Eu queria voltar a ser a ministra, mas esqueci da Sandra:

Eu queria voltar a ser a ministra, mas esqueci da Sandra:

Por muito tempo eu achei que precisava voltar a ser a ministra Sandra.

Eu queria escrever ministrações, falar de Bíblia, preparar mensagens e encontrar uma maneira de continuar aquilo que um dia entendi como minha chamada pastoral. Na minha cabeça, se eu queria alcançar mulheres cristãs, precisava escrever como ministra.E talvez tenha sido justamente aí que eu comecei a me afastar de uma pessoa muito importante: a Sandra. A Sandra que existe antes do título. A Sandra que ri, que se irrita, que se emociona, que observa as pessoas, que conversa com o marido, que assiste futebol, que lembra de coisas do passado, que aprende coisas novas, que tem dias bons e dias nem tão bons assim. A Sandra que vive.E foi curioso perceber isso justamente através do meu próprio blog.Comecei a observar os textos que estavam despertando mais interesse e percebi uma coisa: aqueles em que eu simplesmente contava situações da vida, falava de relacionamentos, comportamento, coisas que observo no dia a dia ou experiências que vivi pareciam chegar às pessoas de uma maneira diferente.Eles tinham algo que talvez eu estivesse tentando colocar nos textos ministeriais, mas não conseguia fabricar:verdade.Porque quando eu escrevo sobre uma situação que realmente vivi, não preciso imaginar como uma mulher se sente. Eu sei como eu me senti. Quando falo de casamento, tenho uma história para contar.Quando falo de limitações, tenho experiências que fazem parte da minha vida.Quando falo de recomeço, não estou repetindo uma frase bonita.Estou falando de algo que conheço.Quando falo de críticas, comparação, decepções, alegrias ou das pequenas coisas do cotidiano, não estou escrevendo de cima de um púlpito.Estou sentada aqui, no meu cantinho, conversando.E talvez seja exatamente isso que estava faltando.Eu estava tão preocupada em recuperar a Sandra ministra, que não estava dando importância à Sandra pessoa.E hoje eu percebo que uma não precisa eliminar a outra.A ministra continua dentro de mim.A minha fé continua aqui.A Bíblia continua sendo parte da minha vida.As orações continuam fazendo parte do que escrevo.Mas eu não preciso transformar cada texto em uma ministração.Às vezes posso simplesmente contar uma história.Posso falar de uma situação engraçada.Posso comentar algo que observei.Posso falar de uma descoberta.Posso até contar que estava assistindo futebol e alguma coisa me fez pensar em um assunto. 😂 E talvez, no meio daquela conversa aparentemente simples, uma mulher se identifique.Talvez ela diga:“Eu também sou assim.”“Isso acontece comigo.”“Nunca tinha pensado dessa maneira.”E aí acontece algo que eu considero muito bonito.Eu não precisei dizer:“Agora vou ministrar para você.”A própria conversa virou uma reflexão.Talvez essa seja uma nova fase da SR Testemunhos.Ou talvez seja a fase que sempre deveria ter sido.Um espaço onde eu não preciso esconder a mulher para apresentar a ministra.Onde a Sandra pessoa pode falar, rir, contar histórias, lembrar, aprender e até admitir:“Eu também não sei tudo.”Porque talvez seja justamente isso que nos aproxime.Nós, mulheres, não precisamos o tempo inteiro de alguém nos ensinando como viver.Às vezes precisamos de alguém que olhe para nós e diga:“Eu também já passei por isso.”

E quando existe verdade, existe identificação. Por isso, hoje eu não quero mais ficar tentando voltar a ser quem eu fui. Quero conhecer cada vez mais quem eu me tornei.

Aos 60 anos, depois de tantas histórias, tantas mudanças, tantas perdas, tantos recomeços e tantas experiências, descobri que ainda existe muita coisa para contar. E talvez esse seja o verdadeiro significado de SR Testemunhos. Não apenas falar sobre aquilo que Deus fez. Mas também falar sobre aquilo que a vida me ensinou enquanto Deus caminhava comigo. A Sandra ministra continua aqui. Mas agora ela vai deixar a Sandra pessoa falar também. E acho que as duas juntas têm muito mais histórias para contar.

Uma oração: “Senhor, obrigada porque o Senhor não nos chama apenas pelo que fazemos, mas conhece quem somos. Ajuda-me a não esconder a pessoa que me tornei tentando recuperar quem eu fui. Que eu possa contar minhas histórias com verdade, reconhecer minhas limitações, celebrar minhas conquistas e continuar aprendendo. E que, através das coisas simples da minha vida, eu possa alcançar alguém que precisa justamente de uma palavra simples e verdadeira. Que a minha história continue sendo instrumento para abençoar outras vidas. Amém.”

Sandra Rochedo, Blog SR Testemunhos, Transformando Limites histórias reais, reflexões da vida e fé para continuar caminhando.

Se você se identificou com essa história, curta, comente e compartilhe. Talvez outra mulher também esteja tentando encontrar uma versão antiga de si mesma, sem perceber a mulher que se tornou. ❤️

Para continuar essa conversa no SR Testemunhos:

Você também pode gostar:

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado