Nem Todo Mundo Precisa Conhecer Toda a Nossa História:
Cheguei aos sessenta anos tendo vivido muita coisa. Quando olho para trás, percebo quantos livramentos o Senhor me concedeu desde a minha infância. Foram situações na adolescência, na juventude e também na vida adulta que, se eu fosse contar uma por uma, talvez não coubessem em um único livro. Quem acompanha o blog já conhece algumas dessas histórias. Outras ficaram guardadas comigo, entre lágrimas, aprendizados, perdas, recomeços e experiências que somente Deus sabe por completo. Hoje consigo entender que estamos em um processo. E não existe crescimento sem processo. Às vezes queremos chegar logo ao lugar que Deus preparou para nós, mas esquecemos que, no caminho, Ele também trabalha dentro de nós. Há coisas que aprendemos somente depois de passar por determinadas situações.Uma das coisas que a vida me ensinou é que nem todas as pessoas são tão sinceras quanto parecem.É claro que existem pessoas verdadeiras, leais e que se aproximam de nós simplesmente porque gostam de nós. Pessoas que podemos confiar e que permanecem ao nosso lado sem querer nada em troca.Mas também existem aquelas que se aproximam porque querem alguma coisa que podemos oferecer. E algumas sabem fazer isso muito bem. Elas chegam devagar.Perguntam como estamos.Demonstram preocupação.Dizem palavras de conforto e de ânimo.E quando estamos carentes de amizade, desejando encontrar alguém que nos compreenda, podemos baixar a guarda. Começamos a contar nossa história. Falamos sobre nossas dores, nossas dificuldades, nossos sonhos, nossas fragilidades e até sobre aquilo que jamais deveríamos ter contado tão cedo.E, depois, descobrimos que algumas dessas palavras foram guardadas não para nos acolher, mas para serem usadas contra nós. A ingenuidade, muitas vezes, nos faz acreditar que todo mundo possui o mesmo coração que nós. Mas não possui. Nem todos pensam como pensamos. Nem todos sentem como sentimos. Nem todos possuem as mesmas intenções. E foi preciso viver algumas coisas para aprender que nem todo mundo precisa conhecer a nossa vida por completo.Isso não significa viver desconfiando de todos.Mas significa aprender a ter discernimento.Confesso que, depois de tudo que vivi, hoje estou muito mais desconfiada do que confiante em relação às pessoas.Talvez eu esteja ficando um pouco “cauterizada”.E sei que isso também pode ser perigoso.Porque quando alguém se aproxima de nós de uma maneira parecida com alguém que nos machucou no passado, imediatamente um sinal de alerta começa a tocar:“Perigo! Cuidado!”Mas será que aquela pessoa realmente representa um perigo?Ou será que estamos apenas enxergando o presente através das feridas do passado? Essa é uma pergunta difícil.Porque existe um equilíbrio entre ser prudente e viver desconfiando de todo mundo.Se eu desconfiar de absolutamente todas as pessoas por causa daquilo que algumas fizeram comigo, posso acabar afastando justamente aquelas que Deus colocou no meu caminho para serem bênção na minha vida. Por isso, ainda estou aprendendo. A vida continua sendo uma escola.E talvez uma das maiores lições que estou aprendendo seja esta:não preciso descobrir tudo imediatamente.Não preciso entregar minha confiança de uma vez.Não preciso contar toda a minha história para alguém que acabou de chegar.Não preciso tomar decisões precipitadas. Posso observar. Posso esperar.Posso orar.Posso pedir direção a Deus.A Bíblia nos ensina a pedir sabedoria, e hoje compreendo isso de uma maneira muito diferente.
Quando não sei se devo confiar, eu posso colocar aquela pessoa, aquela situação e aquele relacionamento diante do Senhor.
