Eu briguei com Deus, chorei, caí… mas não desisti de viver:

Eu briguei com Deus, chorei, caí… mas não desisti de viver:

Hoje eu quero contar uma história diferente.

Não é uma história que ouvi de alguém. Não é uma história que li em um livro. É a minha história. É vida real.E talvez, enquanto você estiver lendo, alguma parte dela converse diretamente com aquilo que você está vivendo. Houve uma época em que eu enfrentei uma ansiedade tão forte que, olhando para trás, até consigo dar uma risadinha quando lembro que eu chegava a brigar com Deus. Risos Como se fosse possível eu discutir com Ele! Mas, naquele momento, para mim, a dor era muito real. Eu ainda morava em Salvador e estava tentando aceitar uma realidade que tinha mudado completamente a minha vida: depois dos AVCs, minha mobilidade havia ficado reduzida.Eu sempre fui uma mulher muito ativa. Gostava de fazer as coisas, resolver, sair, movimentar-me. De repente, eu precisava lidar com limitações que nunca imaginei que teria.Foi um choque.

Eu chorava quase o tempo todo. Havia dias em que eu simplesmente não conseguia me conformar. Cheguei a passar por uma fase tão difícil que precisei pedir ajuda e tomar cuidados comigo mesma, porque pensamentos muito ruins apareciam. Hoje consigo falar sobre isso com mais serenidade, mas naquela época eu não sabia como sair daquele lugar.Eu perguntava a Deus por quê.E, sim, eu brigava com Ele. risos

Mas Deus não desistiu de mim. Continuamos mais um tempo em Salvador e depois voltamos para o Rio de Janeiro. Aos poucos, comecei a melhorar. Deus usou pessoas, família, ministrações, palavras que chegaram ao meu coração no momento certo.

E meu pai ainda estava vivo naquela época.

Ter minha família por perto também fez diferença.

Depois de algum tempo no Rio, nossa vida tomou outro rumo. Viemos para Curitiba. Foi uma mudança e tanto. Saímos do Rio de carro e fizemos uma parada em São Paulo para que Giovani pudesse rever o pai e a madrasta. Como era final de semana, não conseguimos encontrar os irmãos dele, mas tivemos uma noite muito especial. Conversamos, rimos, colocamos as novidades em dia, comemos juntos e tiramos fotos. Mal sabíamos que aquela seria a última vez que veríamos o pai dele. No domingo pela manhã, pegamos a estrada novamente. Nossa mudança vinha a frente, em um caminhão e nós logo atrás, e mantínhamos contato com o motorista. Até que, no caminho, o trânsito simplesmente parou. Havia acontecido um acidente e a estrada estava completamente congestionada. No começo, pensamos que logo tudo voltaria ao normal. Mas não voltou. Anoiteceu. E nós continuávamos praticamente parados. Eu comecei a ficar preocupada porque tínhamos uma reserva em um hotel em Curitiba. Liguei para avisar que chegaríamos tarde e a pessoa do hotel disse que não havia problema, que ficariam nos esperando. Então seguimos. Ou melhor… tentamos seguir .risos Foram 17 horas de congestionamento.

