Tem dias que a cabeça parece não parar, o coração fica apertado e as circunstâncias gritam mais alto que a nossa fé. Nesses momentos, aprendi uma coisa simples, mas muito eficaz: mexer nas gavetas. Isso mesmo. Pegar uma por uma, tirar tudo, dobrar de novo, separar o que ainda faz sentido… e, sem nem perceber, começar a organizar também por dentro.
Outro dia acordei pensativa, meio para baixo. Então, resolvi levantar e encarar meu guarda-roupas. Com um braço só em movimento, fui aos poucos puxando as peças, colocando no colo, dobrando como dava, com calma. A cada blusa dobrada, parecia que eu também estava dobrando um pensamento bagunçado. A cada par de meias reencontrado, eu achava um pedacinho de mim que estava meio perdido. E assim, fui me distraindo — e mais que isso, fui me conectando.
Coloquei minhas músicas preferidas. Enquanto ouvia Tom Carfi cantando “Você lutou minhas guerras, mesmo eu sem merecer”, senti uma paz tomando conta de mim. Era como se Deus estivesse dizendo: “Filha, você não está sozinha. Eu continuo lutando por você.”
Depois veio “Porque Eu Te Amei”, e aquele refrão me abraçou: “Eu curei suas feridas, te dei força pra lutar”. E sabe de uma coisa? É verdade. Foi Ele quem me deu forças para levantar da cama e enfrentar, com coragem, a tarefa simples de organizar minhas coisas — mesmo com um só braço em movimento.
Enquanto dobrava uma blusa antiga, que me fez lembrar da época em que eu andava com mais facilidade, me emocionei. Mas dessa vez, não foi tristeza. Foi gratidão. Perceber o quanto já vivi, o quanto superei. E ali, entre uma peça e outra, comecei a orar.
Coloquei então Isadora Pompeo, e quando ouvi “Hey, Pai, eu tô cansada, mas eu sei que o Senhor me entende”, foi impossível conter as lágrimas. Era como se aquela música tivesse sido escrita pra mim naquele exato momento. E na sequência, veio “Ela Brilha”, me lembrando que, mesmo com as minhas marcas, limitações e dias difíceis, eu brilho sim — do meu jeito, com a luz que Deus me deu.
Organizar virou mais que uma tarefa: virou oração. Virou tempo com Deus. Um momento íntimo, só nosso.
No fim do dia, o armário estava bonito — e eu também me sentia assim: mais leve, mais centrada, mais viva. Descobri que essa “terapia das gavetas” não só distrai, como fortalece, acalma, renova a mente e o espírito.
Então, se você está aí, meio sem rumo, querendo esquecer os problemas por um instante, experimenta essa dica: abre uma gaveta. Coloca uma música que fale com sua alma. Deixa Deus entrar também nos seus cantinhos bagunçados — porque Ele é especialista em transformar a nossa bagunça em bênção.
Reflexão Final
A vida, muitas vezes, se mostra confusa como uma gaveta bagunçada — cheia de lembranças, excessos e sentimentos espalhados. Mas Deus nos convida a parar, respirar e reorganizar, não só o que está fora, mas o que está dentro. Porque Ele não desperdiça dor, nem deixa sem propósito o que estamos vivendo. Até mesmo no gesto simples de dobrar uma roupa, Ele pode nos ensinar a paciência, a gratidão e a fé.
Oração
Senhor,
Hoje eu te agradeço por estar presente nos detalhes da minha vida.
Obrigada por estar comigo até nas tarefas mais simples, por me fortalecer mesmo quando o corpo parece fraco e a alma cansada.
Entra, Pai, nas gavetas do meu coração. Tira o que já não me serve mais: a tristeza, o medo, o sentimento de incapacidade.
Me ensina a me ver com os Teus olhos e a encontrar beleza na minha jornada.
Mesmo quando eu me sentir limitada, que eu nunca me esqueça: com o Senhor, eu posso tudo.
Amém.
Com carinho,
Sandra Rochedo
Transformando Limites em Possibilidades.






