Você responde ou faz cara de paisagem?
Quando alguém responde para você com grosseria, o que você faz? Você responde na mesma altura? Fica quieta? Sai de perto? Ou faz aquela famosa cara de paisagem, como quem pensa: “Eu ouvi, mas vou fingir que não ouvi.” 😂 Confesso que essa tal cara de paisagem pode ser uma ferramenta muito útil em determinadas situações. Porque tem hora que responder não resolve. Pelo contrário. Só aumenta o problema. A pessoa fala atravessado. Você responde. Ela responde novamente. Você pensa: “Agora eu vou falar tudo! ”E pronto. Quando percebe, aquela conversa que poderia ter terminado em dois minutos virou uma discussão de meia hora.E, no final, ninguém ganhou. Todo mundo saiu machucado. Mas também aprendi que fazer cara de paisagem não significa aceitar tudo. Existe uma diferença enorme entre escolher não responder e não saber se posicionar. Às vezes, eu fico quieta porque não quero alimentar uma discussão. Outras vezes, fico quieta porque percebo que aquele não é o momento certo para conversar. E existem situações em que ficar quieta seria apenas engolir algo que precisa ser dito. Por isso, talvez a pergunta não seja :“Eu respondo ou fico calada? ”Talvez seja: “Qual é a melhor maneira de responder? ”Porque podemos responder sem gritar. Podemos discordar sem humilhar. Podemos colocar limites sem ofender. Podemos dizer que não gostamos da maneira como alguém falou conosco sem transformar aquilo em uma guerra. E isso dá trabalho. Porque quando alguém nos trata mal, a primeira vontade muitas vezes é devolver exatamente aquilo que recebemos. É quase automático. A pessoa foi grossa? Eu também sei ser. A pessoa foi irônica ?Eu também posso ser. A pessoa levantou a voz? Eu levanto a minha também. Só que existe um problema nessa lógica: se eu sempre devolvo o que recebo, quem está decidindo o meu comportamento? Eu. Ou a outra pessoa? Essa pergunta me fez pensar bastante. Porque eu não quero entregar para qualquer pessoa o poder de determinar como vou agir. Se alguém está mal-humorado, não quero necessariamente ficar mal-humorada também. Se alguém foi ríspido, não quero automaticamente me tornar ríspida. Se alguém perdeu a paciência, eu não preciso perder a minha junto. Isso não quer dizer que eu tenha que aceitar desrespeito. Não. Às vezes, a resposta mais madura pode ser justamente: “Eu não gostei da maneira como você falou comigo. ”E pronto. Sem grito. Sem ironia. Sem discurso de vinte minutos. Só uma frase clara. Porque colocar limite não precisa ser uma cena. Também aprendi que existem pessoas que gostam de provocar. E com essas, talvez a cara de paisagem seja uma verdadeira estratégia de sobrevivência. 😂 Você explica. A pessoa provoca. Você explica novamente. Ela provoca de novo. E chega uma hora em que você percebe: “Ah, ela não quer conversar. Ela quer uma reação. ”Então você não entrega. Não porque não tenha resposta. Mas porque decidiu que sua paz vale mais. Isso também é força. Mas existe outro cuidado. Não podemos transformar o silêncio em um depósito de ressentimentos. Porque ficar calada por fora enquanto fica discutindo a situação dentro da cabeça também cansa. A pessoa já foi embora há horas, mas você continua respondendo mentalmente: “Eu devia ter falado isso…”“Quando ela falou aquilo, eu deveria ter respondido…”“Da próxima vez eu vou falar tudo!” E lá está você, brigando sozinha com alguém que nem sabe que a discussão ainda está acontecendo. 😂 Por isso, quando algo realmente nos incomodar, talvez seja melhor conversar. No momento certo. Com tranquilidade. Sem a necessidade de vencer. Apenas para esclarecer. Porque nem todo silêncio é sabedoria. E nem toda resposta é falta de educação. Existe um caminho entre os dois. A resposta consciente. Aquela em que você escolhe suas palavras porque sabe que elas podem construir ou destruir. E quando
não houver nada de bom para acrescentar? Bom…Talvez uma pequena cara de paisagem não faça mal a ninguém. 😂 Só não deixe que ela vire uma forma de esconder tudo aquilo que você precisa aprender a dizer. Porque maturidade também é isso: saber quando falar, saber como falar e saber quando não vale a pena falar. No fim das contas, talvez a verdadeira vitória não seja conseguir dar a última palavra. Talvez seja conseguir terminar uma conversa ainda sendo você mesma.
Uma palavra para guardar no coração: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” Tiago 1:19
Oração: “Senhor, dá-me sabedoria para escolher minhas palavras. Ensina-me a não responder no impulso, mas também a não esconder aquilo que precisa ser dito. Que eu saiba colocar limites sem ferir, discordar sem desrespeitar e permanecer em silêncio quando uma discussão não vai produzir nada de bom. Guarda meu coração da raiva e minha boca das palavras ditas no calor do momento. E quando eu precisar falar, que minhas palavras sejam firmes, mas também cheias de sabedoria. Amém.”
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Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos — Transformando Limites
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