O que são os espíritos para a Doutrina Espírita?

Depois de falarmos sobre reencarnação, vida após a morte e mediunidade, chegamos a uma pergunta que ajuda a entender melhor toda a estrutura da Doutrina Espírita:

Afinal, o que são os espíritos? Quando usamos essa palavra, muitas pessoas imediatamente pensam em fantasmas, aparições ou algo assustador. Mas não é assim que o Espiritismo apresenta o conceito.Para a Doutrina Espírita, compreender o que são os Espíritos é fundamental para compreender também suas ideias sobre a vida, a morte, a reencarnação e a evolução espiritual.

O Espírito é o ser inteligente: De maneira resumida, o Espiritismo entende o Espírito como o princípio inteligente do Universo. O corpo físico seria apenas o instrumento utilizado pelo Espírito durante sua existência material. Quando uma pessoa nasce, o Espírito estaria ligado a um corpo. Quando esse corpo morre, o Espírito continuaria existindo. Por isso, para o pensamento espírita, aquilo que somos verdadeiramente não termina com a morte do corpo. O corpo envelhece. O corpo morre. Mas o Espírito permanece.

Todos os Espíritos são iguais? Não no sentido de desenvolvimento espiritual. A Doutrina Espírita entende que todos os Espíritos foram criados por Deus, mas não se encontram no mesmo grau de evolução. Existiriam Espíritos em diferentes níveis de desenvolvimento moral e intelectual. Alguns ainda estariam muito ligados às imperfeições humanas. Outros já teriam alcançado maior conhecimento e desenvolvimento moral. E haveria Espíritos muito elevados. Essa evolução não aconteceria de uma hora para outra. Seria resultado de um longo processo de aprendizado. É aqui que a reencarnação volta a aparecer.

Por que reencarnar? Se o Espírito é imortal e precisa evoluir, a reencarnação teria justamente a função de oferecer novas oportunidades de aprendizado. O Espírito retornaria à existência corporal para enfrentar experiências, desenvolver virtudes, corrigir erros e avançar espiritualmente. Assim, dentro da visão espírita, a vida atual seria apenas uma etapa de uma caminhada muito maior. Não seríamos definidos apenas por aquilo que somos hoje. Estaríamos em processo de transformação.

Existem Espíritos bons e maus? Na Doutrina Espírita, existe uma diferença importante entre aquilo que algumas pessoas imaginam como “espíritos bons e espíritos maus” e a maneira como o Espiritismo classifica os Espíritos. A ideia não é simplesmente que existam seres eternamente bons de um lado e seres eternamente maus do outro.

Os Espíritos poderiam estar em diferentes níveis de evolução. Alguns ainda apresentariam sentimentos egoístas, orgulho, inveja e outras imperfeições. Outros teriam desenvolvido maior amor, sabedoria e compreensão. Portanto, o mal não seria uma condição eterna e sem possibilidade de mudança. Existe a possibilidade de evolução

E o que acontece depois da morte? Depois da morte do corpo físico, o Espírito continuaria sua existência. Segundo a compreensão espírita, ele poderia tomar consciência de sua situação, encontrar outros Espíritos e continuar seu aprendizado. Essa vida espiritual não seria um estado de inexistência. Seria uma continuidade da vida. Por isso, dentro dessa visão, a morte não destrói a identidade do indivíduo. A pessoa continua sendo ela mesma. Ela apenas deixa o corpo físico.

E aqui aparece uma diferença importante para a Bíblia:

A Bíblia também ensina que existe uma realidade espiritual. Mas a maneira como apresenta os seres espirituais é diferente da classificação espírita. Na Bíblia encontramos anjos, seres espirituais que servem a Deus. Também encontramos Satanás e demônios, apresentados em oposição a Deus.Além disso, encontramos o Espírito Santo, que não deve ser confundido com os espíritos humanos. Portanto, quando um cristão ouve a palavra “espírito”, precisa perguntar: De que espírito estamos falando? Porque, biblicamente, nem todo ser espiritual pertence à mesma categoria.

