Encha a boca de água e engula a ofensa:

Encha a boca de água e engula a ofensa:

Você já recebeu uma ofensa e sentiu aquela vontade quase irresistível de responder na mesma altura?

Aquela resposta vem prontinha na cabeça. E, diga-se de passagem, às vezes ela vem até muito bem elaborada! 😂 A pessoa fala alguma coisa que nos machuca, nos provoca ou nos desrespeita, e imediatamente pensamos: “Agora ela vai ouvir!” Mas talvez exista uma maneira muito simples de evitar que a nossa boca fale aquilo que a nossa raiva está querendo dizer. Encha a boca de água. Isso mesmo! Quando sentir que está prestes a responder no impulso, coloque água na boca, segure por alguns segundos e depois engula. E, junto com a água, engula também a vontade de devolver a ofensa. Não porque você não tenha resposta. Não porque o que a pessoa fez esteja certo. E muito menos porque você precise aceitar qualquer tipo de desrespeito. Mas porque nem toda ofensa merece uma resposta e nem toda provocação merece a nossa paz. Às vezes, o silêncio é mais sábio do que a melhor resposta que poderíamos dar.

Nem tudo precisa ser devolvido: Existe uma coisa curiosa nas ofensas: muitas vezes, quem nos machucou segue o dia normalmente, enquanto nós ficamos remoendo aquilo. A pessoa falou. Nós ouvimos. A pessoa foi embora. E nós continuamos conversando com ela dentro da nossa cabeça. Imaginamos o que deveríamos ter respondido, criamos respostas melhores, pensamos em tudo que poderíamos ter dito e, quando percebemos, estamos sofrendo novamente por uma conversa que já terminou. Por isso, quando a vontade de revidar aparecer, talvez seja hora de respirar, tomar um pouco de água e lembrar: Eu não preciso devolver aquilo que recebi. Se alguém me oferece raiva, não sou obrigada a beber raiva. Se alguém me oferece agressividade, não preciso responder com agressividade. Se alguém tenta me tirar do sério, eu posso simplesmente escolher não entregar a essa pessoa o controle sobre as minhas emoções.

Engolir a ofensa não é ser fraca: Existe uma diferença enorme entre engolir a ofensa e se calar diante de tudo. situações que precisam ser conversadas. limites que precisam ser estabelecidos. comportamentos que precisam ser confrontados. momentos em que precisamos dizer: “Isso não está certo e eu não aceito que você fale comigo dessa maneira.” Mas até quando precisamos nos posicionar, podemos escolher as palavras. Porque uma coisa é responder com firmeza. Outra coisa é responder movida pela raiva. Quando estamos com raiva, podemos dizer em poucos segundos algo que levaremos meses ou até anos tentando consertar. E algumas palavras, depois que saem da nossa boca, não podem ser recolhidas. É por isso que gosto dessa ideia aparentemente engraçada de encher a boca de água para engolir a ofensa. Talvez a água seja justamente a pausa que precisamos. Uma pausa entre aquilo que fizeram conosco e aquilo que vamos fazer a partir disso.

Você não precisa provar que sabe revidar: Muitas vezes acreditamos que, se não respondermos, a outra pessoa vai pensar que somos bobas, fracas ou incapazes de nos defender. Mas maturidade não é ter sempre uma resposta pronta. Maturidade também é saber quando não vale a pena responder. Você não precisa vencer todas as discussões. Não precisa ter a última palavra. Não precisa mostrar para todo mundo que sabe se defender. E, principalmente, não precisa se transformar naquilo que estátentando combater. Se alguém foi cruel com você, não permita que a crueldade daquela pessoa determine quem você será. Se alguém falou palavras duras, escolha cuidadosamente as palavras que sairão da sua boca. Porque aquilo que recebemos dos outros não precisa definir aquilo que entregaremos ao mundo.

E quando a ofensa realmente precisar de uma resposta? Responda. Mas responda depois que a raiva baixar. Ore antes. Pense antes. Respire antes. Se for necessário, afaste-se por alguns minutos, tome uma água, fique em silêncio e só depois converse. Talvez você descubra que aquela resposta maravilhosa que estava preparando dentro da sua cabeça nem precisava ser dita. Ou talvez descubra que precisa, sim, se posicionar — mas poderá fazer isso sem gritar, sem humilhar e sem ferir. Ser mansa não significa ser sem voz. Significa saber usar a voz sem permitir que a raiva tome o lugar da sabedoria.

Algumas batalhas terminam quando decidimos não lutar: Nem sempre teremos controle sobre aquilo que as pessoas falam. Não podemos controlar a língua dos outros. Não podemos controlar a maneira como algumas pessoas interpretam nossas atitudes. Não podemos impedir que alguém seja injusto, mal-educado ou até cruel conosco. Mas podemos decidir o que faremos com aquilo que recebemos. Podemos entregar a Deus. Podemos estabelecer limites. Podemos nos afastar. Podemos conversar. E podemos, simplesmente, escolher não revidar. Porque paz também é uma escolha. E existem dias em que preservar a nossa paz será muito mais importante do que provar que temos razão. Então, da próxima vez que alguém disser alguma coisa que fizer seu sangue ferver, experimente: Encha a boca de água. Respire. Engula a água. E, se for possível, engula também a ofensa. Não carregue para dentro do coração aquilo que alguém decidiu colocar para fora da própria boca. Entregue a Deus. Porque algumas palavras não merecem resposta. E algumas provocações não merecem nem sequer um minuto da nossa paz.

Uma oração: “Senhor,
quando eu for ferida por palavras, ajuda-me a não reagir no impulso. Dá-me sabedoria para saber quando falar, quando silenciar e quando simplesmente me afastar. Não permita que a raiva dos outros encontre morada dentro de mim. Ensina-me a estabelecer limites sem perder a mansidão, a defender aquilo que precisa ser defendido sem ferir por vingança e a não devolver o mal que recebi. Quando eu sentir vontade de responder, lembra-me de respirar, de buscar a Tua presença e de entregar a Ti aquilo que não consigo resolver sozinha. Que as minhas palavras sejam usadas para construir, e não para destruir. E que eu nunca permita que uma ofensa momentânea roube a paz que o Senhor colocou em meu coração. Amém.”

Para guardar no coração: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”  Provérbios 15:1

Talvez hoje você esteja carregando uma palavra que alguém disse e que ainda dói.

Antes de pensar no que deveria ter respondido, pense no que pode fazer agora para recuperar a sua paz. Nem toda ofensa precisa ser respondida. Algumas precisam apenas ser entregues a Deus.

E, se precisar, já sabe: Encha a boca de água, engula a água, engula a ofensa e siga em frente. 💧❤️

Porque a sua paz vale muito mais do que ter a última palavra.

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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