Série: Até Aqui Nos Sustentou o Senhor

Capítulo 4 – Quando um sustentava o outro:

Depois da cirurgia para colocar o marca-passo, a vida do Giovani voltou a entrar nos eixos. Ele estava bem, fazia seus acompanhamentos médicos e continuava cumprindo suas responsabilidades no ministério. Nós havíamos ido para Salvador para servir a Deus, participar da implantação da Escola Ministerial e acompanhar os trabalhos da igreja. Mas ninguém imaginava que, naquela nova fase, nós passaríamos por situações em que um precisaria sustentar o outro. Pouco tempo depois da cirurgia do Giovani, eu tive meu primeiro AVC. Foi um momento difícil. Eu precisei ser internada e comecei a enfrentar uma realidade completamente diferente. Naquele momento, foi o Giovani quem precisou estar ao meu lado. Ele ligou para a médica que havia acompanhado todo o processo do marca-passo e pediu orientação.  Ela indicou o Hospital das Clínicas, que era referência no tratamento de AVC. Fui internada e recebi atendimento.

Enquanto eu estava ali tentando entender tudo o que estava acontecendo comigo, Giovani continuava cuidando das responsabilidades que tínhamos assumido.

Ele precisava ir até a Praia do Forte para dar aulas e também pregar na igreja em Salvador. Era uma rotina difícil. Nós estávamos aprendendo a lidar com nossas limitações enquanto continuávamos tentando cumprir aquilo que Deus havia colocado em nossas mãos. E então aconteceu algo que jamais esqueceríamos.

Quando foi a vez dele:

No final de dezembro de 2015, enquanto dormíamos, Giovani teve um AVC .Quando acordei, percebi imediatamente que havia alguma coisa errada. Ele não conseguia falar direito. Naquele momento, não havia tempo para dúvidas. Eu sabia que ele estava tendo um AVC. Chamei a pessoa que nos ajudava em casa e pedi que procurasse rapidamente um pastor amigo nosso. Precisávamos chegar ao Hospital das Clínicas.

Ele chegou rapidamente e nos levou. Assim que chegamos, contei ao médico o que havia acontecido. Também falei sobre o marca-passo. Na mesma hora, liguei para a médica que havia cuidado dele durante todo o processo do marca-passo e passei o telefone para o médico que estava atendendo o Giovani. Eles conversaram por algum tempo. Ela passou para ele todo o histórico médico do Giovani. Mais uma vez, Deus colocou as pessoas certas no caminho. O atendimento aconteceu. Os médicos cuidaram dele. E, depois de alguns dias, Giovani recebeu alta. Voltamos para casa. Parecia que mais uma tempestade havia passado. Mas ainda havia outra batalha pela frente.

Quando o corpo pede socorro: Depois de algum tempo, Giovani começou a se sentir cansado novamente. Era uma sensação parecida com aquela que ele tinha sentido antes de colocar o marca-passo. Ele percebeu que havia alguma coisa diferente. Procurou o médico que havia realizado a cirurgia. Depois dos exames, veio a explicação: Um dos fios havia se soltado. Seria necessária uma nova cirurgia para colocar o fio novamente no lugar. Mais uma vez, precisávamos lidar com a possibilidade de uma cirurgia. Mas, naquele período, aconteceu algo que mudou a prioridade de tudo. Eu tive meu segundo AVC. Giovani precisou avisar ao médico que havia acontecido comigo. E a cirurgia dele precisou ser remarcada. Quando ele  conversou com a pessoa responsável pelo agendamento, explicando  a situação.

Ele então ouvi algo que guardo até hoje. Ele disse ao Giovani: “Senhor Giovani, não se preocupe. Cuide da sua esposa. Quando ela tiver alta, nós remarcamos a sua cirurgia.” E foi exatamente isso que aconteceu. Primeiro eu precisava ficar bem. Depois cuidaríamos dele. Naquele momento, percebi mais uma vez como Deus colocava pessoas sensíveis no nosso caminho. Ninguém nos tratava apenas como números ou como mais um paciente. Havia pessoas que entendiam que existia uma família por trás de cada procedimento. Depois que recebi alta, a cirurgia do Giovani foi novamente marcada. Ele fez o procedimento para colocar o fio do marca-passo no lugar. E, graças a Deus, tudo correu bem. Mais uma vez, uma cirurgia. Mais uma vez, o medo. Mais uma vez, a recuperação. E mais uma vez, Deus nos sustentando.

De volta ao Rio: Depois de todas essas experiências, chegou o momento de retornar ao Rio de Janeiro. Isso aconteceu por volta de 2019. Voltamos para o Rio e permanecemos lá por um período. Depois, em 2021, decidimos vir para Curitiba. Era mais uma mudança. Mais uma cidade. Mais uma fase. E, como tantas outras vezes, começamos novamente. Em Curitiba, Giovani começou a fazer seu acompanhamento médico. Em uma consulta de rotina no posto de saúde, ele foi encaminhado para o Hospital das Clínicas e passou a ser acompanhado por um cardiologista. A vida foi se reorganizando. Nós fomos nos adaptando. E os anos foram passando. Até que, certo dia, eu levei um tombo no banheiro e fraturei o tornozelo. Mais uma vez, nossa rotina mudou. Mas continuamos. Depois de algum tempo, Giovani começou a sentir muito cansaço. Ele dizia que estava sem forças. Como já conhecíamos aquela sensação e sabíamos que havia algo que precisava ser investigado, ele procurou o cardiologista.

