Quando a idolatria muda de forma, mas não de essência:

Existe algo que tem me feito refletir profundamente sobre a igreja dos nossos dias.
Vejo discursos inflamados contra a idolatria, alertas constantes sobre devoção, críticas severas a práticas de outras igrejasespecialmente as mais simples. Mas, ao mesmo tempo, vejo algo que dói: a idolatria apenas trocou de roupa.

Porque idolatria não é só imagem.
Idolatria é tudo aquilo que ocupa o lugar que pertence exclusivamente a Deus.

Quando uma igreja condena a devoção sincera, ridiculariza a fé simples e menospreza comunidades humildes, mas se curva diante de líderes, títulos, cargos e plataformas, algo está profundamente desalinhado com o Evangelho.

Jesus nunca se incomodou com a simplicidade.
Ele
se incomodou com a soberba espiritual.

Os fariseus conheciam a Lei, citavam versículos, tinham aparência de santidademas seus corações estavam cheios de orgulho, controle e sede de reconhecimento. E é exatamente isso que vemos quando homens se tornam intocáveis, quando questionar vira pecado e quando a “visão do líder passa a valer mais do que a voz de Deus.

“Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Mateus 15:8)

Uma igreja pode dizer que combate idolatria, mas se:

  • exalta homens acima de Cristo
  • transforma líderes em referência máxima de fé
  • mede espiritualidade por status e visibilidade
  • despreza os simples e os feridos
  •  

então ela não destruiu ídolosapenas substituiu o objeto da adoração.

A verdadeira adoração não precisa de palco.
Ela
nasce no secreto.
Ela
gera humildade, não superioridade.
Ela acolhe, não humilha.
Ela aponta para Cristo, não para pessoas.

A fé simples nunca foi o problema.
O problema é quando a religião vira espetáculo e Deus se torna figurante.

Zelo pela verdade não pode ser desculpa para arrogância espiritual.
Discernimento
também é fruto do Espírito.
E, muitas vezes, Jesus continua sendo encontrado longe dos holofotesentre os quebrantados, os esquecidos e os que só têm o coração para oferecer.

Porque a idolatria mais perigosa não tem imagem…
Ela tem microfone, púlpito e seguidores.

Reflexão:

Tenho adorado a Deus… ou defendido sistemas?
Tenho
seguido a Cristo… ou pessoas?
Minha fé
gera amor, humildade e serviçoou julgamento e superioridade?

Oração:

“Senhor, livra-nos de toda idolatria disfarçada de espiritualidade.
Que nossos olhos estejam fixos em Ti e não em homens.
Que não desprezemos a fé simples, nem confundamos autoridade com divindade.
Purifica nosso coração, alinha nossa adoração e devolve à igreja a centralidade de Cristo.
Amém.”

Pra Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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