Quando esquecemos que não moramos sozinhos:

Hoje pela manhã, acordamos com um som muito alto vindo da casa dos fundos. Era uma comemoração de Dia dos Pais, provavelmente uma reunião em família. Até aí, nada de errado. Comemorar, receber a família, conversar, rir, ouvir música e aproveitar um momento juntos faz parte da vida. O problema começa quando a nossa alegria passa a ser o incômodo de outra pessoa. O som estava tão alto que, mesmo com portas e janelas fechadas, conseguíamos ouvir nitidamente as músicas, as gritarias, as gargalhadas e, infelizmente, muitos palavrões.E fiquei pensando…Será que algumas pessoas simplesmente esquecem que não vivem sozinhas?Quando estamos dentro da nossa casa, temos a impressão de que podemos fazer aquilo que quisermos. Afinal, é a nossa casa. Mas existe uma coisa chamada convivência.Moramos próximos uns dos outros. Dividimos paredes, quintais, ruas, prédios e espaços. E, justamente por isso, nossas atitudes podem alcançar pessoas que nem sequer fazem parte daquilo que estamos vivendo.Talvez para quem está fazendo a festa, aquele barulho seja apenas alegria.Mas para quem está tentando descansar, pode ser perturbação.Para quem está doente, pode ser sofrimento.Para uma pessoa idosa, pode ser desconforto.Para alguém que trabalha à noite, pode ser a impossibilidade de dormir.Para uma criança pequena, pode ser assustador.E foi justamente nessa criança que pensei.Tenho uma vizinha que tem um filhinho de apenas um ano, que enfrenta problemas de saúde e precisa de cuidados especiais. É uma criança que necessita de tranquilidade, silêncio e um ambiente mais calmo.Então me veio uma pergunta:E se fosse o contrário?E se aquele bebê estivesse passando mal?E se aquela mãe estivesse tentando acalmá-lo?E se aquela família estivesse precisando desesperadamente de silêncio?Será que as pessoas que estavam fazendo tanto barulho gostariam de estar no lugar deles?Será que entenderiam?Será que pediriam respeito? Provavelmente sim. E é aí que está uma das grandes dificuldades da convivência humana: muitas vezes queremos que respeitem as nossas necessidades, mas esquecemos de respeitar as necessidades dos outros. Queremos silêncio quando precisamos descansar.Queremos compreensão quando estamos passando por dificuldades.Queremos que tenham paciência conosco quando não estamos bem.Mas será que oferecemos aos outros aquilo que esperamos receber?Viver em comunidade exige mais do que morar perto de outras pessoas.Exige empatia.Exige olhar além da nossa própria vontade e perceber que existe alguém do outro lado.Não estou dizendo que ninguém pode comemorar, ouvir música, receber amigos ou fazer uma festa. Claro que pode.A vida também precisa de alegria.O que precisamos aprender é que alegria não precisa significar falta de consideraçãopossível comemorar sem transformar a casa inteira em uma caixa de som.É possível rir sem gritar.É possível conversar sem usar palavrões que atravessam as paredes e chegam aos ouvidos de quem não escolheu ouvi-los.É possível celebrar e, ao mesmo tempo, lembrar que existem outras pessoas ao redor.Talvez o que esteja faltando em muitos lugares não seja uma regra nova.Talvez esteja faltando simplesmente bom senso.Porque respeito não deveria existir apenas quando alguém reclama. Respeito deveria existir antes mesmo que alguém precisasse pedir.E talvez uma pergunta simples pudesse mudar muitas atitudes: “Se eu estivesse no lugar do meu vizinho, eu gostaria que fizessem isso comigo?”Se a resposta for não, talvez seja hora de diminuir o volume.Talvez seja hora de pensar um pouco mais no outro. Porque viver em comunidade é exatamente isso: entender que a nossa liberdade não pode ser construída em cima do desconforto de outra pessoa.Hoje foi uma festa na casa do vizinho.Amanhã pode ser uma criança doente.Depois pode ser um idoso tentando dormir.Pode ser alguém passando por uma noite difícil.Pode ser uma mãe desesperada tentando acalmar o filho.Pode ser qualquer um de nós.E quando aprendemos a olhar para o outro com mais empatia, percebemos que respeito não diminui a nossa alegria.Pelo contrário.Ele mostra que conseguimos ser felizes sem fazer outra pessoa sofrer.Uma reflexão para levar conosco Antes de pensar apenas:“Eu quero fazer isso.”Talvez devêssemos aprender a perguntar:“Será que isso prejudica alguém?”Porque, quando vivemos em comunidade, nossas escolhas também alcançam outras pessoas.E nunca sabemos o que alguém está vivendo do outro lado da parede.

Oração: ”Senhor, ensina-nos a olhar para as pessoas ao nosso redor com mais amor e empatia. Ajuda-nos a compreender que nem sempre aquilo que é agradável para nós também será agradável para o outro. Dá-nos sabedoria para respeitar, paciência para conviver e sensibilidade para perceber quando nossas atitudes podem estar causando sofrimento a alguém. Que possamos aprender a pensar menos somente em nós mesmos e mais no bem-estar daqueles que estão ao nosso redor. Que a nossa presença seja motivo de paz, e não de perturbação. Em nome de Jesus, amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

“Antes de aumentar o volume da nossa alegria, talvez devêssemos lembrar que, do outro lado da parede, alguém pode estar precisando de silêncio.”

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“Do outro lado da parede, alguém pode estar precisando de silêncio.”

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A Assembleia dos Passarinhos — O Pequeno do Gogó Poderoso: – SR Testemunhos
18 dias atrás

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