Vivemos em uma época em que parece que precisamos estar bem o tempo todo.
Bem vestidas, bem-humoradas, sorrindo, com a casa organizada, a família em harmonia, o casamento perfeito, os filhos encaminhados, os cabelos impecáveis e, se possível, uma fotografia bonita para provar tudo isso.
Mas será que estamos realmente bem ou apenas aprendemos a parecer bem?
Existe uma diferença enorme entre cuidar da nossa aparência e viver de aparências.
Eu gosto de me arrumar, passar um perfume, cuidar da pele, escolher uma roupa bonita. Não vejo problema nenhum nisso. Pelo contrário. Cuidar de nós mesmas também pode ser uma forma de carinho.
O problema começa quando a preocupação com aquilo que os outros vão pensar se torna maior do que a preocupação com aquilo que realmente estamos vivendo.
Às vezes sorrimos quando queríamos chorar.
Dizemos “está tudo bem” quando, por dentro, estamos cansadas.
Publicamos uma fotografia bonita enquanto enfrentamos uma batalha que ninguém imagina.
E não estou dizendo que precisamos sair contando nossa vida para todo mundo. Existem coisas que pertencem somente a nós e a Deus. Ter privacidade também é saudável.
Mas existe uma diferença entre preservar a nossa intimidade e construir uma vida inteira baseada na aparência. Porque viver tentando convencer os outros de que somos aquilo que não somos pode ser extremamente cansativo. Você precisa lembrar o que falou para uma pessoa, sustentar uma versão diante de outra, esconder uma dificuldade, disfarçar uma tristeza, fingir que não se importa… E, no final, talvez ninguém conheça você de verdade.
Nem você mesma.
Quando deixamos de ser nós mesmas:
Quantas vezes já mudamos nosso jeito de falar, vestir ou agir simplesmente porque tínhamos medo da opinião de alguém? Quantas vezes deixamos de dizer “não” para não decepcionar? Quantas vezes aceitamos situações que nos machucavam porque queríamos manter a imagem de que éramos fortes, boazinhas ou capazes de resolver tudo? Aos poucos, podemos começar a viver uma vida que parece bonita por fora, mas que não combina mais com quem somos por dentro. E isso acontece muito com nós, mulheres. Aprendemos desde cedo que precisamos dar conta. Dar conta da casa. Dos filhos. Do marido. Do trabalho. Da família. Dos problemas. E ainda precisamos estar bonitas, sorridentes e disponíveis. Mas quem disse que precisamos provar o nosso valor dessa maneira? Ser autêntica não significa falar tudo o que pensamos sem considerar os sentimentos dos outros. Também não significa agir de qualquer maneira e depois dizer: “Eu sou assim mesmo.” Autenticidade também exige responsabilidade.
Ser autêntica é poder dizer: “Isso eu consigo.” “Isso eu não consigo.” “Isso eu gosto.” “Isso não faz sentido para mim.” “Hoje eu não estou bem.” “Eu errei.” “Eu preciso de ajuda.”
E, principalmente: “Eu não preciso fingir ser alguém que não sou para ser aceita.”
Deus não precisa da nossa maquiagem emocional:
Podemos esconder muita coisa das pessoas.
Podemos escolher a melhor fotografia, apagar aquilo que não gostamos, sorrir para quem está olhando e guardar as lágrimas para quando estivermos sozinhas.
Mas existe alguém diante de quem não precisamos representar.
Deus conhece o nosso coração.
Ele conhece a mulher que sorrimos para mostrar ao mundo e conhece também aquela que chora quando ninguém está vendo.
Conhece nossos medos, nossas inseguranças, nossas frustrações, nossas limitações e até aqueles pensamentos que temos vergonha de admitir.
E ainda assim, Ele nos ama.
Isso deveria nos trazer uma liberdade enorme.
Não precisamos impressionar Deus.
Não precisamos apresentar uma versão editada de nós mesmas.
Podemos chegar diante dEle exatamente como estamos. Cansadas. Confusas. Felizes. Tristes. Gratas. Feridas.
Cheias de esperança. Porque Deus não trabalha com aparências. Ele olha para o coração.
“Porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.”1 Samuel 16:7
A maturidade também nos ensina a parar de representar:
Com o passar dos anos, começamos a perceber que não precisamos mais agradar todo mundo.
