Quando o chamado permanece, mas o formato não:

 

Houve um tempo em que eu achei que obedecer a Deus significava aguentar tudo.
Silenciar dores, engolir sobrecargas, assumir responsabilidades que não eram minhas — tudo em nome do chamado.

Eu pastoreei. Ensinei. Fundamos. Construímos.
Mas
também adoeci. Sofri. Carreguei o que deveria ser compartilhado.
E um dia eu disse a Deus, com lágrimas e verdade:
“Desse jeito, eu nunca mais quero.”

Não foi rebeldia.
Foi sobrevivência.

O chamado continuou vivo, mas ferido.
E, de vez em quando, ele voltava em forma de saudade.
Saudade de ensinar. De cuidar. De ver vidas crescendo.
Saudade do sentido — não da dor.

Então vinha o pensamento:
“E se tivéssemos uma congregação de novo?”

Mas logo depois, a lembrança vinha mais forte que o desejo.
A falta de
compromisso.
O peso
O status
E eu balançava a cabeça, como quem diz:
“Não. Nunca mais.”

E aí vinha a culpa.
Aquela culpa
que se veste de espiritualidade:
“Estou negando o chamado de Deus.”

Mas Deus, em Sua graça, começou a me ensinar algo profundo:
 Chamado não é prisão.
 Obediência não é adoecimento.
 Ministério é responsabilidade compartilhada.

Percebi que não era o chamado que me assustava.
Era
o formato.
Era voltar para um lugar onde eu já sangrei demais.


E isso, longe de me condenar, me faz refletir.


Deus não começa grandes responsabilidades sem antes alinhar estruturas.
Ele não
constrói ministérios não tratados.

Talvez o que eu o que eu esteja vivendo não seja negação, mas transição.
Talvez Deus não esteja dizendo “volte”, mas “vamos curar”.
Talvez o chamado esteja pedindo nova forma, novo tempo, novos limites.

Aprendi que posso honrar o chamado:

  • sem me anular
  • sem sobrecarregar
  • sem repetir ciclos que quase me custaram a vida

E se um dia houver uma congregação, que seja:

  • com responsabilidade
  • com maturidade
  • com compromisso real
    ou que não seja.

Porque Deus não se agrada de sacrifícios que Ele não pediu.

 ORAÇÃO:

“Senhor,
Tu conheces o meu chamado, mas também conheces as minhas feridas.
Não me permitas confundir culpa com obediência,
nem saudade com obrigação.

Cura em mim aquilo que o ministério mal conduzido feriu.
Alinha meus passos ao Teu tempo, não à pressão.
Se for para servir, que seja com vida.
Se for para esperar, que seja com paz.

Ensina-me a obedecer sem me destruir.
Amém.”

Ass.: pra Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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