Existe uma coisa que, com o tempo, a vida vai nos ensinando: nem todo mundo está disponível para nós o tempo todo. Parece óbvio, não é? Mas, na prática, algumas pessoas têm muita dificuldade de entender isso. Elas acham que, porque você foi gentil uma vez, estará sempre disponível. Porque você ajudou uma vez, poderá ajudar todas as outras. Porque você conversou, estará sempre disposto a ouvir. Porque você abriu a porta da sua casa, ela poderá entrar quando quiser. Porque você foi educado, ela entende que existe intimidade. E é aí que começam alguns problemas de convivência. Ser uma pessoa boa não significa estar disponível o tempo inteiro. Ser educado não significa aceitar qualquer coisa. Ser prestativo não significa colocar as necessidades dos outros acima das suas. E dizer “não posso” não transforma ninguém em uma pessoa ruim. Às vezes, precisamos entender que cada pessoa tem sua própria vida, seus compromissos, seus problemas, seus momentos de silêncio e até seus dias em que simplesmente não quer conversar com ninguém. Isso também precisa ser respeitado. Há pessoas que confundem proximidade com disponibilidade. Moram perto e acham que podem aparecer a qualquer hora. Conversam algumas vezes e já acreditam que sabem tudo sobre a vida do outro. Recebem uma gentileza e passam a tratá-la como obrigação. Percebem que alguém é solícito e começam a exigir cada vez mais. Mas existe uma diferença enorme entre poder contar com alguém e achar que alguém está à nossa disposição. E essa diferença se chama respeito. Talvez uma das coisas mais difíceis que precisamos aprender na convivência seja justamente respeitar o espaço do outro. Nem sempre uma pessoa que não abriu a porta está sendo antipática. Talvez ela esteja cansada. Talvez esteja trabalhando. Talvez esteja passando por um problema. Talvez simplesmente queira ficar quieta. E ela não precisa apresentar uma justificativa para cada limite que estabelece. Nós também precisamos aprender a não levar tudo para o lado pessoal. Se alguém não pode nos atender hoje, isso não significa necessariamente que deixou de gostar de nós. Se alguém não quer receber uma visita, isso não significa que nos rejeitou. Se alguém prefere manter determinada distância, talvez esteja apenas cuidando da própria paz. E precisamos aprender a fazer o mesmo. Porque existe uma liberdade muito bonita quando entendemos que não precisamos estar disponíveis para provar que somos bons. Jesus nos ensinou sobre amor, serviço, compaixão e cuidado. Mas amar o próximo não significa deixar de cuidar de nós mesmos. Até porque uma pessoa emocionalmente esgotada não consegue oferecer o melhor de si. Precisamos aprender a ajudar sem nos tornar reféns da necessidade dos outros. A ouvir sem carregar todos os problemas. A ser gentil sem permitir abusos. A amar sem perder nossos limites. E principalmente, precisamos aprender a respeitar quando o outro diz: “agora não.” Talvez essa pequena frase seja uma das maiores demonstrações de maturidade que podemos aprender a receber. Nem sempre será “sim”. Nem sempre haverá tempo. Nem sempre haverá disposição. Nem sempre haverá intimidade. E está tudo bem. Cada pessoa tem uma vida que precisa ser respeitada.
Uma reflexão para nós: Antes de procurar alguém porque precisamos de alguma coisa, talvez devêssemos perguntar: Será que essa pessoa está disponível ou eu simplesmente estou presumindo que ela está? Antes de entrar na vida de alguém, talvez seja importante perguntar se a porta realmente foi aberta para nós. Porque algumas portas são abertas por educação, não por intimidade. Alguns sorrisos são apenas gentileza. Algumas conversas são apenas conversas. E alguns “pode contar comigo” não significam “pode contar comigo a qualquer hora, para qualquer coisa”. Aprender a perceber essas diferenças também é uma forma de amar.
Oração: “Senhor, ensina-me a respeitar os limites das pessoas e também a reconhecer os meus próprios limites. Que eu nunca confunda gentileza com obrigação, proximidade com intimidade ou disponibilidade com dever. Ensina-me a saber quando ajudar, quando ouvir, quando falar e também quando simplesmente respeitar o silêncio de alguém. Que eu tenha sabedoria para não invadir a vida das pessoas e coragem para não permitir que invadam a minha. Ajuda-me a viver em paz, entendendo que cada pessoa tem seu espaço, seu tempo e suas próprias necessidades. Que eu seja uma pessoa gentil, mas também uma pessoa sábia. Em nome de Jesus, amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
No próximo texto:
“Limites também existem entre vizinhos” Porque morar perto de alguém não significa morar dentro da vida dessa pessoa. E, na convivência diária, saber onde termina o nosso espaço e começa o espaço do outro pode evitar muitos conflitos.





