Quando um simples comentário recebe uma resposta ríspida:

Quando um simples comentário recebe uma resposta ríspida:

Você já falou alguma coisa absolutamente normal e recebeu como resposta uma rispidez que fez você pensar: “Mas precisava disso tudo?” Pois é

Às vezes, a gente faz um comentário simples, pergunta alguma coisa, dá uma opinião ou até tenta iniciar uma conversa, e do outro lado vem uma resposta atravessada. E, naquele momento, vontade de responder na mesma moeda. Porque parece injusto. Você fala com uma pessoa e recebe uma resposta como se tivesse cometido um crime. E aí vem aquela vontade: “Ah, é? Então agora você vai ouvir também!” Quem nunca? Mas existe uma coisa que tenho aprendido: nem toda resposta ríspida começou naquilo que eu falei. Às vezes, eu fui apenas a pessoa que apareceu na frente de alguém que já estava cansado. A pessoa estava preocupada. Estava frustrada. Estava magoada. Estava tendo um dia ruim. Ou simplesmente estava carregando alguma coisa que eu desconhecia. E isso não significa que a grosseria esteja certa. Não está. Mas entender que existe algo por trás daquela reação pode nos impedir de transformar um comentário em uma guerra. Porque é muito fácil uma conversa simples virar uma disputa. Eu falo. Você responde mal. Eu respondo pior. Você aumenta o tom. Eu aumento também. Quando percebemos, já não estamos mais discutindo o comentário inicial. Estamos discutindo quem consegue machucar mais. E olha que coisa triste… Tudo pode ter começado com uma frase que nem tinha essa intenção. Por isso, hoje eu penso que precisamos aprender a fazer uma pequena pausa antes de responder. Não aquela pausa de quem está engolindo desaforo. Mas a pausa de quem está perguntando a si mesma: “Eu realmente quero entrar nessa conversa desse jeito?” Porque responder no mesmo tom pode até dar uma sensação de vitória naquele instante. Mas será que resolve alguma coisa? Será que depois você vai se sentir bem? Será que aquela resposta precisava mesmo ser dada? E também existe o outro lado. Nem sempre precisamos ficar calados. Ser uma pessoa tranquila não significa aceitar qualquer maneira de ser tratada. Podemos dizer: “Eu não gostei da forma como você falou comigo.” Podemos perguntar: “Você está chateado comigo ou aconteceu alguma coisa?” Podemos até encerrar a conversa e dizer: “Quando estivermos mais tranquilos, conversamos.” Isso também é maturidade. Porque maturidade não é nunca se irritar. É aprender a escolher o que fazemos com a nossa irritação. Eu já entendi que existem conversas que não precisam ser vencidas. Precisam apenas ser encerradas antes que machuquem ainda mais. E existem outras que precisam acontecer, mas em outro momento, quando os dois lados estiverem dispostos a ouvir. Talvez você esteja pensando: “Mas eu não fui grossa. Foi a outra pessoa que começou.” Pode ser. E justamente por isso você não precisa continuar. Alguém pode ter colocado uma pedra no caminho da conversa. Você não precisa colocar outra. Alguém pode ter levantado a voz. Você não precisa levantar a sua. Alguém pode ter respondido com ironia. Você não precisa devolver com ironia. Não porque você seja fraca. Mas porque você não precisa permitir que o comportamento do outro escolha quem você será naquela conversa. E isso vale muito dentro de casa. No casamento. Entre pais e filhos. Entre irmãos. Entre amigas. No trabalho. Nas redes sociais. Em qualquer lugar onde existam pessoas diferentes tentando conviver. Porque pessoas diferentes vão pensar diferente. Vão interpretar frases de maneiras diferentes. Vão estar cansadas em dias diferentes. E algumas vezes vão errar. Nós também. Talvez a pergunta não seja apenas: “Por que aquela pessoa foi tão ríspida comigo?” Talvez seja também: “O que

eu vou fazer com aquilo que recebi?” Vou devolver? Vou guardar? Vou transformar em uma discussão? Ou vou respirar e escolher uma resposta que não me faça perder a paz? Nem sempre conseguimos acertar. Às vezes respondemos no impulso e depois pensamos: “Eu poderia ter falado de outra maneira.” Tudo bem. A vida também é feita desses aprendizados. Na próxima vez, talvez a gente consiga respirar um pouco mais. Esperar alguns segundos. Perguntar antes de concluir. Ou simplesmente escolher não continuar aquela conversa naquele momento. Porque uma frase atravessada não precisa determinar o rumo de uma relação. E, principalmente, uma resposta ríspida que alguém nos deu não precisa transformar a nossa boca em uma arma. Que a gente aprenda a conversar. A ouvir. A perguntar. A colocar limites. A reconhecer quando o outro está apenas tendo um dia difícil. E também a reconhecer quando precisamos nos afastar de uma conversa que deixou de ser saudável. Porque paz não é nunca enfrentar conflitos. Paz também é saber como atravessá-los sem perder quem somos.

Uma palavra para guardar no coração: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Provérbios 15:1 Que Deus nos dê sabedoria para saber quando falar, quando esperar e quando simplesmente respirar antes de responder

Oração: “Senhor, ensina-me a cuidar das minhas palavras, principalmente quando alguém falar comigo de maneira que me machuque. Dá-me sabedoria para não responder no impulso e discernimento para entender quando preciso conversar, quando preciso colocar limites e quando preciso simplesmente deixar aquela situação passar. Que eu não permita que a grosseria de outra pessoa transforme meu coração em um lugar de raiva. Ajuda-me a ser firme sem ser cruel, sincera sem ferir e sábia para escolher minhas batalhas. E quando eu também errar, dá-me humildade para reconhecer e pedir perdão. Amém.”

Se esse texto falou com você, curta, comente e compartilhe. Talvez alguém esteja precisando descobrir que não precisa devolver toda palavra que recebe.

Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos — Transformando Limites.

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