Mulheres que Empreendem — Parte 4

Valentina: uma nova vida construída com coragem:

Quando pensamos em mulheres empreendedoras, nem sempre precisamos procurar histórias muito distantes. Às vezes, elas estão bem perto de nós. Sentadas diante de uma cliente, trabalhando com as próprias mãos, correndo de um lugar para outro, conciliando trabalho, casa e filhos e, muitas vezes, enfrentando desafios que quase ninguém conhece. Hoje quero contar um pouco da história de Valentina.

Valentina é venezuelana e veio para o Brasil tentando a sorte, como tantos imigrantes que deixam para trás sua terra, sua família, seus costumes e tudo aquilo que conhecem para buscar uma oportunidade de construir uma vida diferente. Recomeçar em outro país não é simples. É preciso coragem para chegar. Coragem para aprender uma nova rotina. Coragem para enfrentar as dificuldades. E, muitas vezes, coragem até para começar novamente em uma profissão que já conhecemos, mas em um lugar onde ainda precisamos conquistar nosso espaço. Valentina trabalha como manicure. Atende em alguns salões de beleza e também atende clientes em casa.

E quem pensa que trabalhar como manicure é simplesmente sentar algumas horas e fazer unhas talvez não imagine o quanto existe por trás dessa profissão. Existe técnica. Existe dedicação. Existe cuidado. Existe criatividade. E existe muito trabalho. Valentina trabalha muito. E nem sempre existe horário certo para começar ou terminar. É conforme a necessidade das clientes, os horários disponíveis e as oportunidades que aparecem. Um atendimento aqui. Outro ali. Um salão. Uma cliente em casa. E assim ela vai construindo seu caminho. Mas Valentina não é somente uma profissional. Ela também é mãe de dois filhos. E, como tantas mulheres, precisa dividir seu tempo entre o trabalho e a família. Não existe uma fórmula mágica para dar conta de tudo. Existe esforço. Existe cansaço. Existe organização. E existem dias em que provavelmente ela gostaria que o dia tivesse algumas horas a mais. pouco tempo, Valentina também começou uma nova etapa em sua vida pessoal: casou-se com um brasileiro. Mais um recomeço. Mais uma história sendo construída. Mais uma família se formando. E talvez seja justamente isso que mais me chama a atenção em sua trajetória. Valentina está construindo uma vida. Não uma vida pronta. Não uma vida perfeita. Mas uma vida real. trabalho, responsabilidades, filhos, casamento, desafios e sonhos. E é isso que muitas vezes esquecemos quando olhamos para alguém de fora. Vemos apenas a profissional que está ali atendendo. Não vemos tudo aquilo que aconteceu antes dela chegar. Não vemos a mala que foi arrumada. As despedidas. As incertezas. O medo de não dar certo. A esperança de encontrar uma oportunidade. Não vemos quantas vezes foi preciso começar de novo. Por isso, quando falamos sobre empreendedorismo feminino, eu acredito que precisamos falar também dessas mulheres. Mulheres que não começaram com grandes investimentos. Que não tiveram uma equipe. Que não tinham todas as respostas. Que simplesmente começaram com aquilo que sabiam fazer. E foram construindo. Um cliente de cada vez. Um atendimento de cada vez. Um dia de cada vez.

 Quando recomeçar é também empreender: Existe uma força muito grande em uma mulher que decide recomeçar. E quando esse recomeço acontece em outro país, longe das suas raízes, essa força precisa ser ainda maior. Valentina talvez não tenha imaginado exatamente como seria sua vida quando saiu da Venezuela. Talvez tenha encontrado dificuldades que não esperava. Talvez tenha enfrentado dias de insegurança. Mas ela continuou.

E hoje trabalha, cuida dos filhos, constrói seu casamento e busca, através do seu trabalho, conquistar seu espaço. Isso também é empreender. Empreender não é somente abrir uma empresa.É acreditar que podemos construir alguma coisa através daquilo que sabemos fazer. É transformar habilidade em sustento. É transformar trabalho em oportunidade. É olhar para uma realidade difícil e dizer: “Eu vou tentar.” E, às vezes, tentar é justamente o primeiro passo para mudar uma história.

Para você, mulher: Se você está começando agora, não tenha vergonha do tamanho do seu começo. Se hoje você atende uma pessoa, cuide bem dela. Se amanhã forem duas, faça o mesmo. Se trabalha em casa, valorize seu espaço. Se trabalha em um salão, valorize seu trabalho. Se ainda está aprendendo, continue aprendendo. E se precisou recomeçar, não pense que voltou ao ponto zero. Você está começando novamente com tudo aquilo que a vida já lhe ensinou. Recomeçar não apaga a sua história. Recomeçar acrescenta um novo capítulo a ela.

Uma oração: “Senhor, abençoa todas as mulheres que estão lutando para construir uma vida melhor. Aquelas que deixaram sua terra em busca de novas oportunidades. Aquelas que trabalham dentro e fora de casa. As mães que precisam conciliar seus filhos com o trabalho. As mulheres que começam pequenas, mas carregam grandes sonhos no coração. Abençoa o trabalho das mãos de Valentina e de tantas outras mulheres que, todos os dias, levantam e fazem o que precisa ser feito. Dá-lhes força quando estiverem cansadas, esperança quando surgirem dificuldades e sabedoria para continuar caminhando. Que cada esforço encontre uma oportunidade e que cada recomeço seja acompanhado pela Tua presença. Amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

 Se esta história tocou você, curta, comente e compartilhe. Talvez exista uma mulher perto de você construindo, em silêncio, uma história de coragem que merece ser conhecida.

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