Dezessete horas! Durante a noite, vimos vários carros passando pelo acostamento e seguindo por algum caminho que parecia liberar o trânsito.Em determinado momento, resolvemos tentar também.Só que pegamos o caminho errado.Fomos parar em uma estrada escura e deserta e decidimos voltar para o congestionamento.Quando conseguimos retornar, encontramos um posto de gasolina e paramos para eu ir ao banheiro.Voltamos para o carro.A noite avançava.O nosso gato estava na gaiolinha, havia algumas coisas da mudança dentro do carro e Giovani estava exausto.Eu fiquei preocupada com ele e disse para descansar um pouco.Ele dormiu.Eu fiquei acordada, olhando o movimento, com os olhos ardendo de sono.Conversamos com outros motoristas que também estavam presos naquela situação.Em determinado momento, um carro parou ao nosso lado e o motorista disse que conhecia um caminho para sair daquele congestionamento. Se quiséssemos, era só segui-lo.Não fomos.Ficamos desconfiados.E continuamos ali.Até que, por volta das cinco da manhã, percebi uma coisa: os carros que estavam passando pelo acostamento estavam indo embora e não estavam voltando. Foi quando acordei Giovani e falei:Vamos seguir esses carros.Logo depois passou uma ambulância, dois carros da polícia e, atrás deles, vários outros veículos.Foi aí que Giovani decidiu seguir também.E conseguimos sair daquele congestionamento.Paramos em uma lanchonete por volta das seis da manhã.Ela estava lotada de pessoas que, como nós, haviam passado a noite naquela estrada.Só então percebemos que praticamente não tínhamos comido desde domingo de manhã.Comemos alguma coisa, fomos ao banheiro e seguimos viagem.Chegamos a Curitiba por volta das nove da manhã.Fomos direto para o hotel.Tomamos um café delicioso, tomamos banho e simplesmente caímos na cama.Dormimos até aproximadamente uma da tarde.Depois almoçamos e recebemos a ligação do motorista dizendo que a mudança estava chegando.Giovani foi encontrar o pessoal e eu fiquei no hotel.Mais tarde ele voltou para me buscar e finalmente fomos para a nossa nova casa.E aí descobrimos que a aventura ainda não tinha terminado. Risos, O antigo inquilino não havia pago a conta de luz nem a de água.Ou seja: chegamos em Curitiba e estávamos em uma casa sem luz e sem água! Giovani saiu para resolver as coisas.A luz voltou.Ficamos sem água.Ele saiu novamente para comprar água.Depois a água voltou.E começamos a descobrir os outros problemas da casa.Não tinha pia na cozinha.A caixa-d’água estava transbordando.Precisávamos resolver um monte de coisas.Uma vizinha nos indicou um rapaz que fazia consertos para ela  e ele começou a trabalhar.Giovani gastou praticamente o dinheiro que ainda tínhamos.Compramos pia, chuveiro, espelho para o banheiro e fomos, aos poucos, transformando aquela casa em nosso lar.E eu?Eu comecei a arrumar tudo.Porque eu não consigo ficar parada.risosEmpurrava caixa para um lado, puxava para outro, tentava organizar as coisas, enquanto Giovani e o rapaz trabalhavam.Até que meu corpo começou a reclamar.Depois de tanto esforço, comecei a sentir uma dor muito forte na cervical.  Fomos à UPA.Fiz raio X, fui medicada e, felizmente, não havia nada grave.A vida foi entrando nos eixos.Em dezembro de 2022, porém, recebemos uma notícia triste.Giovani recebeu um telefonema do genro avisando que o pai dele havia falecido.Naquele momento, voltamos a lembrar daquela noite em São Paulo.As conversas.As risadas.As fotos.A despedida que nós não sabíamos que estávamos vivendo.A vida continuou.Fomos conhecendo Curitiba, descobrindo seus parques lindíssimos, fazendo nossa vida por aqui.Passamos nosso primeiro Natal em Curitiba junto com os vizinhos.Foi muito bom. Mas aquele também era o segundo Natal sem meu pai, que fazia aniversário justamente no dia de Natal.A saudade estava ali.O tempo passou.E, em maio de 2024, aconteceu mais uma coisa que eu jamais imaginaria. Levei um tombo no banheiro. Eu estava tentando levantar a calça comprida do pijama quando perdi o equilíbrio e caí.E caí feio.Não conseguia me levantar.

