Manual de Sobrevivência ao Frio: Relatos de Uma Curitibana em Tempos de Congelamento:

Se você mora em uma cidade onde o inverno resolve mostrar serviço, provavelmente já percebeu que sobreviver ao frio exige mais do que um simples casaco.

Exige estratégia, coragem, criatividade e, em alguns casos, uma boa dose de bom humor.

Aqui em Curitiba, por exemplo, ainda estamos no outono e o frio já chegou sem pedir licença.

Durante o dia, até dá para negociar com as temperaturas entre 15°C e 19°C.

A gente sai de casa acreditando que está tudo sob controle.

O problema é quando a noite chega e a madrugada resolve lembrar quem realmente manda.

Os termômetros marcam 8°C, 5°C, e os especialistas ainda anunciam que temperaturas próximas de 0°C podem aparecer nos próximos dias.

Nessa hora, a dignidade desaparece e qualquer regra de elegância é suspensa até segunda ordem.

O primeiro passo para sobreviver ao frio é aceitar que você não vai ficar bonita dentro de casa.

Você vai parecer um cobertor ambulante.

Meias, blusas, casacos, mantas e tudo o que estiver disponível será usado simultaneamente.

O importante não é o visual.

O importante é manter os dedos funcionando.

O segundo passo é desenvolver um relacionamento sério com bebidas quentes.

Café, chá, chocolate quente, leite quente

qualquer coisa que produza vapor se transforma automaticamente em melhor amiga da estação.

O terceiro passo é compreender que levantar da cama numa manhã gelada é uma das maiores demonstrações de força de vontade da humanidade.

Quando o despertador toca, acontece uma negociação interna muito séria.

De um lado está a responsabilidade.

Do outro está um cobertor quentinho que parece ter sido enviado diretamente do céu.

E não podemos esquecer dos banhos.

Existe um momento em que a pessoa precisa decidir entre a higiene e a preservação da própria vida.

Entrar no chuveiro é fácil. Difícil é sair dele.

O banheiro vira uma espécie de portal para uma nova dimensão onde o ar parece feito de gelo.

Mas, apesar de todas as reclamações, existe algo bonito nos dias frios.

O aconchego de uma casa aquecida por cobertores, o aroma de um café recém-passado, as conversas demoradas, as roupas confortáveis e aquela sensação de acolhimento que só o inverno consegue trazer.

Talvez seja por isso que, ano após ano, reclamamos do frio, fazemos piadas sobre congelar durante a madrugada, nos enrolamos em três cobertores e continuamos seguindo em frente.

Afinal, o frio passa, mas as histórias que ele nos proporciona ficam.

Enquanto isso, seguimos firmes na missão de sobreviver ao inverno curitibano.

Se os 0°C realmente chegarem, que Deus tenha misericórdia de nós e dos nossos pés gelados.

Porque uma coisa é certa:

Sobreviver ao frio não é apenas uma questão de temperatura. É um verdadeiro esporte de resistência.

Por Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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