Quando a pessoa só pensa em si:

Existe uma grande diferença entre cuidar de si e pensar somente em si.Cuidar de nós mesmos é necessário. Precisamos respeitar nossos limites, cuidar da nossa saúde, descansar quando precisamos, dizer não quando algo ultrapassa nossos limites e aprender a nos colocar em alguns momentos como prioridade. Mas existe uma diferença enorme entre isso e viver como se somente o nosso bem-estar importasse. Há pessoas que fazem tudo pensando primeiro nelas mesmas.Se precisam de alguma coisa, procuram alguém.Se estão cansadas, esperam que o outro compreenda.Se querem alguma coisa, fazem acontecer.Se precisam de ajuda, pedem.Mas quando chega a vez de perceber a necessidade do outro, parece que a sensibilidade desaparece.O outro pode estar cansado.Pode estar triste.Pode estar precisando de ajuda.Pode estar enfrentando uma dificuldade.Pode estar precisando simplesmente de um pouco de a E, ainda assim, aquela pessoa continua pensando:“E eu?”Tudo precisa girar em torno dela.Se algo é bom para ela, está tudo bem.Se algo traz conforto para ela, está tudo bem.Se uma decisão favorece a ela, é a decisão certa.Mas se para beneficiar o outro for necessário abrir mão de alguma coisa, fazer um esforço, mudar um plano ou simplesmente sair um pouco da própria zona de conforto, aí começam as reclamações.E isso pode acontecer dentro de qualquer tipo de relacionamento. Entre marido e mulher. Entre pais e filhos.Entre irmãos.Entre amigos.Entre pessoas que trabalham juntas.Até mesmo dentro daigreja.Porque estar perto de alguém não significa necessariamente saber conviver com alguém.

O problema não é se colocar em primeiro lugar algumas vezes: Precisamos tomar cuidado para não confundir amor-próprio com egoísmo. Há momentos em que precisamos dizer: “Agora eu preciso cuidar de mim.” E isso não é errado. Aliás, pode ser necessário. O problema começa quando a pessoa transforma essa frase em uma regra permanente: Eu primeiro. Eu sempre. Eu em tudo.” Ela quer compreensão, mas não compreende. Quer paciência, mas não tem paciência. Quer receber carinho, mas não demonstra carinho. Quer ser ouvida, mas não sabe ouvir. Quer que respeitem seus sentimentos, mas não respeita os sentimentos dos outros. Quer ajuda quando precisa, mas desaparece quando é o outro que precisa dela. E, muitas vezes, nem percebe o quanto isso machuca. Porque quem vive pensando somente em si acaba enxergando o mundo através das próprias necessidades. Relacionamento não pode ser uma via de mão únicaQualquer relacionamento saudável precisa de reciprocidade. Não significa que tudo tenha que ser dividido exatamente pela metade. Às vezes um precisa mais e o outro consegue oferecer mais. Em outro momento, a situação pode se inverter. Existem dias em que nós estamos fortes e conseguimos carregar alguém. E existem dias em que somos nós que precisamos ser carregados. Isso é relacionamento. Isso é companheirismo. Isso é amor. Não é uma competição para descobrir quem dá mais. É uma disposição para perceber: “Como você está?” Talvez essa seja uma das perguntas mais simples e, ao mesmo tempo, mais esquecidas nos nossos relacionamentos. Estamos tão preocupados em falar sobre o que sentimos que esquecemos de perguntar o que o outro está sentindo. Estamos tão preocupados com aquilo que precisamos que esquecemos que o outro também possui necessidades. Estamos tão acostumados a receber que esquecemos de agradecer. E estamos tão acostumados a ser cuidados que esquecemos que também precisamos cuidar. Nem tudo precisa ser do nosso jeito  Existe uma maturidade que aprendemos com o tempo: nem sempre aquilo que é melhor para mim será melhor para nós. E quando existe amor verdadeiro, algumas vezes precisamos conversar, negociar, esperar, ceder e até abrir mão. Não porque somos inferiores. Não porque o outro manda em nós. Mas porque entendemos que viver com outras pessoas significa considerar que elas também têm sentimentos, vontades, limites e necessidades. É impossível construir uma relação saudável quando somente uma pessoa decide, somente uma pessoa recebe e somente uma pessoa precisa ser compreendida. Uma hora, aquele que sempre cede se cansa. Aquele que sempre compreende começa a se sentir incompreendido. Aquele que sempre cuida começa a desejar também ser cuidado. E aquele que sempre fica em segundo lugar pode começar a perguntar: “E quem cuida de mim?”

