Prometer é opcional, cumprir é caráter:

Sandra Rochedo

Aprendi isso na pele.

Não foi apenas ouvindo conselhos ou refletindo teoricamente, mas vivendo situações que me ensinaram o peso real das palavras.

Um amigo sempre dizia algo que ficou gravado em mim:“Prometer é opcional, mas cumprir é obrigatório.”

Com o tempo, entendi o quanto essa frase é profunda. Prometer nunca foi uma obrigação. Ninguém é forçado a dizer “eu vou”, “pode contar comigo” ou “deixa comigo”. A promessa nasce de uma escolha pessoal. Mas, uma vez feita, ela deixa de ser apenas uma frase e se transforma em compromisso.

O problema é que, muitas vezes, prometemos sem refletir. Prometemos por empolgação, por educação, por medo de decepcionar ou simplesmente porque achamos que “não custa nada”. Em outros momentos, prometemos sem real intenção de cumprir, acreditando que o outro não se importaria tanto assim se não acontecesse.

Mas se importar, importa.

Quando uma promessa não é cumprida, ela não se desfaz no ar. Ela cai sobre alguém. Alguém que criou expectativa, que confiou, que se organizou emocionalmente ou praticamente em cima daquilo que foi dito. Quem recebe uma promessa recebe, junto com ela, esperança e segurança. Quando o cumprimento não vem, o que sobra muitas vezes é frustração, confusão e dor silenciosa.

Aprendi também que se arrepender de ter prometido não apaga o impacto causado. Achar depois que “não era tão importante” não diminui o peso que aquela palavra teve para quem ouviu. O silêncio, a justificativa ou o esquecimento não anulam o efeito da promessa quebrada.

E é aqui que somos levadas a uma reflexão mais profunda.

A Palavra nos ensina que fomos criadas à imagem e semelhança de Deus. Quando olhamos para Jesus, vemos alguém absolutamente fiel. Ele nunca prometeu algo que não pretendia cumprir. Nenhuma palavra dita por Ele caiu por terra. Mesmo quando o cumprimento não foi imediato, nunca deixou de ser certo.

Deus não promete por impulso.
Deus não promete para agradar.
Deus não promete sem compromisso.

Se fomos criadas à Sua imagem, somos chamadas a refletir esse caráter também nas nossas atitudes diárias. Ser semelhante a Cristo não é apenas falar sobre fé, mas viver uma fé coerente. É alinhar palavras e ações. É aprender a dizer menos “eu prometo” e mais “vou pensar se realmente posso cumprir”.

Às vezes, o ato mais amoroso não é prometer ajuda, mas ser honesta:
“Agora não consigo.”
“Não posso assumir isso.”

“Prefiro não prometer para não falhar.”

Isso também é maturidade espiritual. Isso também é cuidado com o outro.

Cumprir promessas constrói confiança. Quebrá-las, mesmo sem intenção, enfraquece relações. E Deus se importa profundamente com a forma como lidamos uns com os outros, porque Ele sabe que palavras têm peso e atitudes deixam marcas.

Que aprendamos a pensar antes de prometer, a assumir responsabilidade quando falhamos e a buscar, dia após dia, um caráter mais parecido com o de Cristo. Que o nosso “sim” seja consciente — e, quando dito, seja honrado.

Porque cumprir o que prometemos não é apenas uma questão de ética. É um testemunho vivo da fé que dizemos professar.

Oração:

Senhor,
ensina-nos a ter sabedoria antes de prometer e caráter para cumprir.
Guarda nossos lábios de palavras vazias e nosso coração de atitudes impensadas.
Ajuda-nos a sermos mais parecidas Contigo, não apenas no que dizemos, mas no que vivemos.
Quando falharmos, dá-nos humildade para reconhecer, corrigir e aprender.
Que o nosso sim seja verdadeiro, e que a nossa vida reflita a Tua fidelidade.
Amém.”

Pastora Sandra Maria de Souza Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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