Mulheres que Deus colocou no meu caminho:

Mulheres que Deus colocou no meu caminho:

Quando comecei a escrever sobre algumas mulheres que fizeram ou fazem parte da minha história, pensei que falaria apenas das mulheres empreendedoras, das minhas filhas e das minhas primas. Mas, enquanto escrevia, fui percebendo que existem muitas outras mulheres que também deixaram marcas importantes na minha caminhada. E hoje quero falar de duas delas: Marinês e Sueli, duas ex-vizinhas que fizeram parte de uma fase muito especial da minha vida, quando eu ainda morava no Rio de Janeiro. Às vezes, Deus coloca pessoas no nosso caminho que chegam de uma maneira tão simples que, naquele momento, talvez nem percebamos o quanto serão importantes. A Marinês foi uma dessas pessoas para mim. Nós conversávamos muito. Compartilhávamos coisas da vida, conversávamos sobre Deus, orávamos juntas e, pouco a pouco, ela se tornou alguém muito especial na minha caminhada. Naquela época, eu precisava de ajuda com algumas coisas que, para muitas pessoas, poderiam parecer pequenas, mas que para mim faziam toda a diferença. Um dia, Marinês me disse que Deus havia falado com ela e colocado no coração dela que deveria me ajudar com os meus exercícios de fisioterapia. E ela obedeceu. Ela ia até a minha casa e fazia comigo os exercícios. Não era simplesmente uma visita. Era tempo, disposição, cuidado e amor colocados à disposição de alguém que precisava. E ela também me ajudava em algumas coisas do dia a dia, inclusive no banho e na hora de trocar de roupa. Isso pode parecer muito simples para quem olha de fora, mas quem já precisou depender de alguém para coisas tão íntimas sabe o quanto é difícil. Existe uma vulnerabilidade muito grande em precisar de ajuda. E existe uma diferença enorme quando essa ajuda vem acompanhada de carinho, respeito e amor. Marinês nunca fez com que eu me sentisse um peso. Ela simplesmente estava ali. E, de vez em quando, ainda aparecia lá em casa com algum presente para mim. Não era o valor do presente que importava. Era o gesto. Era como se ela dissesse, sem precisar falar: “Eu lembrei de você.” E algumas pessoas talvez nunca saibam o quanto um gesto assim pode alcançar o coração de alguém. A Sueli também fez parte dessa história. Ela me ajudou algumas vezes no banho e também esteve presente em momentos em que eu precisava de apoio. e nos presenteou com nosso gatinho, ainda bebê. Mas a nossa amizade ganhou uma dimensão ainda maior por causa das reuniões de oração. Tudo começou de maneira simples. Comecei fazendo uma reunião de oração uma vez por semana na minha casa. Algumas mulheres iam, alguns amigos do ministério também participavam, e aquele encontro foi crescendo. Depois de um tempo, passamos a fazer as reuniões na casa da Sueli. E foi muito especial. Participavam muitas mulheres. Algumas eram vizinhas, outras eram da igreja em que a Sueli congregava, e outras pessoas também foram chegando. Não era simplesmente uma reunião marcada na agenda. Eram momentos em que nos reuníamos para buscar a Deus. Orávamos umas pelas outras, compartilhávamos nossas lutas, nossas alegrias, nossas preocupações e nossas esperanças. E eu me lembro de como era forte perceber Deus falando claramente com cada uma de nós. Não era apenas uma pessoa falando e as outras ouvindo. Cada uma chegava com uma necessidade, uma pergunta, uma dor, uma situação que talvez ninguém conhecesse completamente, e muitas vezes saíamos dali com uma palavra que parecia ter sido preparada especialmente para aquele momento. Era um daqueles períodos em que a presença de Deus parecia muito nítida. Depois de um ano fazendo aquelas reuniões, decidimos fazer uma comemoração. E não foi uma reunião qualquer. Fizemos no salão de festas do condomínio. Tivemos painel, arranjos de flores, bolo, salgadinhos, refrigerantes e, principalmente, muita oração. Foi um momento lindo. Mas o que mais marcou aquela comemoração não foram as flores, o

