Quando o corpo fala, precisamos aprender a escutar:

Quando o corpo fala, precisamos aprender a escutar:

Tem coisas que a gente entende depois que passa por elas.

Hoje, quando penso em tudo o que aconteceu comigo na retirada da vesícula, uma das coisas que mais me chama atenção é perceber quantas vezes o nosso corpo tenta conversar conosco antes que a gente entenda o que está acontecendo. Uma dor de cabeça insistente. Uma tontura. Um mal-estar que não passa. Uma dor diferente daquela que estamos acostumados a sentir.

Às vezes, a gente simplesmente pensa: “Deve ser cansaço”, “dormi em uma posição ruim”, “comi alguma coisa que não fez bem”, “amanhã passa”. E foi mais ou menos assim que começou comigo. Era madrugada de um sábado quando senti uma dor que eu imaginava ser no estômago. Pensei que talvez tivesse dormido de mau jeito. Só que a dor continuou durante o restante da noite. Eu tentava encontrar uma posição em que ela aliviasse um pouco e percebi que, quando me sentava, melhorava um pouquinho. Falei com Giovani, mas naquele primeiro momento ele não levou muito a sério. Achou que poderia ser drama meu. E eu também poderia ter pensado: “É só esperar, vai passar.” Mas não passou. No domingo, quando levantei, a dor continuava ali. E, dessa vez, alguma coisa dentro de mim dizia que eu precisava descobrir o que estava acontecendo. Pedi para Giovani me levar à UPA. Ele foi, dizendo que provavelmente passaríamos o dia inteiro esperando. Eu respondi: “Se você quiser, pode me deixar lá e voltar para casa.” No fim, ele decidiu ficar comigo. Depois de algumas horas, fui atendida. Fiz exames e os médicos começaram a suspeitar de que o problema poderia estar relacionado a pedras na vesícula. Eu teria que permanecer ali durante a noite, até conseguirem uma vaga em algum hospital. Mais tarde, um médico apareceu com a notícia de que tinham conseguido uma vaga no Hospital do Idoso Zilda Arns, mas eu precisaria estar lá às sete horas da manhã de segunda-feira. Ele perguntou se eu teria condições de ir para casa e retornar pela manhã ou se preferiria permanecer na UPA durante a noite e seguir de ambulância. Liguei para Giovani e expliquei tudo. Ele foi me buscar.Na segunda-feira de manhã, saímos cedo de casa e fomos para o hospital.Chegando lá, passei pelos primeiros atendimentos. Verificaram minha pressão, temperatura, batimentos cardíacos e fizeram outros exames de imagem. Depois, fui encaminhada para avaliação com o especialista.E então veio a decisão: eu precisaria ficar internada.A suspeita de pedra na vesícula continuava.Os médicos precisavam de um exame mais específico para entender exatamente onde estavam as pedras e se alguma delas havia saído da vesícula e seguido para outro lugar, como eles costumam dizer.Fui encaminhada para realizar esse exame em uma clínica particular que tinha parceria com o SUS.E foi lá que veio a confirmação:As pedras estavam somente na vesícula.A cirurgia poderia ser realizada.E assim aconteceu.Fiz a cirurgia para retirar a vesícula e, graças a Deus, tudo correu bem. Hoje, olhando para trás, uma pergunta sempre passa pela minha cabeça: E se eu não tivesse insistido em ir à UPA?E se eu tivesse pensado que era apenas uma dor no estômago?E se tivesse esperado mais um dia?E se tivesse decidido suportar a dor porque não queria “dar trabalho” ou porque achei que iria passar?Talvez nada acontecesse.Talvez acontecesse.E é justamente esse “talvez” que me faz pensar.Não estou dizendo que toda dor significa algo grave. Nem que devemos viver assustados com qualquer sintoma.Mas acredito que precisamos aprender a prestar mais atenção ao nosso próprio corpo.Porque o corpo fala.Às vezes fala baixinho.Às vezes insiste.E algumas vezes grita.

O problema é que nós, mulheres, muitas vezes somos tão acostumadas a cuidar de todo mundo que acabamos deixando nós mesmas para depois. A filha precisa. O marido precisa. A casa precisa. O trabalho precisa. Alguém está doente. Alguém precisa de ajuda. E nós? “Depois eu vejo isso.” “Depois eu marco uma consulta.” “Depois eu descanso.” “Isso não é nada.” Eu mesma já fiz isso muitas vezes. Mas meu corpo me ensinou, mais uma vez, que eu também preciso ser cuidada. Que não devo ignorar uma dor persistente. Que não devo ter vergonha de procurar ajuda. Que não preciso esperar a situação ficar insuportável para tentar descobrir o que está acontecendo. Naquele domingo, eu poderia ter ficado em casa. Poderia ter escutado a reclamação de que passaríamos o dia inteiro na UPA e desistido. Mas alguma coisa dentro de mim dizia: “Vá.” E eu fui. Ainda bem. Porque, graças a Deus, descobrimos o que estava acontecendo, consegui fazer o tratamento necessário e hoje posso contar essa história dizendo: Deus cuidou de mim. Talvez essa seja uma das grandes lições que ficam depois de uma experiência assim. Precisamos cuidar da nossa fé, mas também precisamos cuidar do corpo que Deus nos deu. Precisamos orar, mas também precisamos procurar ajuda quando for necessário. Precisamos confiar em Deus, mas isso não significa ignorar os sinais que Ele permite que o nosso próprio corpo nos apresente. não é negligência. Cuidado também é uma forma de gratidão. Então, se hoje o seu corpo está tentando chamar a sua atenção, não ignore automaticamente. Observe. Escute. Procure respostas. Converse com um profissional de saúde quando necessário. Não deixe para depois aquilo que precisa ser investigado. E principalmente, não ache que você está exagerando simplesmente porque alguém disse que é drama. Às vezes, aquilo que parece pequeno para outra pessoa está sendo um grande aviso dentro de nós. Eu aprendi isso na prática. E hoje posso olhar para aquela madrugada de dor e agradecer a Deus por ter me dado discernimento para perceber que aquela dor precisava ser investigada. Meu corpo falou. Eu escutei. E Deus cuidou do resto.

Uma oração: “Senhor, obrigada porque Tu cuidas de nós até nos detalhes que muitas vezes não percebemos. Ensina-nos a cuidar melhor do corpo que recebemos, a não ignorar os sinais e a ter sabedoria para procurar ajuda quando for necessário. Dá-nos discernimento para saber quando devemos esperar e quando precisamos agir. Que não sejamos negligentes conosco por estarmos sempre preocupadas em cuidar dos outros. Ajuda-nos a entender que também precisamos de cuidado, descanso e atenção. E quando vier o medo diante de alguma situação, lembra-nos de que não estamos sozinhas. Colocamos nossa vida em Tuas mãos e confiamos que Tu continuarás cuidando de nós. Em nome de Jesus. Amém.” “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma.” 3 João 1:2

Se este texto falou com você, curta, comente e compartilhe. Talvez exista uma mulher precisando lembrar que cuidar de si mesma também é importante.

Para continuar lendo no S R Testemunhos:

Sandra Rochedo
Blog, S R Testemunhos, Transformando limites.

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