Quando a nossa mente responde antes da realidade:

Quando a nossa mente responde antes da realidade:

Ontem aconteceu uma coisa muito simples comigo, mas que me fez pensar bastante. Eu estava no escritório, escrevendo, quando resolvi ir ao banheiro. No caminho, Giovani chegou à porta do escritório dele  e ficou me olhando. Eu olhei para ele e perguntei: O que foi? Na mesma hora, dentro da minha cabeça, já veio aquele pensamento: “Pronto… vem reclamação.” 😂 É engraçado como a nossa mente é rápida, não é? Giovani não tinha falado absolutamente nada. Ele só estava parado ali, olhando para mim. Mas eu, baseada em algumas situações do nosso dia a dia, já tinha criado toda uma história na minha cabeça. Ele respondeu:  Nada não.  Ah, tá. Fui para o banheiro e, enquanto estava lá, comecei a pensar naquilo. Percebi que eu já estava esperando uma reclamação antes mesmo de existir qualquer reclamação. E então comecei a rir de mim mesma. A verdade é que Giovani não estava vindo reclamar de nada. Ele só tinha passado ali para avisar que estava indo dormir. Olha que coisa! Eu tinha reagido a uma situação que nem sequer tinha acontecido. E foi justamente aí que veio a reflexão. Quantas vezes fazemos isso na vida? Alguém olha para nós de um jeito diferente e já pensamos que está bravo. Alguém fica em silêncio e imaginamos que aconteceu alguma coisa. Uma pessoa demora para responder uma mensagem e nossa cabeça começa a criar mil possibilidades. Alguém começa uma frase e nós já sabemos, na nossa imaginação, o que ela vai dizer. E, às vezes, nos magoamos, ficamos irritadas, preocupadas ou ansiosas por causa de uma realidade que só existiu dentro dos nossos pensamentos. Não estou dizendo que devemos ignorar aquilo que acontece conosco. Existem, sim, situações repetidas que nos fazem criar expectativas e nos deixam na defensiva. Quando determinadas experiências se repetem, nosso cérebro começa a reconhecer padrões e a esperar que aconteçam novamente. Mas existe uma diferença entre perceber um padrão e transformar uma suposição em certeza. E foi isso que aconteceu comigo. Eu não sabia o que Giovani queria. Eu simplesmente supus. E essa palavra é pequena, mas pode causar uma confusão enorme: supor. A gente supõe o que o outro está pensando. Supõe o que ele vai falar. Supõe por que ele fez determinada coisa. Supõe que alguém está chateado. Supõe que não gostam mais da gente. Supõe que alguma coisa vai dar errado. E, quando percebemos, estamos reagindo a pensamentos que nem foram confirmados. Talvez precisemos aprender a esperar um pouco mais. Ouvir antes de responder. Perguntar antes de concluir. Observar antes de interpretar. Dar ao outro a oportunidade de explicar aquilo que ainda não entendemos. E, principalmente, dar a nós mesmas a oportunidade de não carregar um peso que talvez nem exista. Ontem eu poderia ter ficado incomodada quando Giovani apareceu na porta. Poderia ter pensado: “Lá vem ele de novo reclamar de alguma coisa.” Poderia ter respondido de maneira atravessada. Mas nada disso aconteceu. Porque, dessa vez, eu percebi a minha própria mente criando uma história e tive a oportunidade de rir dela. E talvez essa seja uma das coisas bonitas de amadurecer: começar a perceber algumas reações nossas e perguntar: “Será que isso está realmente acontecendo ou sou eu que estou antecipando?” Nem todo olhar é uma cobrança. Nem todo silêncio é raiva. Nem toda demora significa desinteresse. Nem toda mudança de comportamento é um problema. Às vezes, é simplesmente… nada.  E que alívio é descobrir que algumas das coisas que tememos nunca chegaram a acontecer. Hoje eu quero aprender um pouco mais a não responder antes da realidade. Quero perguntar mais. Ouvir mais. Supor menos.

Porque nem tudo aquilo que a nossa mente anuncia é verdade.E, quando a realidade chegar, aí sim teremos algo verdadeiro para resolver, conversar ou compreender.

Enquanto isso, talvez seja melhor não sofrer duas vezes: uma pela situação que aconteceu e outra pela situação que nós mesmas inventamos.

Uma oração: “Senhor, me ajuda a cuidar dos meus pensamentos. Quando experiências passadas fizerem com que eu espere sempre o pior, me ensina a parar, respirar e olhar novamente para a situação. Não permita que eu transforme suposições em certezas. Dá-me sabedoria para perguntar antes de concluir, ouvir antes de responder e compreender antes de julgar. Que eu não carregue preocupações que ainda nem existem. E que eu tenha maturidade para reconhecer quando sou eu mesma quem está criando uma história dentro da minha cabeça. Ensina-me a confiar mais em Ti e a viver um dia de cada vez. Em nome de Jesus, Amém.”

Para continuar essa reflexão:

Se você gostou dessa reflexão, talvez também queira ler:

  • Cuidado com as palavras — porque aquilo que pensamos e aquilo que falamos podem mudar completamente uma situação.
  • Pensamentos de paz — uma reflexão sobre aquilo que permitimos ocupar a nossa mente.
  • Palavrinhas mágicas — porque muitas vezes uma boa conversa começa simplesmente sabendo ouvir e falar com gentileza.

Se este texto falou com você de alguma maneira, curta, comente e compartilhe com alguém que também precisa lembrar que nem tudo aquilo que pensamos é aquilo que realmente está acontecendo.

Com carinho,

Sandra Rochedo, Blog S R Testemunhos — Transformando Limites

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