Quando a palavra dada perde o peso:
Eu sempre fui assim.
Se alguém me pede alguma coisa e está ao meu alcance fazer, eu me esforço para realizar. Se alguém me manda uma mensagem, eu procuro responder o quanto antes — a não ser, é claro, que eu esteja dormindo. 😂 Não gosto de deixar ninguém esperando e muito menos sem resposta. Se eu digo que vou fazer alguma coisa, faço o possível para cumprir. Se combino um dia ou um horário, procuro respeitar aquilo que combinei. Para mim, a palavra dada sempre teve peso. Talvez por isso eu tenha demorado tanto para entender que nem todo mundo pensa como eu. Existe uma passagem na Palavra de Deus que diz: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também.” Mateus 7:12 Eu sempre procurei viver dessa maneira. Tratar as pessoas como gostaria de ser tratada. Se alguém precisa de uma resposta, eu respondo. Se precisa de uma ajuda e posso ajudar, procuro ajudar. Se não posso, digo que não posso. Mas, com o tempo, fui aprendendo uma coisa que nem sempre é fácil aceitar: as pessoas não têm necessariamente o mesmo senso de compromisso que nós temos. Para algumas pessoas, dizer “vou ver e te respondo” realmente significa que vão responder. Para outras, talvez signifique apenas: “Se eu lembrar, eu respondo.” “Se eu tiver tempo, eu faço.” “Se der, eu vou.” “Depois eu vejo.” E quase sempre existe um “se” no meio. E isso pode parecer uma coisa pequena para quem age assim, mas para quem está esperando uma resposta, pode significar muito. Não faz muito tempo, pedi a uma pessoa uma ajuda com algo que eu não consigo fazer sozinha. A pessoa foi muito solícita e disse que poderia ajudar. Falou que iria olhar a agenda e depois me daria uma resposta. Eu esperei. Passou uma semana. Depois, outra. E até hoje não veio uma resposta. E sabe o que mais me incomodou? Não foi a possibilidade de ela não poder me ajudar. Foi o silêncio. Porque, sinceramente, se não pudesse, bastaria dizer: “Nesse momento não vou conseguir.” Pronto. Talvez eu ficasse triste, talvez precisasse procurar outra solução, mas saberia com o que contar. O problema não é ouvir um “não”. Às vezes, o que machuca é ficar esperando um “sim” que nunca chega. E existe ainda uma coisa que torna determinadas situações mais difíceis: quando somos rápidos para atender ao pedido de alguém, mas percebemos que, quando precisamos daquela mesma pessoa, a reciprocidade não acontece. Você ajuda a divulgar o trabalho dela assim que ela pede. Você se esforça para atender. Você faz a sua parte. Mas quando chega a sua vez de esperar uma resposta, ela não vem. E então você começa a se perguntar: “Será que estou cobrando demais?” “Será que estou sendo inconveniente?” “Será que deveria esperar mais um pouco?” Talvez não. Talvez você só esteja esperando aquilo que foi combinado. E foi aí que comecei a entender que tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados não significa esperar que todos sejam exatamente como nós. Eu não posso exigir que alguém tenha o mesmo jeito que eu. Não posso exigir que uma pessoa tenha a mesma disponibilidade, a mesma disposição ou a mesma maneira de demonstrar consideração. Mas também não preciso continuar criando expectativas em cima de palavras que, para aquela pessoa, aparentemente não têm o mesmo peso que têm para mim. Isso foi uma aprendizagem importante. Porque precisamos aprender a diferenciar bondade de obrigação. Eu posso continuar sendo uma pessoa prestativa sem achar que todos serão prestativos comigo. Posso continuar cumprindo minha palavra sem esperar que todos façam o mesmo. Posso continuar respondendo
mensagens porque esse é o meu jeito, sem transformar a demora do outro em uma medida do meu valor. E, principalmente, posso aprender a não ficar presa esperando por alguém que já demonstrou que não tem compromisso com aquilo que disse. Isso não significa deixar de acreditar nas pessoas. Significa apenas observar atitudes além das palavras. Porque palavras podem criar expectativas. Atitudes mostram o que realmente podemos esperar. E talvez uma das coisas mais maduras que podemos aprender na vida seja esta: não precisamos mudar o nosso jeito bom de ser porque encontramos pessoas que não sabem corresponder a ele. Continue sendo gentil. Continue sendo prestativa. Continue cumprindo sua palavra. Continue tratando os outros com respeito, como Jesus nos ensinou. Mas não carregue a culpa quando alguém não cumprir aquilo que prometeu. A responsabilidade pela palavra dada é de quem falou. Se alguém prometeu e não cumpriu, essa escolha pertence àquela pessoa. Você pode se decepcionar, pode ficar triste, pode até decidir não contar mais com ela para determinadas coisas. Mas não precisa se tornar uma pessoa fria por causa disso. Talvez a nossa oração precise ser justamente esta: “Senhor, ensina-me a continuar sendo quem Tu me ensinaste a ser, sem esperar que todos sejam como eu.” Porque fazer o bem continua sendo uma escolha nossa. E aprender a não esperar dos outros aquilo que eles não estão dispostos a oferecer também é uma forma de cuidar de nós mesmas.
Uma oração: “Senhor, ensina-me a lidar com as diferenças sem permitir que elas endureçam o meu coração. Ajuda-me a continuar sendo uma pessoa que cumpre sua palavra, que ajuda quando pode e que trata os outros com respeito. Mas também me ensina a não carregar a responsabilidade pelas escolhas dos outros. Quando alguém não puder me ajudar, dá-me maturidade para aceitar. Quando alguém não cumprir uma promessa, dá-me sabedoria para não transformar essa decepção em amargura. E quando eu criar expectativas demais, lembra-me de colocar minha confiança primeiro em Ti. Que eu possa continuar fazendo aos outros aquilo que gostaria que fizessem comigo, não porque espero receber o mesmo em troca, mas porque esse é o caráter que quero construir diante de Ti. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites. ❤️
Se esta reflexão falou com você, curta, comente e compartilhe com alguém que talvez também esteja aprendendo que nem todo mundo dá à palavra o mesmo peso que damos.
Para continuar refletindo:
- Quando a palavra precisa vir acompanhada de atitudes
- Aprendendo a respeitar os nossos próprios limites
- Nem tudo está sob o nosso controle
- Quando a gentileza vira obrigação — combina muito com a parte sobre ajudar sem transformar isso em expectativa de reciprocidade.
- Limites também existem entre vizinhos — conversa com aprender a respeitar os limites e escolhas dos outros, sem abandonar os nossos.
- Quando paramos de nos culpar e começamos a reconhecer a nossa própria caminhada — tem tudo a ver com não carregar responsabilidades que pertencem a outras pessoas.
❤️





