Sim, eu uso fralda calcinha. E daí?
Tem assuntos que a gente demora para falar. Não porque sejam tão graves assim, mas porque fomos ensinadas a ter vergonha de certas coisas que fazem parte da vida. Hoje eu quero falar de um deles. Fralda tipo calcinha. Sim, eu uso. E daí? Depois de algumas mudanças que aconteceram no meu corpo, principalmente depois dos AVCs, percebi que nem sempre consigo controlar minha bexiga como antes. A urgência pode aparecer de repente. Às vezes estou tranquila, conversando, dando risada, escrevendo ou simplesmente vivendo meu dia, e de repente vem aquela sensação conhecida: “Preciso ir ao banheiro. Agora!” E nem sempre dá tempo. Por muito tempo, talvez eu pudesse ter encarado isso como uma vergonha. Mas hoje eu prefiro enxergar de outra maneira. A fralda calcinha não define quem eu sou. Ela não diz que deixei de ser mulher. Não diz que deixei de ser vaidosa. Não diz que fiquei velha. Não diz que sou menos capaz. Ela simplesmente é um recurso que me ajuda a continuar vivendo. E quer saber? Eu prefiro sair de casa preparada do que deixar de sair por medo de passar vergonha. Prefiro colocar minha fralda calcinha e ir tomar um café, visitar alguém, passear, viajar, ir à igreja ou resolver minhas coisas do que ficar presa dentro de casa preocupada com o que pode acontecer. Porque a vida continua. E eu também.
A gente precisa parar de esconder aquilo que precisa ser cuidado: Talvez existam muitas mulheres maduras vivendo exatamente isso em silêncio. Mulheres que têm vergonha de comprar uma fralda. Mulheres que escondem o pacote dentro da sacola. Mulheres que evitam viagens. Que recusam passeios. Que deixam de rir à vontade. Que ficam preocupadas quando alguém diz: “Vamos sair?” Porque, por trás daquele convite, existe uma preocupação que ninguém vê: “Será que vou encontrar um banheiro a tempo?” E eu quero dizer para essa mulher: Você não precisa ter vergonha. Seu corpo mudou? Tudo bem. Você precisa de um recurso para se sentir mais segura? Use. Você precisa de ajuda? Peça. Você precisa adaptar algumas coisas da sua rotina? Adapte. Isso não diminui você. Pelo contrário. Existe muita força em reconhecer aquilo que precisamos e encontrar maneiras de continuar vivendo.
E tem uma coisa que aprendi… A maturidade vai nos ensinando que nem tudo precisa ser perfeito para ser vivido. A gente aprende a carregar uma bolsa diferente. A colocar um remédio dentro dela. A levar uma garrafinha de água. A escolher uma roupa mais confortável. A procurar o banheiro assim que chega a um lugar. E, sim… A colocar uma fralda tipo calcinha quando for necessário. Isso não precisa ser motivo de constrangimento. Pode ser simplesmente cuidado. Cuidado com o corpo. Cuidado com a nossa tranquilidade. Cuidado com a nossa liberdade. E principalmente: cuidado para que uma limitação não se transforme em uma prisão. Eu continuo sendo Sandra. Continuo gostando de escrever. Continuo sonhando. Continuo fazendo planos. Continuo querendo conhecer lugares. Continuo rindo. Continuo me arrumando. Continuo tendo histórias para contar. A fralda está comigo. Mas ela não é quem eu sou. E talvez essa seja a mensagem que eu gostaria de deixar para tantas mulheres: Não deixe uma mudança do seu corpo fazer você esquecer a mulher que existe dentro de você. Cuide-se. Adapte-se. Procure ajuda quando precisar. Mas não pare de viver. Porque a nossa história não termina quando o corpo começa a exigir alguns cuidados diferentes. Às vezes, ela apenas ganha novos capítulos.
🙏 Oração: “Senhor, ajuda-nos a olhar para o nosso corpo com mais carinho e menos cobrança. Ensina-nos a aceitar as mudanças da vida sem perder a alegria de viver. Que nenhuma mulher se sinta inferior por precisar de um cuidado diferente, de uma adaptação ou de um recurso para continuar sua caminhada. Dá-nos sabedoria para cuidar de nós mesmas e coragem para não permitir que a vergonha nos impeça de viver. E que possamos envelhecer entendendo que cada fase da vida tem sua beleza, seus desafios e também suas histórias para contar. Amém.”
📖 Versículo: “Porque tu formaste o meu interior, tu me teceste no ventre de minha mãe.” Salmos 139:13
Deus conhece o nosso corpo, nossas limitações, nossas lágrimas e também nossas conquistas. Ele conhece a mulher que existe por trás de todas as mudanças. E continua cuidando dela.
Com carinho,
Sandra Rochedo, Blog SR Testemunhos – Transformando Limites
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💗 Indicações do SR Testemunhos:
🌷 “Antes do diagnóstico, existe uma pessoa” – porque nenhuma condição deve apagar a mulher que existe por trás dela.
🌷 “Pegando de volta o controle da minha vida” – porque limitações não precisam significar desistência.
🌷 “Não permita que as pessoas te subestimem” – porque aquilo que mudou no nosso corpo não diminui o nosso valor.





