Quando a consideração vira egoísmo?
Eu sempre achei que consideração fosse uma das formas mais bonitas de demonstrar carinho por alguém. Pensar no outro, respeitar seus sentimentos, tentar não machucar, ajudar quando podemos, lembrar de uma necessidade, responder uma mensagem, cumprir uma palavra dada… tudo isso faz parte de uma convivência saudável. Mas existe um momento em que precisamos prestar atenção: quando a consideração pelo outro começa a exigir que a gente deixe de se considerar. Porque, sim, podemos ser tão preocupados em não decepcionar alguém que acabamos decepcionando a nós mesmos. Dizemos “sim” quando queríamos dizer “não”. Aceitamos coisas que nos incomodam para não criar conflitos. Mudamos nossos planos constantemente para atender aos planos dos outros. Guardamos o que sentimos para não magoar. E, muitas vezes, fazemos tudo isso esperando que um dia a outra pessoa tenha a mesma consideração conosco. Só que nem sempre isso acontece. E é aí que precisamos entender uma coisa: consideração não significa obrigação. Eu posso amar você e ainda assim não poder fazer o que você quer. Posso me importar com seus sentimentos e, mesmo assim, colocar um limite. Posso compreender a sua necessidade sem assumir a responsabilidade por resolvê-la. Posso dizer “não” sem deixar de ser uma pessoa boa. Aliás, às vezes o nosso excesso de consideração pode acabar alimentando o egoísmo do outro. Porque quando estamos sempre disponíveis, sempre cedendo e sempre resolvendo, algumas pessoas deixam de perceber que também precisam respeitar os nossos limites. E então aquilo que começou como carinho pode se transformar em uma cobrança: “Mas você sempre fez isso.” “Você sempre me ajudou.” “Eu achei que você faria por mim.” “Você mudou.” Talvez eu tenha mudado mesmo. Talvez eu apenas tenha aprendido que eu também mereço a consideração que ofereço aos outros. Não precisamos viver em função das expectativas alheias. Jesus nos ensinou a amar o próximo, mas amar o próximo não significa desaparecer para que o outro apareça. Existe uma diferença entre servir por amor e se anular por medo de desagradar. Existe uma diferença entre ajudar e carregar nas costas aquilo que pertence ao outro. Existe uma diferença entre consideração e culpa. E talvez uma das coisas mais maduras que podemos aprender na vida seja esta: não precisamos deixar de ser bons para aprender a colocar limites. Podemos continuar tendo um coração generoso, mas sem permitir que a nossa generosidade seja usada contra nós. Podemos continuar sendo pessoas que se importam, mas sem esquecer de perguntar: “E eu? Como estou? O que eu quero? O que eu consigo? Até onde posso ir?” Porque eu também sou alguém de quem preciso cuidar. E isso não é egoísmo. Egoísmo é pensar somente em si, sem se importar com o outro. Cuidar de si, respeitar seus limites e reconhecer suas próprias necessidades é responsabilidade. Até porque ninguém consegue oferecer o melhor de si quando passa a vida inteira vivendo apenas para atender às expectativas dos outros. Aprender a dizer “não” quando necessário não diminui o amor que temos por alguém. Às vezes, é apenas uma maneira de dizer: “Eu amo você, mas também aprendi a me respeitar. ”E talvez seja justamente aí que a consideração encontra o equilíbrio: quando conseguimos olhar para o outro com carinho, sem deixar de olhar para nós mesmos.
Oração: “Senhor, ensina-me a ter equilíbrio nas minhas relações. Que eu tenha um coração disposto a ajudar, mas também sabedoria para reconhecer os meus limites. Livra-me da culpa por não conseguir atender a todas as expectativas e mostra-me quando a minha consideração pelo outro está fazendo com que eu me esqueça de mim. Dá-me sabedoria para dizer “sim” quando devo dizer sim e coragem para dizer “não” quando for necessário. Que eu possa amar as pessoas sem me anular e cuidar de mim sem me tornar indiferente às necessidades daqueles que estão ao meu redor. Ensina-me a viver com amor, sabedoria e equilíbrio. Em nome de Jesus, amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
Se esta reflexão falou com você, curta, comente e compartilhe com alguém que também precisa entender que colocar limites não significa deixar de amar.
Indicações do S R Testemunhos, Transformando Limites:
🌷 Quando dizer não também é necessário
🌷 Você não é responsável pelas escolhas dos outros
Uma palavra para guardar no coração: A Bíblia nos ensina: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” — Marcos 12:31
Perceba que existe uma medida nesse ensinamento: como a ti mesmo. Não é para amarmos o outro e esquecermos de nós. Que possamos aprender a amar sem nos anular, ajudar sem carregar o que não nos pertence, perdoar sem permitir abusos e considerar o outro sem deixar de considerar a nós mesmos. Porque você também importa.
- Consideração x Obrigação: quando ajudar deixa de ser escolha e passa a ser cobrança — combina diretamente com o tema, porque fala sobre quando a consideração começa a ser tratada como obrigação.
- Quando ser compreensivo começa a nos machucar — perfeito para a parte em que falamos sobre compreender o outro sem abandonar a si mesma.
- Antes de Cuidar de Alguém, Aprenda a Cuidar de Você — fecha muito bem a reflexão sobre limites, cuidado próprio e a diferença entre amar e se anular. 🌷






[…] Quando a consideração vira egoísmo […]
[…] Quando a consideração vira egoísmo […]