Quando o Silêncio Vira um Pedido de Socorro:

Existem pessoas que fazem muito por nós.

E isso precisa ser reconhecido, valorizado e agradecido.

Eu acredito que a gratidão é uma das virtudes mais bonitas que podemos cultivar.

Mas existe uma linha muito tênue entre ser grata e acreditar que, por causa dessa gratidão, não temos mais o direito de sentir dor.

Não quero desmerecer o que o outro faz por mim.

Sei que cuidar de alguém exige tempo, paciência, dedicação e, muitas vezes, renúncia.

Também não quero desmerecer os sentimentos, o cansaço e as dores de quem cuida.

Mas também não quero desmerecer os meus sentimentos.

As minhas dores não deixam de existir porque outra pessoa também está cansada.

Os meus sentimentos não valem menos porque dependo de alguém.

Infelizmente, quando passamos a depender de outra pessoa para realizar tarefas simples do dia a dia, começamos, sem perceber, a abrir mão de muitas coisas.

Deixamos de pedir aquela comida que gostaríamos de comer.

Deixamos de querer passear.

Deixamos de visitar alguém.

Deixamos de tomar um banho em um horário diferente.

Deixamos de fazer pequenas coisas porque já sabemos quais serão as desculpas, os resmungos ou os comentários que virão.

E chega um momento em que o problema nem é mais ouvir um “não”.O problema é evitar perguntar.

Você começa a se calar.

Prefere não falar sobre o que sente.

Engole as lágrimas.

Finge que está tudo bem.

Convence a si mesma de que está exagerando.

Começa a acreditar que está sendo um peso na vida de quem está ao seu lado.

Enquanto isso, muitas vezes, a outra pessoa sente-se completamente à vontade para despejar tudo o que está sentindo, sem medir as palavras, sem perceber que cada reclamação pode ferir ainda mais quem já está fragilizado.

Então você toma decisões silenciosas.

Decide dormir mais tempo, não porque esteja com sono, mas para não precisar pedir ajuda.

Espera a sede passar.

Adia o banho.

Deixa de comer alguma coisa que gostaria.

Resolve fazer sozinha aquilo que sabe que precisaria de ajuda.

Demora o dobro do tempo.

Gasta muito mais energia.

Corre o risco de cair.

Mas, na sua cabeça, isso parece menos doloroso do que ouvir um resmungo.

E o mais triste é que esse comportamento vai se tornando normal.

A pessoa vai desaparecendo aos poucos.

Ela já não escolhe.

Já não opina.

Já não sonha.

Já não pede.

Ela apenas tenta incomodar o mínimo possível.

Mas Deus nunca desejou que alguém se sentisse um peso.

Jesus jamais tratou quem precisava de ajuda como um incômodo.

Pelo contrário.

Ele parava.

Ouvia.

Perguntava.

Demonstrava compaixão.

Restaurava a dignidade das pessoas antes mesmo de restaurar seus corpos.

O amor verdadeiro não é medido apenas pelo que fazemos.

Também é medido pela maneira como fazemos.

Um gesto de cuidado acompanhado de reclamações constantes machuca.

Uma ajuda oferecida com impaciência pesa mais do que a própria dificuldade.

Ao mesmo tempo, quem depende de alguém precisa lembrar que sua vida continua tendo valor.

Você continua sendo uma pessoa.

Continua tendo sentimentos.

Continua tendo vontades.

Continua merecendo respeito.

Não permita que a culpa silencie sua voz.

Não permita que a dependência faça você acreditar que vale menos.

Você não é um fardo para Deus.

E sua existência não pode ser reduzida às suas limitações.

Que possamos aprender a olhar uns para os outros com mais empatia.

Porque ninguém conhece as batalhas silenciosas que outra pessoa enfrenta.

Às vezes, um pouco mais de paciência, uma palavra mais gentil e um coração disposto a compreender podem aliviar dores que ninguém consegue enxergar.

Versículo:

“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.”
Gálatas 6:2

Oração:

Senhor, ensina-nos a cuidar uns dos outros com amor verdadeiro. Dá sensibilidade a quem ajuda para que nunca permita que o cansaço fale mais alto do que a compaixão. E fortalece aqueles que hoje dependem de alguém, para que jamais percam sua dignidade, sua esperança e o entendimento de que continuam sendo profundamente amados por Ti. Cura os corações feridos pelas palavras, pelos silêncios e pelas incompreensões. Que o Teu amor nos ensine a carregar os fardos uns dos outros sem perder a ternura. Em nome de Jesus. Amém.”

Com carinho,
Sandra Rochedo,

Blog, SR Testemunhos, Transformando Limites.Se esta reflexão falou ao seu coração, curta, comente e compartilhe. Às vezes, o que alguém mais precisa é saber que seus sentimentos também têm valor.

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