Espírito humano é a mesma coisa que Espírito Santo? Não. Essa diferença precisa ser muito clara. Na compreensão cristã, o Espírito Santo não é um ser humano que morreu e passou a existir no mundo espiritual. O Espírito Santo é apresentado na Bíblia como o próprio Espírito de Deus. Jesus falou sobre o Espírito Santo como aquele que viria para estar com seus discípulos e guiá-los. Portanto, não podemos colocar no mesmo nível o espírito humano e o Espírito Santo. São conceitos completamente diferentes dentro da fé cristã.

E os anjos? Também não são seres humanos desencarnados. Essa é outra diferença importante. A Bíblia apresenta os anjos como seres espirituais criados por Deus. Eles não são descritos como pessoas que morreram e se transformaram em anjos. Essa ideia é muito popular em filmes, músicas e frases que ouvimos no dia a dia: “Agora ele virou um anjo.” É uma expressão bonita quando usada como forma de carinho, mas não corresponde exatamente ao ensinamento bíblico. Uma pessoa que morre não se transforma em anjo.

E os demônios? Na visão bíblica, os demônios também não são simplesmente pessoas que morreram e ficaram vagando pelo mundo. Eles pertencem a uma realidade espiritual diferente. Por isso, mais uma vez, precisamos ter cuidado para não misturar conceitos de diferentes religiões como se fossem todos iguais. Uma palavra pode existir em várias religiões e, ainda assim, possuir significados diferentes.

Por que conhecer essas diferenças é importante? Porque muitas confusões religiosas surgem justamente dessa mistura. Alguém ouve falar em Espírito Santo, espírito desencarnado, anjo, demônio e alma e pensa que tudo significa a mesma coisa. Não significa. Cada doutrina possui sua própria compreensão. E éjustamente por isso que estudar religião exige atenção. Não podemos simplesmente pegar uma ideia de uma religião e colocar dentro da outra. Precisamos perguntar: “O que essa religião realmente ensina?” E depois: “O que a minha fé ensina sobre isso?”

Conhecer sem desrespeitar: Essa tem sido uma das principais propostas desta série. Não precisamos transformar uma religião em inimiga para explicar por que não seguimos seus ensinamentos. Podemos reconhecer que existem pessoas sinceras em diferentes caminhos religiosos. Podemos respeitar sua dignidade. Podemos conversar. Podemos aprender. E ainda assim permanecer firmes em nossas convicções. Porque respeito não significa concordância. E discordância não precisa significar desrespeito.

Uma reflexão: Talvez conhecer aquilo que outras religiões acreditam nos faça perceber uma coisa muito importante: nem tudo o que ouvimos sobre uma religião corresponde realmente ao que ela ensina. Por isso, antes de criticar, precisamos conhecer. Antes de repetir, precisamos pesquisar.

Antes de julgar uma pessoa, precisamos lembrar que ela também possui sua história ,suas experiências e suas convicções. E, para quem é cristão, conhecer outras crenças também pode ser uma oportunidade de voltar para a própria Bíblia e perguntar: “Eu realmente conheço aquilo em que digo acreditar?” Porque uma fé madura não tem medo de perguntas. Ela procura respostas.

Uma oração: “Senhor, dá-me sabedoria para conhecer aquilo que outras pessoas acreditam sem preconceito e sem arrogância. Ajuda-me também a conhecer cada vez mais a Tua Palavra, para que minha fé não seja baseada apenas naquilo que ouvi de outras pessoas. Ensina-me a respeitar quem pensa diferente sem abandonar minhas convicções. Que eu tenha discernimento, humildade e amor para conversar sobre assuntos espirituais. E que, acima de todas as coisas, eu continue buscando a Ti. Amém”.

Sandra Rochedo,

Blog, S R T estemunhos, Transformando Limites.

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