Durante muitos anos eu vivi um conflito dentro de mim.
Não porque eu não amasse a Deus, nem porque eu não desejasse servi-Lo.
O conflito era outro: eu não conseguia aceitar o chamado pastoral que, aos poucos, Deus ia colocando diante dos meus olhos.
Eu congregava em uma denominação onde o pastorado era visto como algo exclusivo para homens.
O preconceito contra mulheres exercendo esse ministério era muito forte.
Não era apenas uma questão doutrinária.
Muitas vezes havia ironias, críticas e até deboche contra igrejas que consagravam mulheres ao pastorado.
A impressão que eu tinha era de que somente aquela denominação possuía a interpretação correta da Palavra de Deus, enquanto todas as outras estavam erradas.
Durante muito tempo, isso influenciou meu coração.
Mesmo percebendo que Deus me conduzia para cuidar de pessoas, principalmente de mulheres, eu sempre encontrava um motivo para dizer: “Isso não pode ser comigo.”
Mas Deus nunca deixou de confirmar aquilo que havia colocado dentro de mim.
Quando saímos daquela denominação, comecei a conhecer outras igrejas.
Passei a observar mulheres exercendo diversos ministérios com seriedade, humildade e temor ao Senhor.
Vi pastoras cuidando de vidas, aconselhando famílias, pregando o Evangelho, discipulando pessoas e produzindo frutos para o Reino de Deus.
Foi então que percebi uma coisa muito importante.
Nem sempre aquilo que ouvimos durante anos representa toda a realidade do Corpo de Cristo.
Existem irmãos sinceros dos dois lados dessa discussão.
Há quem entenda que o pastorado deve ser exercido apenas por homens e há quem compreenda, à luz das Escrituras, que Deus também chama mulheres para esse ministério.
Não escrevo estas palavras para convencer ninguém a mudar sua posição.
Escrevo para testemunhar aquilo que Deus fez comigo.
Aprendi que o chamado vem do Senhor.
É Deus quem chama.
É Deus quem capacita.
É Deus quem abre portas.
E, muitas vezes, Ele usa pessoas para confirmar aquilo que já falou ao nosso coração.
A validação humana é uma bênção quando acontece, porque Deus realmente usa homens e mulheres para reconhecer dons e ministérios.
Porém, quando alguém deixa de reconhecer um chamado por causa de tradições ou preconceitos, isso não anula aquilo que Deus determinou.
Nossa responsabilidade continua sendo obedecer.
Ao longo dos últimos anos aconteceu algo curioso.
Quanto mais eu tentava fugir desse assunto, mais pessoas começaram espontaneamente a me chamar de “Pastora”.
Eu nunca pedi esse tratamento.
Nunca exigi reconhecimento.
Nunca procurei um título.
Mas Deus foi usando pessoas diferentes, em momentos diferentes, para confirmar aquilo que eu ainda tinha dificuldade de aceitar.
Hoje ainda me sinto um pouco envergonhada quando alguém me chama de pastora.
Talvez porque durante tantos anos ouvi que isso nunca poderia acontecer.
Mas, ao mesmo tempo, sinto paz.
Porque descobri que meu maior desejo nunca foi ocupar um cargo.
Meu desejo sempre foi cuidar de pessoas.
Principalmente de mulheres.
Mulheres cansadas.
Mulheres feridas.
Mulheres que perderam a esperança.
Mulheres que precisam apenas de alguém que as ouça sem julgamentos e as conduza novamente aos braços de Jesus.
Se esse é o lugar onde Deus me quer, então meu papel não é discutir com quem concorda ou discorda.
Meu papel é obedecer.
Cada um prestará contas diante de Deus pelas convicções que defende.
Eu prestarei contas pela resposta que dei ao chamado que recebi.
E desejo que, naquele grande dia, eu possa simplesmente ouvir do Senhor:
“Foste fiel.”
Versículo: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço…”
Efésios 4:11-12
Reflexão:
Talvez Deus também esteja chamando você para alguma missão e o maior obstáculo não seja a falta de capacidade, mas o medo da opinião das pessoas.
Ore. Busque direção na Palavra. Caminhe com humildade. Submeta-se ao Senhor e sirva com amor.
Quando Deus chama, a obediência vale mais do que a aprovação humana.
Oração: “Senhor, ajuda-nos a ouvir a Tua voz acima de qualquer outra. Dá-nos humildade para servir, sabedoria para permanecer firmes na Tua Palavra e coragem para obedecer ao Teu chamado, mesmo quando nem todos compreenderem o caminho que preparaste para nós. Que nunca busquemos títulos, mas vidas para cuidar. Em nome de Jesus. Amém.”
Sandra Rochedo,Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites. Se esta reflexão falou ao seu coração, curta, comente e compartilhe. Talvez alguém esteja precisando de coragem para obedecer ao chamado que Deus lhe fez.





