Série: Até Aqui Nos Sustentou o Senhor

Capítulo 3 – Quando Deus abriu uma nova porta:

Depois de tudo o que havíamos vivido com a internação do Giovani, poderíamos imaginar que a nossa história entraria em um período mais tranquilo.

E, de certa maneira, entrou.

Giovani continuou fazendo seu acompanhamento médico, nós seguimos nossa caminhada na igreja, participamos de atividades ministeriais e fomos vivendo nossos dias com mais tranquilidade. Mas Deus já estava preparando um novo capítulo.

Em outubro de 2010, participamos de um encontro de casais em Penedo, na região serrana do Rio de Janeiro. Foram três dias maravilhosos.

Depois de tudo o que havíamos enfrentado, aquele encontro teve um significado ainda maior para nós.  Estávamos juntos, participando, aprendendo, rindo, conversando e aproveitando aqueles dias com muito cuidado, principalmente por causa do que Giovani havia passado. Nossos líderes foram muito carinhosos e atenciosos conosco.

A vida continuava. E nós continuávamos caminhando.

Até que, alguns anos depois, nosso apóstolo compartilhou conosco um sonho que carregava no coração: ele queria que a igreja tivesse uma escola ministerial.

Naquele momento, não sabíamos exatamente tudo o que aquela ideia representaria para nós. Mas o sonho começou a tomar forma. Em 2013, surgiu a Escola Ministerial.

A primeira foi implantada na sede da igreja, no bairro de Inhoaíba, no Rio de Janeiro. Giovani e eu começamos a participar desse projeto. Era uma nova responsabilidade, mas também uma oportunidade de servir a Deus de uma maneira diferente. E foi assim que aprendemos uma coisa que se repetiria muitas vezes na nossa caminhada: Quando Deus abre uma porta, muitas vezes Ele já está preparando outras portas que ainda nem conseguimos enxergar. Depois da implantação da escola no Rio, começaram a surgir pedidos para que iniciássemos uma escola também em Salvador .No começo, era apenas uma possibilidade.

Vieram conversas. Depois, algumas viagens. Íamos para Salvador para conhecer o local, conversar, planejar, organizar e entender como aquele projeto poderia acontecer. Voltávamos para o Rio. Depois íamos novamente. E assim foram acontecendo as idas e vindas. Até que percebemos que aquilo já não era apenas uma viagem. Era uma mudança. Deus estava nos levando para uma nova cidade.

Começamos a acompanhar também as obras e a preparação para o início da congregação e da escola no município de Mata de São João, na região da Praia do Forte. E então chegou o momento de fazer as malas.

Primeiro foi a mudança. Depois, enviamos o carro. E, por último, fomos nós.

Quando chegamos a Salvador, já tínhamos conseguido um apartamento.

Fomos para lá e, quando chegamos, percebemos que a mudança ainda não havia chegado. A casa estava praticamente vazia. Não tínhamos pratos, talheres e praticamente nada para preparar uma refeição. Então fomos ao mercado comprar alguma coisa para comer. Foi quando nossa vizinha percebeu que havíamos acabado de chegar e ainda não tínhamos nossas coisas. Com uma gentileza que nunca esquecemos, ela nos emprestou pratos e talheres. Pode parecer uma coisa pequena.

Mas eu aprendi que existem pequenos gestos que chegam até nós no momento exato.  Naquela noite, finalmente, a mudança chegou. Foi aquela correria!

O rapaz responsável pela mudança levou ajudantes e eles descarregaram tudo direitinho. Aos poucos, nossa casa começou a tomar forma. Estávamos em uma nova cidade. Uma nova etapa. Um novo ministério. Uma nova história. Mas ainda faltava uma coisa importante: o nosso carro. Giovani acompanhava tudo pelo celular.

O caminhão-cegonha estava vindo com o carro e o motorista mantinha contato, informando onde estava. Até que, de repente, o motorista passou um dia inteiro sem dar notícias. Giovani começou a ficar preocupado. E aquela preocupação começou a afetá-lo. Ele começou a passar mal. Na mesma hora, tudo o que havíamos vivido em 2010 voltou à minha mente. Eu conhecia aquele olhar. Conhecia aquela sensação. Conhecia aquele medo. Chamei um pastor conhecido e pedimos que nos levasse ao hospital. Chegando , Giovani foi atendido, recebeu soro e oxigênio e passamos boa parte da noite no hospital. Depois que o soro terminou, a médica nos liberou, mas recomendou que ele procurasse acompanhamento cardiológico. Ela mencionou o Hospital Ana Neri, referência em cardiologia na Bahia. Nós concordamos.

Se era ali que precisávamos procurar ajuda, então era ali que iríamos.

Mas, quando o pastor que estava conosco ouviu que precisávamos procurar o hospital, comentou, sem maldade, mas com aquela visão humana que muitas vezes temos: “Ah, vai ser difícil vocês conseguirem uma consulta lá. É um hospital muito procurado. Tem gente que precisa dormir na fila para conseguir atendimento.”

Ele deu uma risadinha, como quem achava improvável conseguirmos. Mas eu pensei: Se é lá que precisamos estar, é lá que vamos conseguir. Voltamos para o apartamento.

