testemunhos e fala justamente sobre amizade, tempo, confiança e vínculos verdadeiros.
- “Amor Se Diz, Mas Principalmente Se Demonstra” — também trabalha cuidado, presença, respeito e consideração nos relacionamentos.
- “Quando Ser Compreensivo Começa a Nos Machucar” — aborda relacionamentos, limites e a importância de também sermos ouvidos. ❤️





