Marli— Uma Vida Costurada com Amor:

Quando pensei em encerrar nossa série de histórias sobre mulheres empreendedoras, percebi que faltava falar de uma mulher muito especial. Uma mulher que talvez nunca tenha se chamado de empreendedora, mas que, para mim, sempre foi. Minha mãe, Marli. Desde que me lembro, vejo minha mãe fazendo artesanato. Sempre havia um tecido, uma linha, uma agulha e alguma coisa sendo criada pelas mãos dela. Ela transforma tecidos em coisas que, além de bonitas, são úteis e carregam um pouco da sua história: bolsas, necessaires, panos de prato, toalhas de mesa, porta-moedas, porta-celular e tantos outros trabalhos. Mas, quando penso no artesanato da minha mãe, não penso apenas nos produtos que ela faz. Penso em uma vida inteira. Penso em uma mulher que passou 50 anos casada, construiu uma família, criou três filhos, viu chegar seis netos e hoje contempla quatro bisnetos. Penso também em tudo o que essas mãos já fizeram. Mãos que costuraram tecidos, mas que também ajudaram a costurar uma família. Mãos que ensinaram. Porque minha mãe não guardou esse conhecimento somente para ela. Ela ensinou os filhos e também os netos. Aquilo que ela aprendeu, ela passou adiante. E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de deixar um legado: ensinar aquilo que sabemos para que continue existindo depois de nós. Hoje, minha mãe continua fazendo seus trabalhos. E eu acredito que esse artesanato foi muito mais do que uma atividade para ela. Depois de perder meu pai, depois de tantos anos de casamento e de uma vida construída ao lado dele, acredito que continuar trabalhando com aquilo que sempre fez tenha sido também uma maneira de permanecer de pé. Talvez cada tecido cortado, cada costura e cada peça pronta tenha ajudado a ocupar as mãos enquanto o coração aprendia a lidar com a ausência. Às vezes, aquilo que fazemos com as mãos também ajuda a reconstruir aquilo que a vida machucou dentro de nós. E é por isso que, quando olho para o trabalho da minha mãe, vejo muito mais do que artesanato. Vejo força. Vejo perseverança. Vejo uma mulher que continuou. E talvez seja justamente isso que todas essas histórias da nossa série tenham em comum. Empreender não é somente abrir uma empresa, ter uma loja ou colocar uma marca no mercado. Empreender também pode ser começar com aquilo que temos. Pode ser transformar tecido em uma bolsa. Uma ideia em um negócio. Uma habilidade em sustento. Uma dificuldade em uma nova oportunidade. Ou simplesmente continuar fazendo aquilo que amamos, mesmo quando a vida nos apresenta motivos para parar. Minha mãe, Marli, talvez nunca tenha imaginado que sua máquina de costura, seus tecidos e suas criações fariam parte de uma história sobre empreendedorismo feminino. Mas fizeram. Porque ela me ensinou que uma mulher pode construir, criar, ensinar e recomeçar. E talvez, sem perceber, ela também tenha me ensinado algo ainda maior: algumas mulheres não precisam de grandes discursos para mostrar sua força. Elas simplesmente continuam. E minha mãe continua. Costurando tecidos. Criando peças. Ensinando. Produzindo. Vivendo. E deixando, em cada trabalho, um pedacinho da sua história. Hoje encerro nossa série falando dela. Não apenas porque é minha mãe, mas porque sua história representa muitas mulheres que trabalharam a vida inteira, muitas vezes sem reconhecimento, transformando habilidades simples em sustento, criatividade e legado. Foram mulheres diferentes, histórias diferentes, caminhos diferentes. Mas todas elas tinham algo em comum: a coragem de fazer acontecer. E se existe uma coisa que aprendi ao conhecer e contar essas histórias é que o empreendedorismo feminino não tem uma única forma. Às vezes ele começa em uma cozinha. Em um salão de beleza. Em uma barbearia. Em uma pequena loja. Em outro país. Ou diante de uma máquina de costura, cercada de tecidos. E às vezes ele começa simplesmente

dentro de uma mulher que decidiu não desistir. Obrigada, mãe, por tudo que suas mãos me ensinaram. Que seu artesanato continue sendo não apenas aquilo que você faz, mas também parte da história que você construiu e do legado que deixou para filhos, netos e bisnetos. Porque algumas histórias são escritas com palavras. A sua, mãe, foi escrita também com linhas, tecidos e muito amor.

Reflexão: Quantas mulheres conhecemos que passaram a vida inteira trabalhando, criando, cuidando e ensinando, mas nunca perceberam o tamanho daquilo que construíram? Nem todo trabalho recebe aplausos. Nem todo talento vira profissão reconhecida. Nem todo empreendedor aparece nas redes sociais. Mas isso não diminui o valor daquilo que foi construído. Existem mulheres que empreendem com as mãos, com a criatividade, com a coragem e principalmente com a capacidade de continuar. E talvez o maior legado não seja aquilo que elas venderam. Seja aquilo que ensinaram.

Oração; “Senhor, obrigada pelas mulheres que nos ensinam através de suas próprias vidas.Obrigada pelas mãos que trabalham, pelos corações que perseveram e pelas histórias que atravessam gerações.Abençoa cada mulher que luta diariamente para construir seu caminho.Dá força àquelas que precisam recomeçar, esperança às que enfrentam perdas e coragem às que ainda têm medo de acreditar em seus próprios talentos.E que nunca nos esqueçamos de valorizar aquelas mulheres que, silenciosamente, ajudaram a construir nossas famílias e nossas histórias.Amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.Se esta história tocou seu coração, curta, comente e compartilhe. Porque quando valorizamos a história de uma mulher, também ajudamos a mostrar que o trabalho, a coragem e os sonhos dela têm valor.

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