Existem coisas na vida que não custam dinheiro, não exigem grandes esforços e nem precisam de palavras bonitas. Uma delas é a consideração. Considerar alguém é lembrar que aquela pessoa existe, que tem sentimentos, limites, necessidades, dificuldades e também o direito de ser respeitada. Às vezes, pensamos que consideração é apenas ser educado, perguntar se alguém está bem ou oferecer ajuda quando percebemos que a pessoa precisa. Mas consideração vai muito além disso. Ter consideração é pensar no outro antes de tomar determinadas atitudes. É perceber que aquilo que para mim pode ser uma coisa pequena, para outra pessoa pode representar um grande incômodo. É baixar o volume quando sabemos que alguém precisa de silêncio. É não fazer uma brincadeira sabendo que aquele assunto machuca. É cumprir aquilo que prometemos quando sabemos que alguém está contando conosco. É perguntar: “Você está bem?” e realmente querer ouvir a resposta. É não desaparecer quando o outro precisa de nós. É respeitar o tempo, o espaço e os limites de alguém. E, principalmente, é não tratar uma pessoa como importante somente quando precisamos dela.
A consideração aparece nas pequenas atitudes:
Muitas vezes esperamos grandes demonstrações de carinho, mas esquecemos que o verdadeiro cuidado aparece nas pequenas coisas do cotidiano. Uma mensagem. Um telefonema. Um “cheguei bem”. Um “precisa de alguma coisa?” Um “desculpa, não percebi que estava te incomodando”. Um “eu sei que isso é importante para você”. São pequenas frases, mas podem carregar um enorme significado. Porque consideração não está apenas naquilo que fazemos. Ela também está naquilo que deixamos de fazer por respeito ao outro. Às vezes, considerar alguém significa abrir mão de fazer aquilo que eu quero porque sei que aquilo poderá prejudicar, incomodar ou ferir outra pessoa.E é justamente aí que percebemos que consideração tem muito a ver com empatia.
E quando falta consideração? A falta de consideração também aparece nas pequenas atitudes. É quando alguém sabe que determinada coisa incomoda e continua fazendo. É quando percebe que você está cansada e, mesmo assim, age como se o seu cansaço não importasse. É quando você fala sobre alguma coisa que está sentindo e a pessoa simplesmente ignora. É quando alguém só procura você quando precisa de alguma coisa. É quando seus sentimentos são tratados como exagero. É quando suas necessidades são sempre colocadas em segundo plano.É quando você precisa pedir várias vezes pelo mínimo de respeito. E talvez uma das coisas mais dolorosas seja quando percebemos que precisamos ensinar alguém a ter consideração por nós. Porque consideração verdadeira não deveria precisar ser implorada. Ela deveria nascer da consciência de que existe outra pessoa do outro lado.
Não confunda consideração com obrigação: Também precisamos aprender uma coisa importante: ter consideração não significa viver em função dos outros. Não precisamos dizer “sim” para tudo para provar que somos boas pessoas. Não precisamos aceitar desrespeito para demonstrar amor. Não precisamos carregar todos os problemas de alguém para mostrar que nos importamos. Consideração também precisa existir conosco. Eu posso amar alguém e ainda assim dizer: “Isso eu não posso fazer.” “Isso me machuca.” “Eu preciso de um pouco de espaço.” “Eu não concordo.” “Preciso que você respeite o meu limite.” Isso não é egoísmo. É também uma forma de cuidado. Porque quando passamos a aceitar tudo em nome do amor, muitas vezes começamos a desaparecer dentro da própria vida.
Consideração precisa ser uma via de mão dupla: Relacionamentos saudáveis precisam de reciprocidade. Não significa que tudo será dividido exatamente pela metade. Haverá momentos em que um estará mais forte e poderá oferecer mais, enquanto o outro precisará receber. Isso acontece em amizades, famílias, casamentos e em qualquer relacionamento humano. Mas existe uma diferença entre passar por uma fase em que precisamos mais do outro e viver permanentemente em uma relação onde somente uma pessoa se preocupa, cede, ajuda, compreende e se adapta. Quem sempre considera também precisa ser considerado. Quem sempre escuta também precisa ser ouvido. Quem sempre ajuda também precisa poder pedir ajuda. Quem sempre pensa nos sentimentos dos outros também precisa encontrar pessoas que pensem nos seus. Porque amor sem consideração pode se tornar doloroso. E convivência sem respeito pode se tornar pesada.
A falta de consideração ensina algumas coisas: Nem sempre podemos mudar a maneira como as pessoas nos tratam. Não podemos obrigar alguém a ser sensível. Não podemos colocar empatia dentro do coração de outra pessoa. Não podemos fazer alguém perceber aquilo que ela não quer enxergar. Mas podemos decidir como vamos reagir. Podemos aprender a estabelecer limites. Podemos parar de justificar constantemente aquilo que sentimos. Podemos deixar de diminuir nossa própria dor apenas para que outra pessoa não se sinta desconfortável. E podemos entender que não somos obrigados a permanecer disponíveis o tempo todo para quem só se lembra de nós quando precisa. Às vezes, a falta de consideração do outro nos ensina a ter mais consideração por nós mesmos.
