Hoje, para mim, é um dia de muitas lembranças.
Há seis anos, fui acordada pelo meu esposo com uma notícia que jamais imaginei ouvir.
Ainda sonolenta, ouvi que meu paizinho havia partido para estar com o Senhor Jesus.
Minha primeira reação foi negar.
Eu apenas dizia:
“Não… meu pai, não.”
Parece que o coração tenta proteger a alma daquilo que ela ainda não consegue suportar.
Seguimos imediatamente para a casa dele.
Ao chegar, vi a ambulância parada em frente, alguns vizinhos na calçada e, naquele instante, a realidade começou a tomar forma.
Desci do carro e encontrei minha filha mais velha vindo ao meu encontro, chorando.
Nos abraçamos sem precisar dizer uma única palavra.
Havia dores que as lágrimas já explicavam.
Entrei na casa.
Minha mãe estava sentada no sofá, abatida.
Minha irmã permanecia ao seu lado.
Perguntei onde estava meu pai. Eu precisava vê-lo. Precisava ter certeza.
Ele estava deitado em sua cama enquanto o médico examinava seu corpo.
Sua expressão era de uma serenidade indescritível.
Parecia apenas estar dormindo.
Deitei-me ao lado dele por alguns instantes.
Não queria acreditar que aquele seria nosso último momento ali, juntos.
Permaneci em silêncio até que o enfermeiro, com todo respeito, pediu que eu saísse para preparar seu corpo.
Foi uma das despedidas mais difíceis da minha vida.
Logo depois veio outra missão dolorosa:
avisar minha filha que mora em Portugal.
Ela sempre foi muito ligada ao avô.
Liguei para o meu genro e pedi que fosse ele quem lhe desse a notícia.
Eu simplesmente não tinha forças para encontrar palavras.
Enquanto isso, a casa foi sendo tomada por familiares, amigos e vizinhos.
E, mesmo rodeados de pessoas, existe uma dor que cada um precisa aprender a carregar dentro do próprio coração.
Meu pai foi um paizão.
Sempre foi meu amigo, meu porto seguro.
Andávamos abraçados pelas ruas sem qualquer vergonha.
Hoje percebo que aqueles abraços eram presentes que Deus já estava me dando para guardar na memória.
Foi um avô extraordinário.
Aliás, tão extraordinário que seus netos nem o chamavam de “vovô”. Chamavam de “Pai”.
Isso diz muito sobre o amor que ele plantou em nossa família.
Ele era amado por todos.
Seu aniversário, no dia 24 de dezembro, transformava nossa casa em um lugar ainda mais especial.
Celebrávamos o Natal e também a vida dele.
A casa ficava cheia.
Filhos, genros, nora, netos, bisnetos, irmãos, cunhados, amigos, vizinhos...
Era uma alegria contagiante.
Não faltavam as risadas, as músicas altas, suas frases marcantes, o tradicional bolo de abacaxi — seu preferido —, as músicas do Zeca Pagodinho e, claro,e “Então é Natal”, na voz da Simone, que fazia parte das nossas comemorações.
Hoje, o silêncio tomou o lugar daquela festa.
Mas as lembranças continuam vivas.
A saudade ainda aperta, porque quem ama sente falta.
A saudade é o preço que pagamos por termos vivido um amor verdadeiro.
E, apesar das lágrimas, existe algo que sustenta meu coração:
a certeza de que a morte não teve a última palavra.
Para aqueles que pertencem ao Senhor, a despedida é apenas um até breve.
Eu sei que chegará o dia em que estaremos todos reunidos novamente, não mais em uma mesa de Natal, mas diante do trono do nosso Salvador.
Ali não haverá despedidas.
Não haverá lágrimas.
Não haverá saudade.
Haverá apenas alegria eterna na presença de Jesus.
Enquanto esse dia não chega, sigo agradecendo a Deus pelo privilégio de ter sido filha de um homem tão especial.
Meu paizinho deixou saudades, mas também deixou um legado de amor, união e família que jamais será apagado pelo tempo.
E isso ninguém pode tirar de nós.
Versículo:
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.”
Apocalipse 21:4
Oração:
“Senhor, hoje meu coração sente saudade. Obrigada pelo privilégio que tive de viver tantos momentos felizes ao lado do meu pai. Obrigada pelo amor, pelos ensinamentos, pelos abraços e por todas as lembranças que permanecem vivas em minha memória.
Nos dias em que a saudade aperta, fortalece meu coração e renova em mim a esperança do reencontro prometido aos que pertencem a Ti. Consola todos aqueles que também choram pela ausência de alguém que amam e lembra-nos de que, em Cristo, a morte não é o fim, mas o início da vida eterna.
Que eu continue honrando o legado que meu pai deixou, vivendo com amor, fé e gratidão.
Em nome de Jesus.
Amém.”
Com carinho,
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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