Posso dizer: “Pai, eu não sei o que existe no coração dessa pessoa. Eu não sei quais são as intenções dela. Mas o Senhor sabe. Se for alguém que veio para somar, me dê discernimento para reconhecer. Se houver algo que eu precise enxergar, abra meus olhos. E, se for necessário me afastar, me dê direção para fazer isso sem medo e sem amargura.”Talvez seja isso que estou aprendendo depois de tantos anos:não colocar a carroça na frente dos bois.Não precisamos decidir tudo hoje.Nem todo mundo precisa ter acesso à nossa intimidade.Nem todo sorriso significa amizade.Mas também nem toda aproximação significa perigo.Precisamos aprender a deixar o tempo revelar aquilo que nossos olhos ainda não conseguem enxergar.E acima de tudo, precisamos confiar em Deus.Quando olho para os meus sessenta anos, vejo uma coisa que permanece em todas as fases da minha história:Deus esteve comigo.Esteve na minha infância.Esteve na minha adolescência.Esteve na minha juventude.Está na minha vida adulta.Esteve nos momentos em que eu compreendi o que estava acontecendo e também naqueles em que não compreendi absolutamente nada.Houve livramentos que eu reconheci na hora.E talvez existam outros dos quais só descobrirei quando estiver diante do Senhor.Por isso, hoje sou grata.Grata pelos livramentos.Grata pelos processos.Grata pelas pessoas que foram bênção.Grata também pelas experiências que me ensinaram a ser mais prudente.E até grata pelas vezes em que quebrei a cara, porque algumas lições só conseguimos aprender depois de vivê-las.Eu ainda estou aprendendo.Ainda estou sendo moldada.Ainda estou descobrindo o propósito de Deus para cada etapa da minha vida.Mas uma coisa eu sei:não nasci por acaso.Minha vida tem propósito.A sua também.E talvez parte desse propósito esteja justamente no processo que estamos vivendo agora.Então, se você também já confiou em alguém e se decepcionou, não permita que essa experiência transforme seu coração em uma fortaleza onde ninguém mais consegue entrar.Seja prudente, mas não perca a capacidade de amar.Tenha discernimento, mas não permita que o medo controle suas decisões.Aprenda com o passado, mas não viva presa a ele.E quando não souber em quem confiar, faça o que aprendi a fazer:coloque tudo diante do Pai.Peça sabedoria.Peça direção.Espere.Porque, às vezes, a resposta de Deus não vem através de uma grande revelação.Às vezes, ela vem simplesmente através do tempo.E o tempo revela aquilo que as palavras tentaram esconder.“Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida.”
— Tiago 1:5
Uma oração: “Senhor, depois de tantos anos de caminhada, reconheço que ainda tenho muito a aprender. Obrigada por todos os livramentos que o Senhor me concedeu e por ter estado comigo em cada fase da minha vida. Ensina-me a confiar sem ser ingênua, a ser prudente sem ser desconfiada de todos e a amar sem permitir que as pessoas ultrapassem os limites que preciso estabelecer. Dá-me sabedoria para discernir as intenções das pessoas e serenidade para não tomar decisões precipitadas. Quando o medo do passado tentar falar mais alto que a Tua voz, ajuda-me a esperar. Coloco diante de Ti meus relacionamentos, minhas dúvidas, minhas amizades e tudo aquilo que ainda não consigo compreender. Que eu não coloque a carroça na frente dos bois. Que eu saiba esperar o Teu tempo e reconhecer a Tua direção. E que, mesmo depois de tudo que vivi, meu coração continue capaz de amar, perdoar e acreditar que ainda existem pessoas sinceras e boas neste mundo. Em nome de Jesus, amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
E você? Você já passou por alguma situação em que confiou demais em alguém e depois percebeu que precisava aprender a ser mais prudente? Compartilhe sua experiência nos comentários. Talvez aquilo que você viveu possa ajudar outra pessoa que está passando pela mesma situação.
Curta, comente e compartilhe este texto.
Às vezes, uma reflexão que parece ter sido escrita para nós pode ser exatamente a palavra que outra pessoa precisava ler hoje.
Talvez você também goste de ler:
• [Como recomeçar aos 60 anos?] — Porque nunca é tarde para descobrir que ainda existem novos capítulos para viver.
• [O processo também faz parte do propósito] — Nem sempre entendemos o caminho enquanto estamos caminhando, mas Deus continua trabalhando.
• [Quando Deus cuida de nós nos pequenos detalhes] — Alguns livramentos só percebemos quando olhamos para trás.