Cuidado para não usar o “eu me amo” como desculpa: Hoje ouvimos muito sobre amor-próprio. E precisamos mesmo aprender a nos amar. Mas amar a si mesmo não significa deixar de enxergar o outro. Eu posso me amar e ainda assim respeitar você. Posso cuidar de mim e também me preocupar com você. Posso estabelecer limites sem ser cruel. Posso dizer não sem humilhar. Posso escolher aquilo que me faz bem sem fazer o outro sofrer desnecessariamente. Porque amor-próprio saudável não elimina o amor pelo próximo. Pelo contrário. Quando aprendemos a cuidar de nós de maneira equilibrada, também conseguimos desenvolver relações mais saudáveis.

Jesus nos ensinou algo muito diferente: Jesus nunca ensinou que deveríamos viver pensando somente em nós. A Palavra nos ensina: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Marcos 12:31) Observe a ordem. Existe o cuidado consigo mesmo, mas existe também o cuidado com o próximo. Não é apenas: “Eu preciso ficar bem.” É também: “Como posso contribuir para que o outro também fique bem?” Talvez essa seja uma pergunta que precisamos voltar a fazer. Não para nos anulamos. Não para aceitarmos abusos. Não para vivermos tentando agradar todo mundo. Mas para aprendermos que relacionamento exige reciprocidade, consideração, respeito e empatia.

Pense nisso: Se todas as suas decisões beneficiam somente você, talvez seja hora de parar e refletir. Se você sempre espera compreensão, mas nunca compreende. Se sempre quer receber, mas raramente oferece. Se sempre quer ser cuidado, mas nunca pergunta se o outro está bem. Se sempre espera que alguém faça sacrifícios por você, mas não está disposto a fazer nenhum pelo outro… Talvez exista alguma coisa precisando ser revista. Porque ninguém deveria precisar desaparecer para que outra pessoa possa se sentir bem. Ninguém deveria viver se anulando para manter uma relação funcionando. E ninguém deveria acreditar que amar alguém significa aceitar ser colocado sempre em último lugar. Cuidar de si é saudável. Pensar somente em si é egoísmo. E existe uma diferença enorme entre os dois. Que Deus nos sabedoria para perceber quando estamos cuidando de nós e quando estamos deixando de enxergar quem está ao nosso lado. Porque, no final das contas, a vida não é construída somente com aquilo que recebemos. Ela também é construída com aquilo que somos capazes de oferecer.

 Uma reflexão em forma de oração: “Senhor, ensina-me a cuidar de mim sem deixar de enxergar quem está ao meu lado. Ensina-me a reconhecer minhas necessidades, mas também a perceber as necessidades daqueles que convivem comigo. Não permita que o meu desejo de estar bem me faça ignorar a dor de outra pessoa  Dá-me equilíbrio para estabelecer limites sem perder a sensibilidade. Dá-me sabedoria para saber quando preciso dizer não e quando preciso ceder. Que eu não seja uma pessoa que apenas espera receber amor, compreensão, cuidado e atenção, mas que também saiba oferecer tudo isso. E, principalmente, Senhor, ensina-me a amar como Tu nos ensinaste. Que o meu coração nunca fique tão cheio de mim mesma que não haja espaço para perceber o outro. Amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

Se esta reflexão falou com você, curta, comente e compartilhe com alguém que também possa precisar refletir sobre esse assunto. Às vezes, uma palavra chega no momento certo e nos faz enxergar aquilo que sozinhos ainda não conseguimos perceber.

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