Quando a rotina muda, o companheirismo também muda:

Quando a rotina muda, o companheirismo também muda:

Hoje eu fiquei pensando em uma coisa simples que aconteceu aqui em casa e que, olhando de fora, talvez nem pareça ter importância. Sobrou comida do almoço. E quando eu falei que o Giovani ficou feliz porque tinha comida para a janta, não era simplesmente porque ele gosta de ter comida sobrando. 😂 É que, depois dos meus AVCs e da paralisação do meu lado esquerdo, nossa rotina dentro de casa mudou completamente. Antes eu fazia muitas coisas que hoje já não consigo fazer da mesma maneira. A cozinha, por exemplo, sempre foi um lugar onde eu gostava de estar. Hoje, quando consigo, eu me arrisco novamente por lá. Faço alguma coisa, preparo uma comida, e quando dá certo eu fico toda feliz. E tem uma coisa que continua sendo quase uma lei dentro da minha casa: eu não consigo ir dormir com louça na pia! 😂

Então, às vezes, ele cozinha e eu lavo a louça. Outras vezes, quando consigo, eu mesma preparo alguma coisa. E tem aqueles dias em que a solução é mais prática: Giovani compra uma quentinha em um restaurante de um cliente dele que fica perto de casa. Nossa rotina foi encontrando seus próprios caminhos. Temos uma pessoa que nos ajuda com a limpeza da casa a cada quinze dias. Mas, entre uma limpeza e outra, quem mantém a casa é o Giovani. Ele varre os cômodos, organiza as coisas e cuida de uma série de tarefas que antes faziam parte da minha rotina. E ainda existe uma parte que pouca gente vê. Ele também me ajuda depois do banho. Não, gente! 😂 Ele não me dá banho! Eu tomo meu banho sozinha. Tenho uma barra de apoio no box e uma cadeira de plástico onde me sento para tomar banho, porque não consigo ficar muito tempo em pé. Depois do banho, ele me ajuda a me secar e a trocar de roupa. É a nossa realidade. E eu não vou romantizar: isso também é cansativo. Tem dias em que ele fica cansado, resmunga um pouquinho… e eu entendo. Afinal, cuidar de uma casa, trabalhar, resolver as coisas do dia a dia e ainda ajudar outra pessoa em algumas necessidades não é pouca coisa. Assim como também não é fácil para mim lidar com aquilo que meu corpo já não consegue fazer como antes. Mas foi assim que aprendemos a viver. Eu acredito que Deus criou homens e mulheres com habilidades diferentes. Muitas vezes, nós mulheres temos uma facilidade maior para cuidar da casa, organizar, cozinhar, pensar nos detalhes. E os homens, dentro daquilo que entendemos como família, muitas vezes assumem o papel de provedores. Mas a vida também nos ensina que existem momentos em que precisamos trocar os papéis, adaptar a rotina e fazer aquilo que precisa ser feito. E talvez seja aí que descobrimos o verdadeiro significado de companheirismo. Não é apenas estar junto quando tudo está bem. É estar junto quando a vida muda. É aprender a fazer aquilo que antes não fazia. É aceitar ajuda quando precisamos. É ajudar sem fazer o outro se sentir um peso. É compreender que haverá dias bons e dias cansativos. E também é saber rir das pequenas coisas. Porque naquele dia, quando eu percebi que tinha sobrado comida para a noite, pensei: “O Giovani vai ficar feliz!” 😂 E ficou mesmo! Não porque ganhou um banquete. Mas porque naquela noite ele não precisaria pensar no que fazer para o jantar. E eu achei isso engraçado porque, depois de tantas mudanças na nossa vida, às vezes uma coisa tão simples como uma panela com comida sobrando acaba significando muito. Significa uma tarefa a menos. Uma preocupação a menos. Um pouco de descanso. E talvez seja isso que o companheirismo também seja: um ajudando o outro a carregar um pouco menos de peso. Nem sempre conseguimos fazer tudo. Nem sempre estamos dispostos. Nem sempre temos paciência. Às vezes resmungamos. Às vezes cansamos. Mas continuamos. E enquanto continuamos, vamos encontrando maneiras de cuidar um do outro.

Uma reflexão: A vida nem sempre permanece como planejamos. Há momentos em que precisamos reaprender coisas que antes fazíamos naturalmente. Precisamos aceitar nossas limitações, pedir ajuda e também reconhecer o esforço de quem está ao nosso lado. Não precisamos ter uma vida perfeita para termos uma vida cheia de significado. Às vezes, o amor está em coisas muito simples: uma casa varrida, uma louça lavada, uma comida preparada, uma quentinha comprada, uma mão estendida, uma barra de apoio no banheiro, uma cadeira que nos permite tomar banho com segurança, ou simplesmente uma panela com comida que sobrou para a noite. São pequenas coisas. Mas, quando existe amor e companheirismo, elas deixam de ser pequenas.

Uma oração: “Senhor, obrigada porque, mesmo quando a vida muda os nossos planos, Tu continuas nos ensinando novos caminhos. Ajuda-nos a reconhecer o esforço daqueles que caminham conosco e também a não termos vergonha de aceitar ajuda quando precisamos. Dá-nos paciência nos dias cansativos, compreensão nos dias difíceis e sabedoria para perceber que nem todo cuidado precisa ser perfeito para ser verdadeiro. Que dentro das nossas casas exista respeito, companheirismo, compreensão e amor.  E que saibamos agradecer até pelas pequenas coisas, porque muitas vezes são elas que tornam nossos dias mais leves. Amém.”

Com carinho,

Sandra Rochedo ❤️,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

 E você? Já precisou mudar completamente sua rotina por causa de alguma circunstância da vida? Quem esteve ao seu lado nesses momentos? Conte para mim nos comentários. Às vezes, uma história compartilhada pode fazer outra pessoa perceber que ela não está sozinha. Se este texto falou com você, curta, comente e compartilhe com alguém que também acredita que companheirismo é caminhar junto, principalmente quando a estrada muda.

Para continuar a leitura:

 Quando precisamos reaprender a viver

 Companheirismo: estar ao lado também nos dias difíceis

 Quando a vida muda os nossos planos

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado