Existem primas que a vida transforma em irmãs:

Existem primas que a vida transforma em irmãs:

A Palavra de Deus diz que existem amigos mais chegados que irmãos. E, pensando nisso, eu me dei conta de que também existem primas que a vida transforma em irmãs.

Tenho falado bastante sobre algumas das minhas primas, e talvez alguém possa até pensar: “Essa mulher só fala de prima!” 😂 Mas a verdade é que, quando a gente chega a uma determinada fase da vida, começa a olhar para trás com mais carinho. Percebemos que o tempo passou muito mais rápido do que imaginávamos e que algumas lembranças ficaram guardadas dentro de nós, esperando apenas um detalhe, uma conversa ou até mesmo uma fotografia para voltarem à nossa memória. É exatamente isso que tem acontecido comigo. Hoje quero falar de uma prima que faz parte da minha história desde a infância e que continua fazendo parte dela até hoje. O nome dela é Eny. A história dela começa ainda antes de nós nascermos, porque a mãe dela, Lenita, é prima da minha mãe. Nossas famílias cresceram muito próximas e, durante a minha infância e adolescência, era muito comum nos reunirmos quase todos os finais de semana no bairro de Colégio, no Rio de Janeiro. Era aquela família grande que se reunia e fazia festa sem precisar de motivo especial. Todo mundo aparecia. Era criança correndo, adulto conversando, comida, churrasco, música, piscina, risadas e aquela bagunça gostosa que, quando somos crianças, parece que nunca vai acabar. Eu já falei aqui de algumas primas da parte da família do meu pai. A Eny vem de outro lado da família: ela é da parte da minha mãe. E nós crescemos juntas. Mesmo quando a vida começou a nos levar para lugares diferentes, nunca perdemos completamente o contato. O pai da Eny era militar e acabou sendo transferido para Brasília. Então a família foi embora do Rio: o pai, a mãe, Eny e seus dois irmãos. Mas distância não significa necessariamente afastamento.Quando eles conseguiam ir ao Rio, era motivo de festa. Todos nós acabávamos nos encontrando novamente na casa do irmão da Lenita, que morava em Colégio. E aí vocês podem imaginar! Era churrasco, música alta, piscina, conversa, risada e a primaiada toda reunida novamente. Naquela época, ninguém ficava pensando que um dia sentiríamos saudade daqueles momentos.A gente simplesmente vivia.E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da vida: enquanto estamos vivendo determinados momentos, não sabemos que um dia eles se transformarão em memória.Depois fomos crescendo.Cada um tomou seu rumo.

Eny se casou e foi morar em Manaus, onde teve um filho. Leny foi para os Estados Unidos, e Lênio permaneceu em Brasília com os pais. Pelo que sei, depois da morte do pai, ele continuou morando com a mãe. E eu também fui seguindo o meu caminho.

Fui morar em Salvador com Giovani e minha filha caçula Bruna, e foi lá que a minha vida passou por uma das fases mais difíceis que já vivi. Foi lá que tive os AVCs.

Quando Eny e Lenita souberam do que havia acontecido comigo, entraram em contato e perguntaram se poderiam ir me visitar. Eu disse que sim. Nosso apartamento em Salvador era grande e dava para receber visitas.

Mas confesso que uma coisa é alguém dizer que vai nos visitar; outra completamente diferente é a pessoa realmente pegar suas coisas, viajar e aparecer na nossa porta. E elas foram. Eny e Lenita foram me visitar. E aquele encontro foi muito especial. No

meio de uma fase tão difícil da minha vida, reencontrar pessoas que faziam parte das minhas lembranças de infância trouxe uma sensação muito boa. Começamos a lembrar das coisas que vivíamos quando éramos crianças, das reuniões de família, das brincadeiras e daquela bagunça toda na casa dos primos Sérgio e Vera. Foi como abrir uma gaveta antiga da memória e encontrar coisas que ainda estavam , intactas. E, como toda boa reunião de família, também tivemos momentos engraçados. Lembro de um passeio que fizemos com Eny ao Mercado Modelo, em Salvador.

Em determinado momento, encontramos uma baiana que vendia acarajé e também tinha aquelas roupas típicas da Bahia para quem quisesse tirar fotografias. Eny se empolgou e resolveu experimentar uma roupa para tirar uma foto. Até aí, tudo normal. Só que começamos a perceber algumas pessoas paradas olhando para ela e cochichando. Nós não entendíamos o que estava acontecendo.Até que finalmente percebemos.Eny estava a cara da Maria Bethânia! Pronto! Foi o suficiente para começarmos a mexer com ela até o dia em que voltaram para Brasília. 😂 E o mais engraçado é que, depois, olhando melhor, realmente havia uma semelhança muito grande.Foi mais uma daquelas histórias simples que acabam ficando guardadas para sempre.Hoje, depois de tantos anos, continuo mantendo contato com Eny e Lenita. E agora existe uma nova expectativa: estou esperando a visita delas aqui em Curitiba.Só tem uma coisa que pode atrapalhar um pouquinho os planos: o frio.