Giovani correu para o banheiro e tentou me ajudar, mas também não conseguia me levantar sozinho., eu não sou praticamente leve kkkk  Pedi ajuda. O vizinho da casa 3 veio correndo. Com muito esforço, conseguiram me colocar em uma cadeira de rodinhas e depois me levaram para o quarto.Foi então que Giovani percebeu que meu pé estava pendurado.Ele tentou fazer uma massagem com bálsamo, mas o vizinho falou: Chama o SAMU.Em menos de quinze minutos, a ambulância chegou.Imobilizaram meu pé.E aquilo doeu tanto que eu gritei como nunca havia gritado na vida. Fui levada para o Hospital Universitário Mackenzie.Cheguei e fui direto para o raio X. Então veio a frase que me assustou:  Vamos precisar operar.Eu achava que seria simplesmente colocar um gesso e pronto. Não era. Precisava de cirurgia.Fui para a enfermaria esperando a vaga e, algum tempo depois, fui para o centro cirúrgico.Quando acordei da anestesia, uma enfermeira estava com o rosto bem próximo do meu e perguntou: a senhora sabe quem está esperando por você? Eu respondi:  Meu marido.Ela riu.Quando passaram comigo pelo corredor, vi Giovani encostado na parede.O olho dele estava arregalado e a mão estava sobre a boca.Foi quando olhei para meu tornozelo.E levei um susto.Eu ainda estava sob efeito da anestesia, mas aquela imagem me assustou muito.Fiquei internada por uma semana. E quero deixar registrado aqui: fui muito bem tratada. As enfermeiras eram maravilhosas.O médico que fez minha cirurgia me acompanhava, fazia os curativos e ia me ver todos os dias. Giovani também esteve comigo todos os dias, passando praticamente o dia inteiro no hospital e só voltando para casa no final da tarde.E eu ainda fiz amizade com as mulheres que estavam internadas comigo.Conversávamos.Ríamos.Orávamos juntas.Até que recebi alta.Voltei para casa com uma bota de gesso. Depois de 15 dias fui ao ambulatório, fiz outro raio X e retirei o gesso, que já estava me machucando. O médico viu o exame e constatou que meu tornozelo ainda precisava de cuidados.Receitou uma bota ortopédica.Usei durante alguns meses.E, com a graça de Deus, meu tornozelo se recuperou.Mas a história ainda não tinha terminado.Porque depois de tudo isso… a depressão voltou. E talvez essa seja uma das partes mais importantes que eu quero contar. Porque muitas vezes pensamos que, depois que vencemos uma fase difícil, nunca mais vamos voltar a sentir aquilo.Mas a vida não funciona assim.Às vezes precisamos recomeçar mais de uma vez.Foi então que Giovani entrou novamente nessa história como meu grande companheiro.Ele me incentivou a fazer um curso de aromaterapia pela internet.Eu fiz.Me formei.E descobri algo que me despertou novamente.Comecei a gostar muito daquilo. Depois vieram outros cursos.Fiz curso de sais de banho.E continuo aprendendo.Aos poucos, fui encontrando novamente coisas que despertavam meu interesse.E foi assim que percebi uma coisa: eu ainda tinha muito para viver.Talvez você esteja lendo tudo isso e esteja passando por um momento difícil.Talvez você esteja cansada.Talvez esteja chorando escondido.Talvez esteja pensando que a vida nunca mais vai voltar a fazer sentido.Eu não vou dizer que é fácil. Porque eu sei que não é. Eu estive aí.Eu também chorei.Eu também me revoltei.Eu também perguntei a Deus por quê.Eu também achei que não conseguiria aceitar a minha nova realidade.Mas hoje, olhando para trás, consigo perceber que cada fase difícil também me ensinou alguma coisa.Aprendi a pedir ajuda.Aprendi a aceitar meus limites.Aprendi que não precisamos atravessar tudo sozinhos.Aprendi que ter alguém ao nosso lado faz diferença.E aprendi que podemos descobrir novos caminhos quando os antigos deixam de existir.Por isso, se você estiver atravessando uma fase difícil, não desista de você.Procure alguém em quem possa confiar.Converse.Peça ajuda. Faça alguma coisa que você goste. Aprenda algo novo.Permita-se começar novamente.E, acima de tudo, continue confiando em Deus.

Eu não posso prometer que amanhã todos os seus problemas estarão resolvidos. Mas posso dizer, pela minha própria história, que uma fase difícil não significa que a sua história terminou. Eu já pensei que não conseguiria.E estou aqui.Escrevendo.Aprendendo.Criando.Sonhando.Recomeçando.Talvez essa seja uma das maiores lições que a vida me ensinou:não precisamos ter força para vencer o resto da vida hoje. Às vezes, precisamos apenas encontrar força para atravessar este dia.E amanhã?Amanhã a gente recomeça de novo.Porque foi assim que eu cheguei até aqui.Caindo.Levantando.Chorando.Orando.Aprendendo.E, principalmente, continuando.Se eu pudesse conversar com aquela Sandra que chorava em Salvador e achava que não conseguiria aceitar a vida que tinha pela frente, eu diria:“Calma, menina. Você ainda vai passar por muita coisa. Vai cair, vai chorar, vai sentir medo, vai precisar recomeçar algumas vezes… mas você também vai rir novamente, aprender coisas novas, conhecer lugares lindos, escrever suas histórias e descobrir que ainda existe muita vida depois daquilo que você achava que era o fim.”E talvez seja isso que eu queira dizer para você hoje: não desista da sua história no meio do capítulo. Você ainda não sabe o que Deus escreveu para os próximos capítulos.

Uma pequena oração: ’Senhor, abraça hoje aquela pessoa que está cansada de lutar. Dê forças para quem está pensando em desistir. Coloque pessoas certas no caminho de quem precisa de apoio. Dê esperança para quem já não consegue enxergar um amanhã diferente. E ensine-nos a confiar em Ti mesmo quando não entendemos o caminho. Que possamos aprender que recomeçar não é fracassar. É continuar acreditando que ainda existe vida pela frente. Amém.

Para assistir, refletir e compartilhar: E, como sempre, deixo aqui um convite: assista ao nosso curta, deixe seu comentário e compartilhe este texto com alguém que precisa receber uma palavra de esperança hoje. E depois passe também por estas três indicações do S R Testemunhos:

  1. Não desista no meio do caminho
  2. Quando a espera parece não ter fim
  3. Você ainda pode recomeçar

Talvez uma dessas histórias seja exatamente a palavra que alguém precisava encontrar hoje.

Com carinho,
Sandra Rochedo
,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado