Existe um tipo de silêncio que é muito perigoso.
É o silêncio de quem já desistiu de pedir.
Mas existe outro ainda mais doloroso.
É o silêncio de quem começou a desaparecer.
Não desaparecer fisicamente.
Mas emocionalmente.
A pessoa continua ali.
Sorri quando perguntam se está tudo bem.
Agradece por tudo.
Conversa quando é necessário.
Mas, por dentro, vai apagando a própria luz.
Tudo começa de maneira quase imperceptível.
Ela deixa de dar opiniões.
Depois deixa de fazer pedidos.
Mais tarde, deixa de contar seus sonhos.
Para de sugerir passeios.
Já não diz mais o que gostaria de comer.
Não comenta que gostaria de visitar alguém.
Não fala quando está triste.
Não diz quando sente medo.
Vai aprendendo que quanto menos espaço ocupar, menos trabalho dará.
E sem perceber, começa a acreditar que sua melhor versão é aquela que incomoda menos.
Que pensamento cruel.
Ninguém foi criado por Deus para viver escondendo sua existência.
Ninguém foi chamado para pedir desculpas por precisar de ajuda.
Quando começamos a apagar nossa própria luz para facilitar a vida dos outros, algo dentro de nós adoece.
A alegria vai embora.
A espontaneidade desaparece.
A esperança diminui.
Os sonhos ficam guardados.
A autoestima enfraquece.
E, muitas vezes, até a fé parece perder o brilho.
O mais triste é que quem convive conosco pode nem perceber.
Afinal, deixamos de reclamar.
Deixamos de pedir.
Deixamos de falar.
Então todos imaginam que está tudo bem.
Mas o silêncio nem sempre significa paz.
Às vezes, significa desistência.
Jesus nunca pediu que alguém diminuísse sua existência para facilitar a vida dos outros.
Pelo contrário.
Ele valorizava aqueles que eram ignorados.
Parava para ouvir quem ninguém escutava.
Chamava pelo nome quem a sociedade já não enxergava.
Mostrava que cada vida tinha importância.
Talvez hoje você esteja vivendo exatamente isso.
Talvez tenha parado de pedir porque está cansado de ouvir reclamações.
Talvez tenha desistido de expressar seus sentimentos porque acredita que ninguém vai entender.
Talvez você tenha começado a esconder suas vontades para evitar conflitos.
Se isso aconteceu, quero lhe lembrar de uma verdade que Deus colocou em meu coração:
Você não precisa desaparecer para ser amado.
Sua presença não é um problema.
Sua vida continua tendo propósito.
Sua voz continua tendo valor.
Seus sentimentos continuam sendo importantes.
Precisar de ajuda não diminui quem você é.
Também quero falar com quem cuida.
Às vezes, sem perceber, uma palavra dita com impaciência faz alguém apagar um pouco da própria luz.
E talvez essa pessoa nunca tenha coragem de dizer que foi machucada.
Por isso, cuide das palavras.
Cuide do tom de voz.
Cuide do olhar.
Porque, muitas vezes, o amor não é percebido apenas pelo que fazemos, mas pela maneira como fazemos.
Que Deus nos ajude a manter acesa a luz uns dos outros.
Que ninguém precise diminuir sua existência para ser aceito.
E que nossos lares sejam lugares onde as pessoas tenham liberdade para existir, para falar, para sentir e para continuar sonhando.
Versículo:
“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.”
Mateus 5:16
Oração:
“Pai querido, há pessoas que estão apagando a própria luz para não incomodar ninguém. Visita esses corações com o Teu amor. Restaura a alegria de viver, a coragem de falar e a esperança de sonhar novamente. Dá sensibilidade àqueles que cuidam, para que suas palavras transmitam vida e não desânimo. Ensina-nos a enxergar além das limitações físicas e a valorizar a pessoa que existe por trás delas. Que ninguém precise esconder seus sentimentos para ser amado. Em nome de Jesus. Amém.”
Com carinho,
Sandra Rochedo,
Blog, SR Testemunhos, Transformando Limites.
Curta, comente e compartilhe. Talvez alguém esteja se calando não porque deixou de sentir, mas porque acredita que sua voz já não faz diferença.





