Entre a fé, as dores e as perguntas que ainda não têm resposta:

Existem fases da vida em que a fé deixa de ser um lugar de respostas e passa a ser um lugar de perguntas.

E não perguntas simples, mas aquelas que vêm carregadas de dor, de lembranças e de um cansaço que não dá para explicar facilmente.

Tenho vivido um tempo assim.

Um tempo em que, por dentro, existem conversas que eu mesma não imaginava ter um dia.

Conversas com Deus que nem sempre são suaves.

Às vezes são questionamentos, às vezes são silêncios, às vezes são lágrimas que não encontram palavras.

E no meio disso tudo, também surgem dúvidas sobre quem eu sou, sobre o caminho que trilhei, sobre as escolhas que fiz, e até sobre aquilo que um dia eu acreditei com tanta intensidade.

Há momentos em que penso em me afastar de rótulos, de títulos, de nomes que carreguei durante tanto tempo.

Não por revolta, mas por confusão interna mesmo.

Como se dentro de mim existisse uma necessidade de simplificar, de voltar ao essencial: apenas ser eu.

Mas logo depois, vem o outro lado.

A memória.

As experiências.

As palavras que um dia ouvi.

As promessas que ficaram guardadas no coração.

E junto disso, também vem a pergunta que não cala:

quando isso vai se cumprir?”

E assim vou vivendo esse movimento interno — entre a esperança e o cansaço, entre a fé e o questionamento, entre o que eu fui e o que estou tentando entender agora.

Também percebo que, em alguns momentos, a dor tenta me convencer de que tudo começou errado, de que certas escolhas foram equívocos, de que minha história poderia ter sido diferente.

Mas logo depois, vem o silêncio que me faz refletir:

Talvez a dor esteja falando alto demais agora.

Nem tudo o que penso em momentos de exaustão é uma sentença definitiva sobre a vida.

Às vezes, é apenas o coração pedindo descanso.

Hoje, o que eu entendo é que não preciso resolver tudo de uma vez.

Não preciso decidir tudo agora.

Talvez eu só precise atravessar esse período com honestidade, sem máscaras, sem pressa de ter respostas prontas.

Porque há fases em que continuar caminhando, mesmo sem entender tudo, já é um ato de coragem.

E talvez, no tempo certo, as coisas encontrem o seu lugar dentro de mim novamente.

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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