Antes de cobrar, precisamos também olhar para nós: E existe um exercício importante que todos nós deveríamos fazer: “Eu tenho considerado as pessoas que fazem parte da minha vida?” Será que escuto ou apenas espero a minha vez de falar? Será que percebo quando alguém está cansado? Será que respeito os limites das pessoas? Será que agradeço aquilo que fazem por mim? Será que reconheço os esforços que muitas vezes passam despercebidos? Será que peço desculpas quando percebo que magoei alguém? Será que trato bem as pessoas que não podem me oferecer absolutamente nada em troca? Porque consideração também é caráter. É muito fácil ser gentil quando queremos alguma coisa. Difícil é continuar sendo gentil quando não precisamos de nada.
Talvez seja disso que o mundo esteja precisando: Vivemos em uma época em que muitas pessoas estão tão preocupadas com aquilo que sentem, querem e precisam, que acabam esquecendo que existem outras pessoas ao redor. Queremos ser compreendidos, mas nem sempre queremos compreender. Queremos respeito, mas nem sempre respeitamos. Queremos consideração, mas nem sempre consideramos. Queremos que pensem em nós, mas nem sempre pensamos nos outros. Talvez precisemos desacelerar um pouco e olhar para quem está ao nosso lado. Antes de falar, pensar. Antes de agir, observar. Antes de cobrar, oferecer. Antes de julgar, tentar compreender. Porque nunca sabemos completamente o que alguém está enfrentando em silêncio. Uma pessoa pode estar sorrindo e carregando uma dor que ninguém conhece. Pode estar quieta porque está cansada. Pode estar distante porque está tentando organizar os próprios pensamentos. Pode estar precisando de ajuda, mas não saber como pedir. Por isso, uma pequena atitude de consideração pode fazer uma diferença enorme na vida de alguém.
E que nunca nos falte consideração: Que aprendamos a considerar mais. A ouvir mais. A respeitar mais. A agradecer mais. A reconhecer mais. A pedir desculpas quando necessário. A respeitar os limites dos outros e também os nossos. E que, quando percebermos a falta de consideração de alguém, não permitamos que isso nos transforme em pessoas igualmente indiferentes. Que a falta de consideração que recebemos não apague a consideração que podemos oferecer. Mas que também aprendamos a não confundir bondade com submissão. Podemos continuar sendo pessoas boas sem aceitar qualquer coisa. Podemos amar sem permitir desrespeito. Podemos compreender sem concordar com tudo. Podemos perdoar sem precisar permanecer disponíveis para aquilo que nos faz mal. No final das contas, consideração é uma forma silenciosa de dizer: “Eu vejo você.” “Eu me importo com você.” “Eu sei que você também sente.” “E o que eu faço pode afetar a sua vida.” Talvez seja simples assim. Antes de pensar somente no que eu quero fazer, perguntar: “Como a minha atitude pode afetar quem está ao meu lado?” Porque, muitas vezes, consideração não exige grandes sacrifícios. Exige apenas que nos lembremos de que não estamos sozinhos no mundo.
Uma pequena reflexão: Se hoje você sente que está recebendo pouca consideração de alguém, não ignore aquilo que está sentindo. Mas também não carregue sozinho o peso de tentar ensinar alguém a se importar. Converse quando for necessário. Coloque limites quando precisar. Cuide de você. E continue fazendo a sua parte. Porque o mundo pode até não devolver imediatamente a consideração que oferecemos, mas isso não significa que devemos deixar de ser pessoas que fazem a diferença através de pequenas atitudes. Que Deus nos dê sabedoria para saber quando devemos compreender, quando devemos perdoar, quando devemos conversar e quando precisamos simplesmente estabelecer limites.
Oração: “Senhor, ensina-me a ter consideração pelas pessoas que colocaste em minha caminhada. Que eu saiba ouvir, compreender, respeitar e reconhecer os sentimentos daqueles que estão ao meu lado. Livra-me de agir pensando somente em mim e ajuda-me a perceber quando minhas palavras ou atitudes podem machucar alguém. Mas também, Senhor, ensina-me a ter consideração por mim mesma. Que eu não aceite aquilo que me destrói apenas para agradar outras pessoas. Dá-me sabedoria para estabelecer limites, coragem para dizer não quando necessário e serenidade para não carregar aquilo que não é meu. Que eu possa ser uma pessoa que espalha respeito, empatia, gentileza e amor por onde passar. E que, mesmo quando eu encontrar falta de consideração, eu não permita que isso endureça o meu coração. Amém.’
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos Transformando Limites.
“Antes de pensar somente no que queremos, talvez devêssemos lembrar que nossas atitudes também fazem parte da vida de alguém.”
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