bolo ou a decoração. Foram as pessoas. Foram as histórias. Foi saber que, durante aquele ano, algumas pessoas haviam se aproximado novamente de Deus. Algumas estavam voltando para o Senhor. E quando penso nisso, vejo que aquela reunião de oração não era apenas um encontro semanal de mulheres. Deus estava fazendo algo ali. Nós éramos apenas pessoas disponíveis. E talvez seja isso que mais me ensina quando olho para trás. Deus não precisa de grandes estruturas para fazer grandes coisas. Às vezes, Ele começa em uma casa. Em uma sala. Em uma roda de mulheres. Em uma oração feita com lágrimas. Em uma vizinha que decide obedecer ao que Deus colocou em seu coração. Em alguém que oferece algumas horas da sua semana para ajudar outra pessoa. Em um café, uma conversa, um abraço ou uma palavra. Foi assim com Marinês. Foi assim com Sueli. E foi assim com tantas outras mulheres que passaram pela minha vida. Quando chegou o momento de ir embora do Rio, a despedida foi dolorida. Porque eu não estava apenas deixando um endereço. Eu estava deixando um lugar onde havia encontrado acolhimento. Estava deixando pessoas com quem eu tinha construído vínculos. Estava deixando aquelas reuniões de oração, aquelas mulheres, aquelas conversas e aqueles momentos em que sentíamos Deus falando conosco de maneira tão clara. Foi uma despedida difícil porque existem lugares que se tornam especiais não por causa das paredes, mas por causa das pessoas que encontramos dentro delas. Hoje estou em Curitiba e continuo minha caminhada. Tenho novas experiências, novas pessoas, novos aprendizados e uma nova história sendo construída. Mas confesso que sinto falta daqueles encontros. Sinto falta da proximidade. Sinto falta de poder estar ali presencialmente, de sentar junto, conversar, orar, abraçar. A tecnologia ajuda muito. Graças a ela, ainda podemos conversar, mandar mensagens, fazer chamadas e manter contato mesmo estando longe. E eu agradeço a Deus por isso. Mas existe uma coisa que aprendi com o tempo: a tecnologia aproxima, mas nada substitui completamente a presença. Uma mensagem pode confortar. Uma chamada pode matar um pouco da saudade. Uma oração à distância pode alcançar alguém. Mas estar junto é diferente. O abraço é diferente. O olhar é diferente. Sentar perto de alguém e simplesmente dizer “estou aqui” é diferente. Talvez por isso algumas saudades sejam tão difíceis de explicar. Porque não sentimos falta apenas das pessoas. Sentimos falta dos momentos que vivemos com elas. Hoje, quando lembro de Marinês, lembro de alguém que decidiu obedecer a Deus e me ajudar. Quando lembro de Sueli, lembro da casa onde tantas mulheres se reuniam para orar. E quando lembro daquele período, percebo que Deus estava cuidando de mim também através de pessoas. Isso me faz pensar em quantas vezes pedimos a Deus que faça alguma coisa por nós, sem perceber que, muitas vezes, Ele já está movimentando alguém para nos ajudar. Talvez alguém esteja precisando de uma Marinês hoje. Talvez alguém esteja precisando de uma Sueli. Talvez alguém esteja precisando apenas de uma pessoa que diga: “Eu posso ir até você.” “Vamos orar juntas.” “Eu posso te ajudar.” “Você não precisa passar por isso sozinha.” E talvez Deus esteja colocando você no caminho dessa pessoa. Por isso, quando Deus colocar alguém diante de você, não despreze os pequenos gestos. Uma visita pode significar muito. Uma oração pode sustentar alguém. Uma ajuda prática pode devolver dignidade. Um presente simples pode dizer “eu me lembrei de você”. E uma reunião de oração pode se transformar em um lugar de restauração para muitas vidas. Hoje, olhando para trás, sou grata. Grata por Marinês. Grata por Sueli. Grata por cada mulher que esteve naquelas reuniões. Grata por cada oração. Grata por cada conversa. Grata por cada pessoa que Deus colocou no meu caminho naquele período. E mesmo sentindo saudade, não quero olhar para aquela história apenas com tristeza. Quero olhar com gratidão. Porque algumas pessoas passam pela nossa vida por pouco ou por muito tempo, mas deixam

algo que permanece. E eu acredito que essas duas mulheres fazem parte de uma dessas partes bonitas da minha história. Talvez hoje estejamos longe. Talvez a vida tenha mudado. Talvez os encontros já não sejam como antes. Mas aquilo que Deus fez naquele tempo continua fazendo parte de quem somos. E algumas histórias não terminam quando as pessoas se afastam. Elas simplesmente passam a morar dentro da nossa memória. E, quando lembramos, percebemos: Deus estava ali. E continua sendo o mesmo Deus que nos acompanha onde quer que estejamos.

Uma oração: “Senhor, obrigada pelas pessoas que o Senhor coloca em nosso caminho. Obrigada por aquelas que chegam para nos ajudar, por aquelas que oram conosco, por aquelas que nos acolhem e por aquelas que simplesmente permanecem ao nosso lado quando mais precisamos. Abençoa a Marinês e a Sueli. Abençoa cada mulher que fez parte daqueles momentos de oração. Que o Senhor recompense cada gesto de amor, cada oração e cada atitude de cuidado. E também nos ensine a perceber quando alguém ao nosso redor precisa de nós. Que não sejamos indiferentes à necessidade do outro. Que tenhamos disposição para ajudar, coragem para nos aproximar e sensibilidade para ouvir aquilo que o Senhor colocar em nosso coração. E, mesmo quando a distância nos separar de pessoas que amamos, ajuda-nos a guardar no coração tudo aquilo que foi vivido com amor. Porque sabemos que os lugares mudam, as fases mudam, as pessoas se mudam, mas o Senhor permanece. Em nome de Jesus. Amém.”

Com carinho,

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

Se esta história tocou seu coração, curta, comente e compartilhe. Talvez alguém também precise se lembrar hoje de uma pessoa que Deus colocou em seu caminho.

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado