Chamado ou Conveniência? Quando a Vocação é Trocada pelas Vantagens:

Há uma pergunta que tem passado pelo meu coração e que acredito ser importante refletirmos com sinceridade.

O que acontece quando uma pessoa que tem um chamado predominantemente mestral, voltado para ensinar a Palavra de Deus, aceita pastorear uma igreja principalmente pelas vantagens que o cargo oferece?

Um bom salário, casa pastoral, carro, plano de saúde, escolas particulares para os filhos e uma estabilidade que muitos sonham em ter.

Não estou dizendo que um pastor não deva ser bem cuidado.

A própria Bíblia ensina que “o trabalhador é digno do seu salário”.

O problema não está nas bênçãos que acompanham o ministério, mas quando elas passam a ser a principal motivação para aceitar uma responsabilidade que talvez Deus não tenha dado.

A Bíblia nos mostra que Cristo concedeu diferentes ministérios para a edificação da Igreja.

Há apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.

Cada um possui uma função específica.

O mestre ama estudar, explicar as Escrituras, esclarecer dúvidas, formar discípulos sólidos na fé. Já o pastor tem um cuidado constante com as ovelhas.

Ele visita, aconselha, consola, corrige, protege, acompanha de perto as dores e alegrias do rebanho.

São funções que podem até caminhar juntas em algumas pessoas, mas nem sempre possuem a mesma intensidade.

Quando alguém exerce um ministério diferente daquele para o qual foi chamado, dificilmente tudo funcionará de forma equilibrada.

Talvez o ensino seja excelente, profundo e bíblico, mas o cuidado pastoral fique comprometido.

Talvez haja ótimos estudos, porém pouca visitação.

Talvez existam sermões maravilhosos, mas falte acolhimento aos que choram.

Talvez haja muito conhecimento, mas pouco acompanhamento das vidas.

Da mesma forma, um pastor que não possui facilidade para ensinar poderá cuidar muito bem das pessoas, mas terá dificuldades em aprofundar a igreja na Palavra.

Isso não significa que um mestre jamais possa pastorear ou que um pastor não possa ensinar.

Deus capacita quem Ele chama.

Porém, é preciso reconhecer que cada dom possui uma ênfase, e quando tentamos ocupar um lugar apenas pelas vantagens que ele oferece, alguém acaba ficando prejudicado.

Quem perde?

A igreja.

As ovelhas.

E, muitas vezes, o próprio líder, que passa anos carregando um peso que Deus talvez nunca tenha colocado sobre seus ombros.

O ministério nunca deveria ser escolhido pelo conforto, mas pela obediência.

A recompensa do chamado não pode ser maior do que o próprio chamado.

Vale muito mais viver exatamente onde Deus nos colocou, ainda que com menos recursos, do que ocupar uma posição confortável fora da vontade d’Ele.

Deus não procura profissionais do púlpito.

Ele procura servos obedientes.

E quando cada pessoa ocupa o lugar para o qual foi chamada, toda a Igreja cresce de forma saudável.

Oração:

Senhor, ajuda-nos a discernir o Teu chamado acima dos nossos interesses pessoais. Que jamais escolhamos um ministério pelo conforto, pelo reconhecimento ou pelas vantagens materiais. Dá-nos humildade para servir exatamente onde o Senhor deseja nos usar. Capacita cada líder a exercer o dom que recebeu com fidelidade, amor e responsabilidade. Que a Tua Igreja seja edificada por homens e mulheres comprometidos com a Tua vontade, e não com benefícios pessoais. Em nome de Jesus. Amém.”

Versículo:

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.”

Efésios 4:11–12

.

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

 Se esta reflexão falou ao seu coração, curta, comente e compartilhe. Talvez ela ajude alguém a buscar o chamado de Deus acima de qualquer conveniência.

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado