Quando eu esperava um elogio e recebi uma crítica:
Tem dias em que a gente não quer conselho. Não quer uma análise detalhada. Não quer saber o que poderia ter feito diferente. A gente só quer ouvir: “Eu gostei.” Era só isso. Esses dias eu vivi uma situação assim. Fiz algo que tinha significado para mim, compartilhei com alguém cuja opinião é importante e, no lugar do elogio que eu esperava, veio uma crítica. A primeira reação foi ficar triste. Não porque eu não aceite críticas. Eu aceito. Aliás, muitas vezes uma crítica sincera pode nos ajudar a enxergar aquilo que não conseguimos perceber sozinhas. Mas naquele momento eu não estava procurando uma avaliação. Eu estava procurando acolhimento. E talvez essa seja uma das coisas que mais precisamos aprender dentro dos nossos relacionamentos: nem sempre quando alguém nos mostra alguma coisa está pedindo que encontremos os defeitos. Às vezes, ela está simplesmente dizendo: “Olha o que eu fiz.” “Olha o que consegui.” “Olha uma parte de mim que estou aprendendo a descobrir.” “Olha como estou feliz com isso.” E talvez, naquele momento, o que ela esteja precisando seja apenas de alguém que diga: “Eu vi. E fiquei feliz por você.”
Nem toda crítica precisa ser respondida na hora: Quando recebemos uma crítica justamente quando esperávamos um elogio, é fácil começar a questionar o nosso próprio valor. “Será que ficou tão ruim assim?” “Será que eu não sou boa nisso?” “Será que ninguém percebe o meu esforço?” Mas precisamos tomar cuidado para não transformar a opinião de uma pessoa em uma sentença sobre aquilo que somos. Uma crítica pode apontar algo que precisa ser melhorado. Mas ela não tem autoridade para apagar todo o caminho que percorremos.
Uma pessoa pode não enxergar beleza em algo que fizemos e, ainda assim, aquilo continuar sendo importante para nós. E existe outra coisa que aprendi: nem sempre a pessoa que nos critica percebe que estamos feridas. Talvez ela esteja apenas olhando para aquilo que fazemos com os olhos dela. Ela pode estar tentando ajudar. Pode estar sendo prática. Pode estar enxergando algo que realmente precisa ser corrigido. Mas nós também podemos dizer: “Eu entendo o que você está falando. Mas, naquele momento, eu só queria compartilhar uma coisa que era importante para mim.” Isso não é fraqueza. É comunicação.
Existe uma diferença entre querer elogio e depender de elogio: Também precisamos ter equilíbrio. Não podemos viver precisando que todos aprovem aquilo que fazemos. Se eu depender do elogio dos outros para acreditar que tenho valor, qualquer crítica poderá me derrubar. Mas desejar reconhecimento de quem amamos não é necessariamente vaidade. Existe uma diferença enorme entre precisar de aplausos para existir e gostar de ser reconhecida por alguém importante para nós. Eu posso saber quem sou e, ainda assim, gostar de ouvir: “Parabéns.” “Ficou bonito.” “Estou orgulhoso de você.” “Eu percebi o quanto você se esforçou.” Isso faz bem. E nós, mulheres, precisamos aprender a fazer isso umas pelas outras. Porque muitas vezes somos excelentes em apontar o que está errado, mas esquecemos de celebrar o que deu certo.
Quantas vezes fazemos isso sem perceber? Talvez alguém tenha preparado uma comida para nós e, em vez de dizermos: “Que delícia!” a primeira coisa que falamos seja: “Está um pouco salgada.” Talvez uma amiga mostre uma roupa nova e escute: “Eu não usaria.” Talvez uma filha conte uma conquista e receba imediatamente uma lista de coisas que ainda precisa melhorar. Talvez uma mulher finalmente tome coragem para começar um projeto e alguém diga: “Mas você acha mesmo que vai dar certo?” Às vezes, não precisamos ser a pessoa que encontra o problema. Podemos ser a pessoa que primeiro reconhece a coragem. Depois, se houver espaço, podemos conversar sobre aquilo que pode melhorar. Existe hora para corrigir e existe hora para abraçar. Sabedoria também é saber distinguir uma da outra.
E quando isso acontece dentro de casa? Aí o assunto fica ainda mais delicado. Porque quando esperamos uma palavra de alguém que amamos, colocamos um pouco do nosso coração naquela pessoa. E quando vem uma crítica, parece que ela atingiu muito mais do que aquilo que fizemos Por isso, talvez seja importante aprender a dizer:
“Eu não precisava de uma avaliação agora. Eu só queria que você ficasse feliz comigo.” Que coisa simples.E que pode evitar tantos mal-entendidos.Relacionamentos não são feitos apenas de grandes declarações. Eles também são construídos nesses pequenos momentos. Na maneira como ouvimos.Na maneira como respondemos.Na maneira como percebemos que, às vezes, por trás de um simples: “Olha o que eu fiz!” existe uma pessoa dizendo: “Olha para mim. Perceba o meu esforço. Compartilhe essa alegria comigo.”
E Deus? Deus também nos ensina sobre isso. Quantas vezes olhamos para nós mesmas e enxergamos apenas aquilo que ainda falta? Deus, porém, conhece o processo. Ele sabe de onde nos tirou. Sabe quantas vezes choramos escondidas. Sabe quantas vezes pensamos em desistir. Sabe das pequenas vitórias que ninguém viu. Talvez hoje você esteja esperando um elogio de alguém e tenha recebido uma crítica. Não deixe que essa palavra apague tudo aquilo que Deus já fez em você. Receba aquilo que puder lhe ensinar. Deixe de lado aquilo que não precisa carregar. E continue. Porque uma crítica pode mostrar uma coisa que precisa ser ajustada, mas ela não define o seu valor. E talvez hoje você também precise pensar no outro lado. Talvez exista alguém perto de você esperando há muito tempo por uma palavra sua. Talvez essa pessoa não precise de uma correção. Talvez precise apenas ouvir: “Eu vi o seu esforço.” “Eu sei que não foi fácil.” “Ficou bonito.” “Parabéns.” “Eu estou feliz por você.” Às vezes, um elogio não muda o que aconteceu. Mas pode mudar a maneira como alguém termina o dia. E se pudermos escolher entre ser a pessoa que sempre aponta o que falta e a pessoa que também sabe reconhecer o que existe, que possamos aprender a celebrar mais. Porque ninguém perde valor por elogiar alguém. Pelo contrário. Quando reconhecemos a luz do outro, a nossa própria luz não diminui.
Uma oração: “Senhor, ensina-me a receber críticas sem permitir que elas definam quem eu sou. Dá-me sabedoria para reconhecer aquilo que preciso melhorar, mas também maturidade para não carregar palavras que não preciso carregar. E, principalmente, ensina-me a olhar para as pessoas que amo com mais sensibilidade. Que eu saiba perceber quando alguém precisa de uma orientação e quando precisa apenas de um abraço. Que eu não seja rápida para apontar defeitos e lenta para reconhecer esforços. Coloca em minha boca palavras que levantem, consolem e fortaleçam. E quando eu estiver esperando uma palavra de carinho e receber uma crítica, lembra-me de que o meu valor não depende da aprovação das pessoas. Que a Tua voz seja maior dentro de mim. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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