Durante muito tempo da minha vida eu vivi quase invisível.
Não era notada pelas pessoas, principalmente dentro de casa.
Sempre existia uma comparação com alguém que parecia ser melhor, mais inteligente, mais bonita, mais interessante ou mais capaz.
E aos poucos a gente vai acreditando nisso também.
Talvez por isso eu tenha passado tanto tempo mais quieta, observando tudo ao meu redor.
Enquanto outras pessoas falavam muito, eu observava.
Enquanto algumas queriam aparecer, eu me escondia nos livros, nas músicas e nos meus pensamentos. A música sempre esteve muito presente na minha vida, principalmente a MPB, aquelas letras profundas que parecem conversar com a alma da gente. Eu também gostava muito das aulas de arte e educação física, e escrever em meu diário eram os únicos momentos em que eu realmente me sentia leve.
Nunca fui considerada uma pessoa brilhante nos estudos.
Prestava atenção, tentava aprender, mas meu coração gostava mesmo era das coisas que tinham sentimento, expressão e movimento.
Fiz o primário e o ginásio em escola pública.
Depois comecei o curso normal para ser professora, mas não concluí.
Mais tarde fui fazer educação física no Colégio de Aplicação Paulo Gissoni. Foi nessa época que conheci meu primeiro esposo. Engravidei, saí da escola, me casei e vivi um casamento de 14 anos.
A vida foi tomando outros caminhos.
Depois comecei a trabalhar em um escritório de advocacia e permaneci ali por 10 anos.
E olhando hoje, percebo que aquele trabalho me ensinou muito mais do que eu imaginava.
Aprendi a observar detalhes, organizar tudo, analisar situações, calcular possibilidades antes de agir e principalmente tentar ser justa com as pessoas.
Aprendi a pensar antes de executar qualquer coisa.
Talvez justamente por ter passado tantos anos sendo ignorada, eu tenha desenvolvido a capacidade de observar aquilo que muita gente não percebe.
Pessoas invisíveis costumam enxergar mais.
Hoje eu entendo que nem toda inteligência aparece em diplomas ou notas altas.
Existem pessoas que têm outro tipo de percepção.
Pessoas que conseguem ler ambientes, perceber intenções, organizar situações difíceis, sentir quando algo vai dar certo ou não.
E sinceramente, acredito que isso seja um dom de Deus.
Ainda não sei exatamente como usar tudo isso da melhor maneira, mas começo a perceber que talvez minha sensibilidade, minha observação, minha escrita, minhas pinturas e até meus silêncios tenham um propósito.
Talvez Deus estivesse me moldando justamente nos períodos em que eu achei que estava sendo esquecida.
Porque existem fases em que ninguém vê o nosso valor, mas isso não significa que ele não exista.
Reflexão:
Nem sempre as pessoas silenciosas são vazias.
Muitas vezes elas apenas passaram tanto tempo observando o mundo, que aprenderam a sentir mais do que falar.
Deus trabalha muito no silêncio.
Enquanto alguns são vistos pelos homens, outros estão sendo preparados por Deus longe dos aplausos.
Oração:
“Senhor,
durante muito tempo eu me senti invisível, esquecida e desvalorizada. Mas hoje eu entendo que até nos silêncios o Senhor estava me ensinando algo.
Obrigada pelos aprendizados, pelas experiências e até pelas dores que me fizeram enxergar a vida de outra forma.
Me ajuda a entender os dons que o Senhor colocou dentro de mim e a usar tudo isso da maneira certa.
Que eu nunca perca minha sensibilidade, minha capacidade de observar e meu desejo de fazer as coisas com verdade.
Amém.”
— Pastora Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.