Porque nem todo mundo gosta do frio de Curitiba. E, convenhamos, Curitiba às vezes parece acreditar firmemente que é Europa. 😂 Mas espero que isso não seja suficiente para impedir essa visita. Quero muito recebê-las aqui em casa. Temos muitos anos de história para colocar em dia, muitas lembranças para recordar e, provavelmente, muitas novas histórias para criar. Talvez seja isso que mais me emociona quando penso nas pessoas que fizeram parte da minha infância. A vida muda. As cidades mudam. As famílias crescem. Alguns se casam, outros vão embora para longe, alguns permanecem mais próximos, outros ficam anos sem se encontrar. Mas existem vínculos que não desaparecem. Eles apenas ficam guardados. E basta um reencontro para percebermos que determinadas pessoas continuam ocupando o mesmo lugar especial dentro de nós. Hoje, olhando para trás, percebo que aquelas reuniões de família em Colégio eram muito mais importantes do que eu imaginava. Eu não sabia que estava vivendo momentos que um dia seriam lembranças preciosas. Não sabia que aquelas crianças que corriam pela casa cresceriam, tomariam rumos diferentes e um dia sentiriam saudade daquela bagunça. Não sabia que a vida me levaria para Salvador, que enfrentaria momentos tão difíceis, que voltaria para o Rio e depois chegaria a Curitiba. E também não sabia que, tantos anos depois, estaria aqui esperando novamente pela visita de uma prima que conheci ainda menina. É por isso que hoje tenho aprendido a valorizar mais os encontros. A gente passa muito tempo esperando pelo futuro e, às vezes, esquece de perceber o quanto o presente já está cheio de coisas que um dia vamos querer lembrar. Por isso, se você ainda tem pessoas da sua infância por perto, aproveite. Ligue.Mande uma mensagem.Marque um café.Relembre histórias.Dê risada das coisas que vocês fizeram. Porque o tempo passa.E passa depressa.Mas algumas pessoas conseguem atravessar o tempo conosco.Eny é uma dessas pessoas na minha vida.Uma prima que, para mim, é muito mais chegada que irmã.E eu não vejo a hora de abrir a porta da minha casa em Curitiba e dizer:“Finalmente vocês chegaram!”Tenho certeza de que teremos muito para conversar. E, se o frio deixar, muito para rir também. ❤️

Uma reflexão: Talvez uma das maiores riquezas que acumulamos ao longo da vida não esteja nas coisas que compramos, nos lugares onde moramos ou nos títulos que conquistamos. Está nas pessoas. Nas histórias. Nos abraços. Nas risadas. Nos reencontros. Nas lembranças que continuam aquecendo o coração mesmo depois de muitos anos. Que Deus nos ajude a o perceber o valor das pessoas somente quando o tempo já tiver passado. Que saibamos cultivar os nossos vínculos enquanto ainda podemos abraçar, conversar, visitar e dizer: “Você é importante para mim.”

Oração: “Senhor, obrigada pelas pessoas que colocaste na minha caminhada. Obrigada pela minha família, pelas histórias que vivemos e pelas lembranças que o tempo não conseguiu apagar. Ajuda-me a valorizar cada encontro e cada pessoa que ainda faz parte da minha vida. Que eu não deixe para amanhã um abraço, uma ligação, uma conversa ou uma palavra de carinho que posso oferecer hoje. E que, mesmo quando a vida nos levar por caminhos diferentes, possamos preservar aquilo que realmente importa: o amor, o respeito, a amizade e os laços que construímos ao longo da caminhada. Abençoa minha família e permita que novos reencontros aconteçam. E, quando Eny e Lenita finalmente chegarem a Curitiba, que possamos viver mais um daqueles momentos que, no futuro, certamente vamos querer lembrar. Em nome de Jesus, amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos , Transformando Limites.

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Eny
Eny
5 horas atrás

Amém, prima! Suas palavras tocaram meu coração. O valor da vida está mesmo nas pessoas que amamos e nas memórias que construímos. Mal posso esperar por esse abraço e por esse reencontro tão esperado.
Deus abençoe nossa caminhada e que esse reencontro em Curitiba seja inesquecível! ❤️”