Era domingo. Na segunda-feira pela manhã, comecei a pesquisar. Primeiro procurei cardiologistas que atendessem pelo plano de saúde. Não consegui. Então comecei a procurar consultas particulares. Encontrei uma cardiologista cujo valor da consulta era acessível e que ainda aceitava cartão de crédito. Marquei. A consulta ficou para quarta-feira pela manhã. E, para completar, o carro chegou na segunda-feira.

Uma preocupação havia sido resolvida. Agora faltava cuidar da saúde do Giovani.Na quarta-feira, fomos à consulta.

Durante o atendimento, Giovani teve novamente um mal-estar. A médica ficou atenta. Depois de avaliá-lo, ela disse: “Seu Giovani, eu sou responsável pela área de imagens do Hospital Ana Neri. Pelo que estou vendo, o senhor provavelmente vai precisar colocar um marca-passo.” Ele ficou assustado. Eu também. Depois de tudo o que já havíamos passado, ouvir novamente a palavra cirurgia não era fácil. Mas a médica nos tranquilizou. Ela disse que iria encaminhá-lo para o Hospital Ana Neri para que ele pudesse ser acompanhado por lá. E foi exatamente o que aconteceu. A porta que parecia tão difícil de abrir se abriu. A consulta que parecia tão difícil de conseguir aconteceu. A médica que encontramos por meio de uma simples pesquisa na internet trabalhava justamente no hospital que precisávamos procurar. E começamos o tratamento. Giovani foi avaliado por um especialista. E não era qualquer especialista. Era um médico muito renomado, considerado um dos melhores da área na Bahia, que inclusive participava de simpósios e palestras pelo mundo. Ele fez a avaliação, marcou a cirurgia e chegou o dia do procedimento. Giovani colocou o marca-passo.E tudo correu bem. Graças a Deus. Poucos dias depois, ele recebeu alta.E, para nossa surpresa e alegria, apenas cinco dias depois da cirurgia ele já estava em casa e até dirigindo.Mais uma vez, nós conseguíamos agradecer. Quando olho para essa parte da nossa história, percebo que Deus não precisou fazer tudo de maneira espetacular para mostrar que estava conosco.Ele foi abrindo pequenas portas.Uma pessoa aqui. Uma informação ali.Uma consulta.Uma médica.Um encaminhamento.Um especialista.Uma cirurgia que deu certo.E, quando percebemos, estávamos exatamente onde precisávamos estar.Nós havíamos chegado a Salvador para cumprir um propósito ministerial. Mas Deus também já havia preparado o cuidado que Giovani precisaria para continuar sua caminhada.

Quando Deus cuida antes de nós sabermos que precisamos:

Hoje entendo que muitas vezes ficamos preocupados porque não sabemos como determinada situação vai acontecer. Nós olhamos para uma porta fechada e pensamos:

“Como vou conseguir?” Mas Deus não precisa nos mostrar todo o caminho.Ele só precisa nos conduzir até a próxima porta.Naquela época, eu não sabia como conseguiríamos atendimento no Hospital Ana Neri.Não sabia quem nos atenderia.Não sabia qual seria o tratamento.Não sabia sequer que Giovani precisaria de um marca-passo. Mas Deus sabia.E isso era suficiente.Aquela mudança para Salvador não era apenas uma mudança de endereço.Era o começo de uma nova fase da nossa caminhada.Nós ainda enfrentaríamos outros desafios.Eu ainda enfrentaria meus próprios momentos difíceis.Giovani ainda teria outras batalhas.Mas, olhando para trás, consigo perceber que Deus já estava nos ensinando algo que precisaríamos carregar para o restante da nossa história: Não precisamos conhecer o caminho inteiro para confiar naquele que conhece.

Uma reflexão para o coração:

Talvez você esteja vivendo hoje uma situação parecida. Talvez exista uma porta que parece impossível de abrir. Talvez você esteja olhando para uma situação e pensando: “Não sei como isso vai acontecer.” Eu aprendi que não precisamos saber. Precisamos continuar caminhando. A porta certa pode estar mais perto do que imaginamos. Às vezes, Deus usa uma pessoa que encontramos por acaso. Uma consulta que conseguimos inesperadamente. Uma ligação. Uma conversa. Uma oportunidade.

Um lugar para onde fomos conduzidos sem entender completamente o motivo. E, depois, quando olhamos para trás, percebemos: Deus já estava preparando tudo.

Oração: “Senhor meu Deus,

Obrigado porque o Senhor conhece o caminho antes mesmo de nós darmos o primeiro passo.

Obrigado porque, quando não sabíamos como conseguir ajuda para o Giovani, o Senhor já havia preparado pessoas e caminhos.

Obrigado pela nossa ida para Salvador, pela Escola Ministerial, pelo ministério e por tudo aquilo que o Senhor nos permitiu viver naquela época.

Obrigado porque o Senhor também cuidou da saúde dele e colocou profissionais capacitados no nosso caminho.

Ensina-nos a não desistir diante de uma porta que parece difícil de abrir.

Que possamos confiar que, quando uma porta for realmente necessária para os Teus propósitos, o Senhor mesmo saberá como abri-la.

E que nunca nos esqueçamos:

O Senhor continua cuidando de nós mesmo quando ainda não conseguimos enxergar o que está por vir.

Em nome de Jesus.

Amém.”

Com carinho,

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará.”
Salmos 37:5

Se este testemunho falou ao seu coração, curta, comente e compartilhe. Talvez alguém esteja diante de uma porta que parece impossível, mas Deus já esteja preparando o caminho.

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