Quando a brincadeira deixa de ter graça:

Quando a brincadeira deixa de ter graça:

Você já percebeu como algumas pessoas conseguem fazer uma crítica e ainda colocar um sorriso no rosto? Elas fazem uma piadinha, dão aquela risadinha de canto de boca e, quando percebem que você não achou graça, ainda dizem: “Ah, estou brincando!” E você fica pensando: “Eu sei que você está brincando. O problema é que só você está achando graça.” No começo, a gente até releva. Uma vez, passa. Duas vezes, a gente pensa que talvez tenha entendido errado. Na terceira, começa a perceber que talvez não seja tão inocente assim. E quando aquilo se repete, vai cansando. Porque não é uma piada isolada. É uma sequência de pequenas alfinetadas que, aos poucos, vão desgastando a gente. É sobre a roupa que você escolheu. O jeito que você fala. Aquilo que decidiu fazer. O trabalho que começou. A sua maneira de pensar. Um sonho que resolveu colocar em prática. Uma mudança que fez na vida. E sempre aparece alguém para dar aquela risadinha: “Você agora inventou isso?” “Olha só quem está querendo…” “Você acha mesmo que vai dar certo?” “Eu, no seu lugar, não faria isso.” Tudo acompanhado daquele sorriso que parece dizer: “Estou brincando, não pode ficar chateada.” Mas pode. Porque palavras têm peso. existe uma diferença enorme entre brincar com alguém e fazer alguém de alvo da brincadeira. Uma brincadeira saudável acontece quando os dois lados conseguem rir. Quando só um ri e o outro precisa fingir que não se incomodou, talvez seja hora de repensar o nome que estamos dando àquilo. Nem toda crítica precisa ser recebida como ofensa. Às vezes alguém realmente está tentando ajudar e nós podemos aprender com aquilo. Mas crítica construtiva é diferente de deboche. Quem quer ajudar conversa. Quem quer diminuir ironiza. Quem respeita pode discordar sem transformar a pessoa em motivo de piada. E talvez uma das coisas que aprendemos com o tempo seja justamente esta: não precisamos responder a todas as provocações. Nem toda piadinha merece uma discussão. Nem todo sorriso debochado merece uma explicação. Nem toda opinião precisa receber a nossa energia. Às vezes, a resposta mais madura é simplesmente continuar fazendo aquilo que acreditamos ser correto. Porque se dependermos da aprovação de todo mundo para seguir em frente, não sairemos do lugar. Sempre haverá alguém para criticar. Se fazemos, criticam. Se não fazemos, criticam. Se acertamos, alguém encontra um defeito. Se erramos, alguém diz que já sabia. E se ficamos quietos… talvez ainda perguntem por que estamos quietos! 😂 Então, chega uma hora em que precisamos aprender a separar aquilo que merece nossa atenção daquilo que merece apenas um sorriso e um: “Tudo bem, você pensa assim.” Sem briga. Sem gritaria. Sem necessidade de provar nada. Porque amadurecer também é descobrir que nem toda provocação precisa encontrar uma resposta. E existe uma liberdade enorme quando percebemos que podemos continuar sendo quem somos sem precisar convencer ninguém. Talvez algumas pessoas nunca entendam nossas escolhas. Talvez outras continuem fazendo piadinhas. Mas isso não significa que precisamos abandonar nossos sonhos, diminuir nossa voz ou mudar nossa maneira de viver para caber na expectativa delas. E quando a brincadeira deixar de ter graça, talvez seja hora de lembrar: eu posso ouvir uma opinião sem permitir que ela defina quem eu sou. Posso aceitar uma crítica sem carregar uma humilhação. Posso reconhecer um erro sem acreditar que sou um fracasso. E posso simplesmente me afastar daquilo que me faz mal. Afinal, paz também é saber escolher quais palavras merecem entrar no nosso coração.

Uma reflexão para hoje: Talvez você esteja cansada de ouvir aquelas mesmas piadinhas, as mesmas indiretas e os mesmos comentários disfarçados de brincadeira. Não precisa devolver na mesma moeda. Não precisa provar nada. Apenas cuide para não transformar a opinião de alguém sobre você em uma verdade dentro de você. Você sabe quem é. Deus também sabe. E isso já é suficiente para continuar caminhando

Oração: “Senhor, dá-me sabedoria para saber diferenciar uma crítica que pode me ensinar de uma palavra que só quer me ferir. Ensina-me a não carregar para dentro de mim aquilo que não vem para construir. Que eu tenha serenidade para ouvir, maturidade para aprender e sabedoria para estabelecer limites quando for necessário. Não permita que o deboche de outras pessoas faça com que eu duvide do valor que o Senhor colocou em mim. Que eu continue caminhando com humildade, mas também com firmeza. E que minhas palavras nunca sejam motivo de humilhação para ninguém. Amém.”

Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos — Transformando Limites

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