Quando falar não basta: o desafio de ser compreendido:
Você já teve a sensação de estar falando uma coisa e a outra pessoa entender algo completamente diferente? Você explica, tenta novamente, escolhe outras palavras… e, ainda assim, parece que a mensagem não chega do jeito que você gostaria.E o mais curioso é que isso acontece justamente com pessoas que fazem parte da nossa vida: marido, esposa, filhos, amigos, familiares. Pessoas com quem convivemos há anos e que, mesmo assim, às vezes parecem falar uma língua diferente da nossa.Porque comunicação não é simplesmente abrir a boca e falar. Comunicar é conseguir transmitir aquilo que está dentro de nós de uma maneira que o outro consiga compreender.E aí mora o desafio.Às vezes estamos cansados, preocupados ou magoados. Falamos a partir das nossas emoções, mas esperamos que o outro escute apenas as palavras. Só que ninguém escuta apenas palavras.Cada pessoa escuta também a partir da sua própria história, das suas experiências, dos seus medos, das suas inseguranças e até das feridas que carrega.Uma mesma frase pode ser entendida de maneiras completamente diferentes. Você pode dizer: “Eu queria que você estivesse mais presente.” E a outra pessoa pode ouvir: “Você nunca faz nada direito.” Você pode dizer: “Estou cansada.” E alguém pode entender: “Não quero ajudar.” Você pode dizer: “Eu só queria conversar.” E a outra pessoa pode pensar: “Lá vem uma cobrança.”Percebe como uma mesma mensagem pode chegar ao outro completamente diferente daquilo que pretendíamos?Quando ouvir também é uma forma de amar Talvez um dos maiores problemas da comunicação seja que queremos muito ser compreendidos, mas nem sempre estamos dispostos a compreender.Queremos que o outro escute nossas razões, nossas dores e nossas explicações.Mas será que fazemos o mesmo? Será que paramos para perguntar: “Foi isso que você entendeu do que eu falei?”Essa simples pergunta pode evitar muitas discussões.Porque, às vezes, descobrimos que a pessoa não entendeu aquilo que queríamos dizer.E, outras vezes, somos nós que entendemos errado.Quantas brigas poderiam ter sido evitadas se, antes de responder, tivéssemos perguntado:“Você quis dizer isso mesmo?” Ou: “Me explica melhor, porque acho que entendi de outra maneira.” Parece simples. Mas, na prática, exige humildade.
Nem sempre o problema é falta de amor: Também precisamos aprender uma coisa importante: uma pessoa pode nos amar e ainda assim não conseguir compreender exatamente aquilo que estamos tentando dizer. Isso não significa necessariamente falta de carinho, consideração ou amor. Às vezes significa apenas que somos diferentes. Pensamos diferente. Sentimos diferente. Demonstramos sentimentos de maneiras diferentes. Enquanto uma pessoa precisa conversar para resolver um problema, outra precisa de silêncio para organizar os pensamentos. Enquanto uma demonstra amor através de palavras, outra demonstra através de atitudes. Enquanto uma quer falar imediatamente sobre aquilo que aconteceu, outra precisa de tempo. E quando não entendemos essas diferenças, podemos transformar pequenos desencontros em grandes conflitos.
Antes de responder, tente entender: Talvez possamos mudar um pouco a maneira como nos comunicamos. Em vez de pensar: “Ele não me entende.” Podemos perguntar: “Será que estou conseguindo explicar o que realmente quero dizer?” Em vez de: “Ela não me escuta.” Podemos tentar: “Será que eu também estou ouvindo o que ela está tentando me dizer?” Não significa aceitar tudo. Não significa concordar com tudo. E muito menos significa permanecer em uma conversa onde existe desrespeito. Significa apenas lembrar que uma conversa precisa de duas pessoas. Uma fala. A outra escuta. Depois a outra fala. E a primeira escuta. Quando existe espaço para os dois lados, a comunicação deixa de ser uma disputa para descobrir quem está certo e passa a ser uma tentativa de construir entendimento.
E quando mesmo assim não conseguimos nos entender? Nem sempre conseguiremos. Existem momentos em que podemos explicar de todas as formas e ainda assim o outro não compreender. Nesses momentos, talvez seja necessário respirar, dar um tempo e tentar novamente quando as emoções estiverem mais tranquilas. Porque algumas conversas não precisam de mais palavras. Precisam de mais calma. Precisam de menos defesa e mais disposição para ouvir. E talvez essa seja uma das maiores lições que a vida nos ensina: não basta falar aquilo que sentimos; precisamos aprender a falar de uma maneira que o outro consiga ouvir. Da mesma forma, não basta ouvir as palavras do outro. Precisamos tentar compreender aquilo que existe por trás delas. Porque, muitas vezes, por trás de um “estou cansada”, existe um pedido de ajuda. Por trás de um “você não liga para mim”, pode existir uma pessoa dizendo “estou sentindo sua falta”. E por trás de um silêncio, pode existir algo que ainda não conseguimos colocar em palavras.
Para refletir: Antes de terminar uma conversa hoje, experimente fazer uma pergunta: “Você entendeu o que eu quis dizer?” E quando alguém falar algo que você não compreendeu, em vez de tirar conclusões, pergunte: “Pode me explicar melhor?” Talvez você descubra que aquilo que parecia uma cobrança era apenas um pedido de carinho. Que aquilo que parecia indiferença era cansaço. Que aquilo que parecia rejeição era medo. E que aquilo que parecia uma discussão era, na verdade, duas pessoas tentando desesperadamente ser compreendidas. Comunicar-se é uma arte. E aprender a ouvir talvez seja uma das formas mais bonitas de dizer ao outro: “O que você sente é importante para mim.”
Uma pequena reflexão para levar conosco: Nem sempre precisamos falar mais alto.Às vezes precisamos falar com mais clareza.Nem sempre precisamos responder imediatamente.Às vezes precisamos ouvir mais um pouco.E nem sempre precisamos ter razão.Às vezes, preservar um relacionamento vale muito mais do que vencer uma discussão.Que possamos aprender a falar com sabedoria, ouvir com paciência e, principalmente, lembrar que do outro lado da conversa existe alguém que também carrega sentimentos, histórias e dores que nem sempre conseguimos enxergar.
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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Porque quando uma reflexão toca o coração de uma pessoa, ela pode alcançar muitas outras.