Nem todo mundo vai gostar de nós. Nem todo mundo vai entender nossas escolhas. Nem todo mundo vai concordar com nosso jeito de viver. E tudo bem. Isso não significa que devemos deixar de ouvir conselhos ou reconhecer quando precisamos mudar. Significa apenas que não podemos entregar a outras pessoas o controle sobre quem somos. Talvez uma das maiores liberdades da maturidade seja justamente essa:
parar de representar. Parar de tentar parecer forte o tempo inteiro. Parar de querer provar que damos conta de tudo. Parar de acreditar que precisamos ser perfeitas para sermos amadas. Podemos simplesmente ser nós mesmas. Com nossas qualidades e limitações. Com aquilo que aprendemos e aquilo que ainda precisamos aprender. Com os dias bons e os dias difíceis. Com as marcas que a vida deixou. Porque as nossas marcas também contam a nossa história. E eu acredito que Deus não desperdiça nenhuma delas.
Não precisamos viver para a plateia: A vida não é um palco onde precisamos passar o tempo inteiro tentando receber aplausos. Não precisamos transformar nossa existência em uma apresentação para os outros. Precisamos viver. Amar. Aprender. Errar. Recomeçar. Pedir perdão. Perdoar. Cuidar de nós. Cuidar de quem amamos. E, acima de tudo, caminhar com Deus. Talvez hoje você esteja cansada de sustentar uma imagem que já não consegue carregar. Talvez esteja tentando parecer forte quando, na verdade, gostaria apenas de descansar. Talvez esteja vivendo preocupada demais com o que vão pensar. Então eu quero deixar uma coisa no seu coração:
Você não precisa ser uma versão aceitável para todo mundo. Seja verdadeira. Não perfeita. Não impecável. Verdadeira. Cuide da sua aparência, se isso faz você se sentir bem. Arrume o cabelo, passe seu perfume, coloque sua roupa preferida e sorria. Mas faça isso porque você gosta, não porque precisa provar alguma coisa. E quando não estiver bem, permita-se reconhecer isso. Nem todo dia precisa ser bonito para ter valor. Nem toda fotografia precisa mostrar a realidade inteira. Nem toda lágrima precisa ser publicada. E nem todo problema precisa ser explicado. Mas que, por trás de tudo aquilo que mostramos ao mundo, exista uma mulher verdadeira. Uma mulher que conhece suas limitações. Que reconhece suas forças. Que sabe que ainda tem muito a aprender. E que, acima de tudo, sabe que pode descansar em Deus. Porque quando deixamos de viver para as aparências, descobrimos uma coisa maravilhosa: ser nós mesmas dá muito menos trabalho do que tentar ser aquilo que esperam de nós.
Uma oração: “Senhor, ensina-me a não viver presa à opinião das pessoas. Ajuda-me a não construir uma vida baseada em aparências, mas em verdade. Que eu saiba cuidar de mim sem precisar provar nada a ninguém. Que eu tenha humildade para reconhecer minhas limitações, coragem para dizer quando preciso de ajuda e sabedoria para entender aquilo que devo guardar somente no meu coração. Livra-me da necessidade de parecer forte quando preciso apenas descansar em Ti. Que eu não tenha vergonha da minha história, das minhas marcas ou dos meus recomeços. Ensina-me a olhar para mim com os olhos da Tua graça e a lembrar que o meu valor não depende da aprovação das pessoas. Que aquilo que sou por dentro seja mais importante do que aquilo que mostro por fora. E que eu tenha coragem de viver com autenticidade, sabendo que diante de Ti não preciso esconder absolutamente nada. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, SR Testemunhos, Transformando Limites.
Se esta reflexão falou com você, curta, comente e compartilhe com alguém que talvez esteja precisando lembrar que não precisa viver para as aparências.
Para continuar a reflexão:
- Comparação nas redes sociais: quando começamos a achar que a vida dos outros é melhor que a nossa
- Assumir a responsabilidade pelas nossas palavras
- Não somos responsáveis pelas escolhas de outras pessoas
Você não precisa ser perfeita para ser verdadeira. E não precisa convencer ninguém do seu valor. Deus já conhece o seu coração.





