Às vezes me sinto rejeitada.
E não é por estranhos, nem por pessoas distantes. É por quem nasceu de mim.
Minhas filhas cresceram, têm a vida delas, os compromissos, os mundos que agora giram longe do meu. Eu entendo isso… ou tento entender. Mas o coração de mãe nem sempre acompanha a lógica da maturidade. Ele sente falta. Ele chama. Ele espera.
Ligo e não atendem.
Chamo e a resposta demora.
E, aos poucos, começo a me perguntar se estou sendo chata, inconveniente, se estou forçando uma atenção que não é mais desejada.
A dor não está só no silêncio delas, mas no que esse silêncio começa a gritar dentro de mim:
Será que sentem minha falta?
Será que ainda sou necessária?
Ser mãe nessa fase é aprender a amar de longe, a se conter, a não sufocar com saudade. É um exercício diário de não transformar ausência em rejeição — mesmo quando o coração insiste em fazer isso.
Eu continuo sendo mãe.
Mesmo quando não ligam.
Mesmo quando não respondem.
Mesmo quando parecem não perceber minha falta.
E Deus me lembra, no secreto, que Ele vê essa dor. Que Ele acolhe essa saudade. Que Ele não me rejeita quando me sinto esquecida.
Hoje escolho não diminuir meu amor para parecer menos carente. Escolho aprender novas formas de amar, mesmo com o coração apertado. E entrego a Deus o que não posso controlar: o tempo, a consciência e o retorno delas.
Reflexão:
Amar não nos torna fracos. Às vezes, só nos torna humanos demais.
Oração:
“Senhor, acolhe meu coração de mãe. Cura as feridas que o silêncio causa, guarda-me de me sentir rejeitada e ensina-me a amar sem me perder de mim. Cuida das minhas filhas e, no Teu tempo, aproxima o que hoje parece distante. Amém.”
Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.





