Reflexão: Tem uma coisa que, se não fosse tão triste, às vezes chegaria a ser engraçada. Existem pessoas que acreditam ter o direito de falar tudo aquilo que pensam, do jeito que querem, na hora que querem, sem se preocupar se aquilo vai machucar alguém. E quando alguém tenta questionar, vem aquela famosa frase: “Eu precisava falar, porque se eu guardar, eu passo mal.” Tudo bem. Você precisava falar. Mas será que precisava falar daquela maneira? Porque parece que, para algumas pessoas, o importante é aliviar aquilo que está dentro delas. Se, para isso, precisarem deixar outra pessoa triste, magoada ou constrangida, paciência. Afinal, elas não podem “passar mal” guardando o que pensam. Mas e a pessoa que vai precisar passar a noite pensando naquilo que ouviu? E a pessoa que vai chorar escondida? E aquela que vai começar a questionar o próprio valor por causa de uma palavra que poderia ter sido dita de outra maneira? E o mais curioso é que, muitas vezes, quando a outra pessoa reage, quem falou ainda fica bravo. É quase como se existisse uma regra: “Eu tenho liberdade para dizer o que penso, mas você não tem o direito de se sentir mal com o que eu disse.” Como assim? Sentimentos não funcionam dessa maneira. Nós não controlamos apenas o que sentimos quando ouvimos determinadas palavras. Podemos até escolher como vamos reagir, mas não podemos simplesmente apertar um botão e decidir: “Isso não vai me machucar.” E existe uma diferença enorme entre sinceridade e falta de consideração. Ser sincero não significa falar tudo o que passa pela nossa cabeça. Nem tudo precisa ser dito. E aquilo que realmente precisa ser dito pode ser dito com respeito, cuidado e educação. Antes de falar, talvez devêssemos fazer algumas perguntas: É necessário dizer isso? É o momento certo? Existe uma maneira menos dolorosa de falar? Estou tentando ajudar ou apenas aliviar aquilo que estou sentindo? Porque, às vezes, chamamos de sinceridade aquilo que é apenas falta de cuidado. Chamamos de “jeito de ser” aquilo que já virou hábito de ferir. Chamamos de “não consigo guardar” aquilo que simplesmente não tivemos vontade de filtrar. E depois ainda esperamos que o outro sorria, agradeça e siga normalmente. Não funciona assim. As palavras têm peso. Algumas passam rapidamente. Outras ficam. Existem palavras que esquecemos depois de alguns minutos e existem aquelas que a pessoa carrega durante anos. Por isso, não estou dizendo que devemos engolir tudo para preservar os sentimentos dos outros. Não. Também precisamos aprender a conversar, estabelecer limites, dizer quando algo nos incomoda e expressar aquilo que sentimos. Mas existe uma enorme diferença entre expressar o que sentimos e ferir alguém porque queremos nos sentir aliviados. Podemos falar sem humilhar. Podemos discordar sem desrespeitar. Podemos corrigir sem diminuir. Podemos ser honestos sem sermos cruéis. E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de maturidade: aprender que nem tudo o que pensamos precisa sair pela nossa boca exatamente da maneira como chegou à nossa cabeça. Porque do outro lado existe alguém. Alguém que sente. Alguém que também tem suas dores, inseguranças, medos e histórias que você talvez nem conheça. Então, antes de dizer: “Eu sou assim mesmo, falo o que penso.” Talvez seja melhor perguntar: “Eu consigo falar o que penso sem esquecer que estou falando com alguém que sente?” Porque sinceridade sem amor pode virar crueldade. E liberdade de expressão não deveria ser confundida com liberdade para ferir.
Uma pequena reflexão para hoje: Que possamos aprender a falar aquilo que precisa ser dito, mas sem esquecer que nossas palavras chegam ao coração de alguém. Nem sempre precisamos guardar tudo. Mas também não precisamos despejar tudo. Existe um caminho entre o silêncio e a crueldade: é a comunicação feita com respeito.
Oração: “Senhor, ensina-me a cuidar das minhas palavras. Quando eu precisar falar, dá-me sabedoria para escolher o momento, a maneira e as palavras certas. Que eu nunca use a sinceridade como desculpa para ferir alguém. E quando alguém me disser algo que machuque meu coração, dá-me equilíbrio para reagir sem devolver a mesma dor. Ajuda-nos a lembrar que cada pessoa carrega suas próprias batalhas e que uma palavra nossa pode ser exatamente aquilo que faltava para alguém se sentir ainda mais ferido. Que nossas palavras possam trazer mais compreensão, respeito e amor. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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