O médico pediu vários exames. Entre eles, havia um exame para verificar como estava o marca-passo E foi justamente esse exame que mostrou o que estava acontecendo. A bateria do marca-passo estava chegando ao fim. Então o médico explicou que seria necessário fazer uma nova cirurgia para substituí-lo. Mas dessa vez havia uma diferença. Não seria apenas uma troca qualquer. O médico explicou que seria colocado um modelo mais moderno e melhor. Chegou o dia da cirurgia. Giovani fez o procedimento. Tudo correu bem. E, apenas dois dias depois, ele já estava em casa.

Mais uma vez, nós olhamos um para o outro e agradecemos.

Aprendemos a caminhar juntos:

Quando penso em tudo o que vivemos, percebo que nosso casamento foi construído também dentro de hospitais. Foram consultas. Exames. Internações. Cirurgias. AVCs. Marca-passo. Recuperações. Mudanças. Medos. Mas também foram muitas orações. Muitas mãos estendidas. Muitos amigos. Muitos profissionais competentes. Muitos pastores. Muitas pessoas que Deus colocou em nosso caminho. E, acima de tudo, muita graça. Houve momentos em que Giovani precisou cuidar de mim. e ainda continua cuidando. Houve momentos em que eu precisei cuidar dele. E houve momentos em que os dois estavam cansados. Mas aprendemos que casamento não significa que os dois estarão fortes ao mesmo tempo. Às vezes, um está forte enquanto o outro está fraco. E tudo bem. Porque casamento também é isso. É quando um segura a mão do outro até que ele consiga ficar de pé novamente.É quando um diz: “Eu estou aqui.” É quando não temos respostas, mas permanecemos juntos. É quando a doença chega e muda os planos, mas não consegue destruir o amor. É quando a vida não acontece como imaginávamos, mas ainda assim decidimos continuar caminhando. Hoje, olhando para trás, não consigo contar a história do Giovani sem contar também um pouco da minha.Porque nossas histórias se misturaram.As dores dele se tornaram nossas.As minhas lutas se tornaram dele também.As vitórias dele foram minhas.E minhas vitórias também foram dele. Até aqui Não chegamos até aqui porque tudo foi fácil. Chegamos porque, em cada fase, Deus nos deu forças para atravessar o que precisava ser atravessado. Quando um estava fraco, o outro ajudava. Quando os dois estavam cansados, Deus nos sustentava. Quando não sabíamos o que fazer, procurávamos ajuda. Quando precisávamos de médicos, Deus colocou profissionais no caminho. Quando precisávamos de oração, Deus levantou pessoas para interceder. E quando não conseguíamos enxergar uma saída, Ele continuava trabalhando. Hoje, olhando para toda essa caminhada, consigo entender ainda mais o significado daquela frase que tantas vezes ouvimos dentro da igreja: Até aqui nos ajudou o Senhor. Não significa que nunca mais teremos problemas. Significa que, até aqui, Ele nunca nos abandonou. E se Ele nos trouxe até aqui, continuaremos confiando nEle para os  próximos capítulos. Uma reflexão para o coração: Talvez você esteja vivendo hoje uma situação em que precisa cuidar de alguém. Ou talvez seja você quem esteja precisando ser cuidado. Não tenha vergonha disso. Todos nós, em algum momento da vida, precisaremos de alguém. A pessoa que hoje está forte pode amanhã precisar da sua mão. E a pessoa que hoje precisa da sua ajuda pode amanhã ser aquela que estará segurando você. Não somos feitos para atravessar todas as tempestades sozinhos. Precisamos uns dos outros. Precisamos de profissionais preparados. Precisamos de amigos. Precisamos da família. Precisamos de pessoas que saibam ouvir. E, para nós que cremos, precisamos principalmente continuar confiando em Deus. Porque existem momentos em que nossas forças acabam. Mas a fidelidade de Deus não acaba.

Oração: “Senhor meu Deus, Hoje eu quero agradecer por cada etapa que atravessamos. Obrigado porque, quando eu precisei, o Giovani esteve ao meu lado. E obrigado porque, quando ele precisou, eu também pude estar ao lado dele. Obrigado porque nos ensinaste que caminhar juntos significa muito mais do que dividir os dias bons. Significa permanecer quando chegam os dias difíceis. Obrigado por cada médico, enfermeiro, amigo, pastor e profissional que o Senhor colocou em nosso caminho. Obrigado por cada porta que foi aberta. Obrigado por cada cirurgia que deu certo. Obrigado por cada recuperação. Obrigado porque, mesmo quando não entendíamos o que estava acontecendo, o Senhor continuava cuidando de nós. Ensina-nos a continuar caminhando juntos. Que nunca nos falte paciência, amor, compreensão e disposição para cuidar um do outro. E que, quando vierem novos desafios, possamos lembrar de tudo o que já atravessamos e dizer: Até aqui nos ajudou o Senhor. E continuará nos ajudando. Em nome de Jesus. Amém.”

Com carinho,

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

“Melhor serem dois do que um, porque têm melhor recompensa do seu trabalho.”
Eclesiastes 4:9
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