Quando o mundo ainda não está pronto, mas a gente sim
Se eu pudesse te deixar só um pensamento hoje, seria esse: pare um pouquinho e olhe ao redor… será que os espaços que você frequenta acolhem a todos? Será que alguém com limitações físicas conseguiria entrar, circular, participar? Será que, mesmo sem perceber, a gente não está fechando portas para quem só quer viver como qualquer outra pessoa? E afinal Acessibilidade é Direito?
Acessibilidade é mais do que uma rampa — é respeito, é empatia, é o reconhecimento de que todos nós temos o direito de estar, de ser e de pertencer.
E olha… eu continuo aqui, firme, mesmo quando o mundo parece esquecer que eu existo. Porque, com amor, fé e um empurrãozinho da coragem que Deus me dá todos os dias, eu vou abrindo caminhos. E você, que me lê agora, também pode ser parte dessa transformação.
O que mais nos limita não é o corpo, são os espaços
Já reparou como, às vezes, o maior obstáculo não está no nosso corpo, mas nos ambientes ao nosso redor?
Desde que minha jornada com limitações físicas começou, aprendi a enxergar o mundo com outros olhos. Rampas que mais parecem escorregadores, calçadas cheias de buracos, banheiros adaptados que só existem na teoria, portas estreitas demais, degraus invisíveis para quem projeta… São detalhes que muitas vezes passam despercebidos por quem nunca precisou enfrentá-los.
Nos shoppings, por exemplo, é maravilhoso saber que temos carrinhos elétricos à disposição. É uma sensação de liberdade poder circular sem depender de ninguém. Mas basta querer entrar em uma loja para o encantamento dar lugar à frustração: muitas não têm espaço para a locomoção desses carrinhos. Não consigo entrar para ver o interior das lojas — e, mais uma vez, sou colocada do lado de fora, literalmente.
Nas ruas, então… a história se repete com um pouco mais de dureza. A maioria dos lugares ainda não tem acessibilidade. O que predomina são degraus, não rampas. E calçadas esburacadas, que tornam impossível me locomover mesmo com cadeira de rodas. A impressão é que cadeirante não faz parte da sociedade. Como se o direito de ir e vir tivesse uma condição: ser totalmente independente fisicamente. E isso machuca.
Acessibilidade transforma vidas — inclusive a sua
Mas sabe de uma coisa? Apesar de tudo isso, eu sigo. Porque, ainda que o mundo não esteja pronto para me receber como sou, eu estou pronta para viver. Estou pronta para sonhar, rir, amar, ocupar espaços e mostrar que minha existência é válida. Não sou menos porque ando sobre rodas. Sou mais forte, mais criativa, mais determinada.
Já enfrentei escadas sem corrimão, lojas sem elevador, restaurantes sem acesso — e mesmo assim, não deixei de viver momentos lindos. Com bom humor e a ajuda de quem está ao meu lado, sigo em frente. Porque mais do que reclamar, eu quero transformar. E acredito que compartilhar minha experiência é uma forma de plantar sementinhas por aí.
Acessibilidade é um direito, não um favor. E quando ela é respeitada, todos ganham. Porque um mundo acessível não é só melhor para quem tem limitações — é mais gentil, mais empático, mais justo para todos.
Para terminar, um convite a pensar em acessibilidade
Que a gente continue transformando limites em possibilidades. Que cada porta aberta (literalmente!) seja também uma abertura de consciência. E que, um dia, possamos olhar ao redor e ver um mundo verdadeiramente preparado — não só para nos receber, mas para nos acolher.
“O Senhor firma os passos de um homem, quando a conduta deste o agrada; ainda que tropece, não cairá, pois o Senhor o toma pela mão.”
(Salmos 37:23-24)
Depois que terminar este texto, te convido a conhecer A vida não vem com manual. Pode te surpreender.
E você, o que pensa sobre a acessibilidade no nosso dia a dia? Deixe sua opinião nos comentários — sua experiência pode inspirar outras pessoas!
Com carinho e esperança,
Sandra Rochedo
Transformando limites em possibilidades






