Eu Trabalhei por Amizade, por Amor e por Fé — Mas Esqueci de Pensar no Meu Futuro:
Hoje eu estava conversando com o Giovani sobre uma questão relacionada à minha aposentadoria e, no meio da conversa, comecei a olhar para trás e perceber quantas decisões da minha vida profissional tiveram consequências que eu só fui entender muitos anos depois. A advogada explicou que, para tentar conseguir a aposentadoria, talvez eu ainda precise contribuir por aproximadamente mais um ano. E foi aí que veio aquele pensamento: “Se eu tivesse tido meus trabalhos registrados naquela época, talvez hoje minha história fosse diferente.” Durante muitos anos, trabalhei em um escritório de advocacia sem carteira assinada. Foram cerca de dez anos. E eu não posso dizer que fui maltratada ou que trabalhei em um lugar ruim. Muito pelo contrário. Eu tinha um bom chefe. Ele nos tratava bem, pagava nosso salário corretamente, ajudava quando precisávamos e, em épocas festivas, ainda recebíamos um bônus. Eu trabalhava ali por amizade, confiança e porque gostava do ambiente. Naquela época, eu não ficava pensando no futuro. Eu pensava no trabalho que estava fazendo naquele momento. Pensava que estava tudo bem. Depois também trabalhei durante alguns anos em uma igreja. Foram aproximadamente três anos. E ali a história tinha ainda outro significado para mim. Eu estava servindo. No começo, recebia uma ajuda de custo. Depois, quando tive os AVCs, essa ajuda deixou de existir justamente em um período em que minha vida tinha mudado completamente. Não quero usar essa história para apontar o dedo para ninguém. Quero falar sobre o que eu aprendi com tudo isso. Porque durante muito tempo eu achei que trabalhar por amizade, por gratidão, por amor ou por fé era suficiente. Hoje entendo que não é. Eu precisava ter pensado em mim também. E talvez essa seja uma lição que muitas mulheres precisem ouvir. Nós aprendemos a cuidar dos outros. Cuidamos dos filhos. Do marido. Da casa. Da igreja. Do trabalho. Dos pais. Dos irmãos. Dos amigos.
E muitas vezes aceitamos determinadas situações porque confiamos nas pessoas, porque não queremos parecer ingratas, porque estamos felizes por ter uma oportunidade ou porque acreditamos que aquilo vai durar para sempre. Mas a vida muda. O corpo muda ,.As circunstâncias mudam. O trabalho pode acabar. Uma doença pode aparecer. Um acidente pode acontecer. E quando isso acontece, descobrimos que aquilo que parecia apenas um detalhe no passado pode fazer muita diferença no futuro. No meu caso, eu trabalhei. Eu me dediquei. Eu cumpri minhas responsabilidades. Mas parte desse trabalho não ficou registrada da maneira que poderia ter ficado. E hoje isso pesa quando olho para a minha vida previdenciária. Talvez eu pudesse ter feito escolhas diferentes. Talvez eu pudesse ter perguntado mais. Talvez eu pudesse ter buscado informação. Talvez eu devesse ter pensado: “E se um dia eu não puder mais trabalhar?” Mas eu não pensei. E não estou contando isso para viver presa ao “e se”.Estou contando porque talvez você ainda possa pensar nisso enquanto há tempo. Gratidão não precisa significar abrir mão de proteção
Podemos amar nosso trabalho. Podemos ser gratas ao nosso chefe. Podemos trabalhar em uma empresa pequena. Podemos ajudar alguém. Podemos servir na igreja. Podemos fazer um trabalho por amizade. Podemos até trabalhar em uma situação que consideramos especial. Mas isso não significa que devemos deixar de conhecer nossos direitos e cuidar do nosso futuro. Uma coisa não precisa anular a outra. Eu posso dizer: “Aquela pessoa foi boa comigo.” E, ao mesmo tempo, dizer: “Eu deveria ter cuidado melhor da minha vida profissional.” Eu posso reconhecer tudo de bom que vivi e ainda assim aprender com aquilo que poderia ter sido diferente. Isso também é amadurecer.
Mulheres, não deixem o futuro de vocês sempre para depois: Talvez você esteja trabalhando sem registro. Talvez esteja recebendo uma ajuda de custo. Talvez esteja trabalhando para alguém da família. Talvez esteja ajudando em um negócio porque confia naquela pessoa. Talvez esteja trabalhando em uma igreja, associação ou projeto porque acredita naquilo que está fazendo. Talvez você esteja pensando: “Está tudo bem, porque eu conheço essas pessoas.” Eu só quero deixar uma pergunta para você: E se um dia você precisar desse tempo de trabalho para se proteger? Procure informação. Conheça seus direitos. Entenda como estão sendo feitas suas contribuições. Guarde documentos. Guarde comprovantes. Converse com profissionais especializados. Não espere uma doença, um acidente ou a chegada da aposentadoria para descobrir como está sua situação. Eu aprendi isso depois de viver na própria pele. E se eu puder transformar uma experiência que hoje me preocupa em um alerta para outra mulher, então ela já terá servido para alguma coisa.
Hoje eu penso diferente: Eu ainda sou grata pelas pessoas que fizeram parte da minha caminhada profissional. Ainda reconheço os bons momentos. Ainda lembro de quem me ajudou. Não quero apagar nada disso. Mas hoje eu sei que ser grata não significa deixar de cuidar de mim. Trabalhar por amizade não deveria significar esquecer meus direitos. Trabalhar por amor não deveria significar esquecer meu futuro. E trabalhar por fé não deveria significar deixar de compreender as consequências práticas daquela escolha. Porque Deus também nos dá sabedoria para cuidar daquilo que Ele colocou em nossas mãos. Talvez você esteja exatamente no meio de uma situação parecida. Então não tenha medo de perguntar. Não tenha vergonha de procurar orientação. E não pense que cuidar dos seus direitos significa que você deixou de ser uma pessoa boa, amiga, generosa ou fiel. Você também faz parte daquilo que precisa ser cuidado. Eu demorei para entender isso. Hoje, olhando para trás, eu não posso mudar os anos que passaram. Mas posso aprender com eles. E posso deixar este conselho para você: Não espere o futuro chegar para descobrir que você precisava ter cuidado dele no presente.
Uma oração: “Senhor, obrigada por tudo o que vivi e por todas as pessoas que fizeram parte da minha caminhada. Dá-me sabedoria para aprender com o passado sem ficar presa a ele. Ensina-me a reconhecer meus direitos, minhas responsabilidades e também o valor de cuidar de mim. Que eu nunca confunda generosidade com descuido, nem gratidão com abrir mão daquilo que preciso para o meu futuro. E que eu também tenha sabedoria para orientar outras mulheres a se protegerem, a buscarem informação e a tomarem decisões conscientes. Cuida do meu futuro, Senhor, mas também me ensina a fazer a minha parte hoje. Em nome de Jesus, amém.” “O prudente vê o perigo e esconde-se; mas os simples passam adiante e sofrem a pena.” Provérbios 22:3
Com carinho,
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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Para continuar a leitura no S R Testemunhos:
- Cuidado com as palavras: sua língua pode construir ou destruir
- A posição que você ocupa não determina o seu valor
- E se a pessoa mais importante da sua casa fosse você?
Porque cuidar de nós mesmas também faz parte da caminhada.





