Quando percebi que aquilo que eu chamava de distração era o meu trabalho:
Por muito tempo, eu não enxerguei o que faço no blog como trabalho. Quando comecei a escrever, a intenção era outra. Eu escrevia porque precisava colocar para fora algumas coisas que estavam dentro de mim. Escrever me fazia bem. Era como organizar pensamentos, lembranças, sentimentos e experiências que, muitas vezes, eu mesma ainda estava tentando compreender. Depois de tudo o que vivi ao longo desses anos, principalmente depois das limitações que ficaram para mim, escrever foi se tornando uma maneira de olhar para a minha própria história com outros olhos. Eu pegava papel e caneta, porque continuo gostando disso, e começava a escrever. Não pensava em produtividade. Não pensava em trabalho. Não pensava em números. Era simplesmente algo que me fazia bem. Eu achava que era uma distração. E talvez tenha sido justamente por isso que demorou tanto para eu perceber o valor que havia naquele trabalho. A gente também precisa aprender a reconhecer o próprio trabalho Existe uma ideia de trabalho que ficou muito marcada dentro de nós. Trabalho é sair de casa cedo, enfrentar trânsito, pegar ônibus, chegar ao escritório, bater ponto, cumprir horário, voltar cansada para casa. Durante muito tempo, talvez eu também tenha pensado assim. Então, quando comecei a passar mais tempo em casa e encontrei na escrita uma atividade que me fazia bem, não consegui enxergar aquilo como trabalho. Era uma distração. Era uma coisa que eu gostava de fazer. Era o meu cantinho. Era o meu computador, meu papel, minha caneta e meus pensamentos. Só que o tempo foi passando. O blog foi crescendo. As pessoas começaram a responder aos meus textos. Começaram a dizer que se identificavam, que determinada reflexão tinha falado com elas, que uma história tinha ajudado, que uma palavra chegou na hora certa. E eu comecei a olhar para tudo aquilo de uma maneira diferente. Pensei: “Espera aí… aquilo que eu faço tem valor.” Foi uma descoberta simples, mas muito importante para mim. Porque uma coisa é fazer algo apenas para passar o tempo. Outra coisa é dedicar tempo, criatividade, atenção, responsabilidade e amor a algo que alcança outras pessoas. Foi então que comecei a entender que eu estava trabalhando.
Trabalho também pode nascer dentro de casa: Hoje eu consigo olhar para o meu cantinho de escrita e enxergar de outra maneira. Ali não está apenas uma mulher passando algumas horas do dia diante de um computador. Ali existe uma mulher trabalhando. Eu penso nos assuntos. Escrevo. Releio. Mudo uma frase. Procuro uma palavra melhor. Penso em quem vai ler. Penso na imagem. Penso no título. Penso na mensagem que quero deixar. Depois publico e acompanho as pessoas chegando. Isso também é trabalho. E talvez essa percepção tenha me feito tão bem justamente porque eu mesma precisava reconhecer isso. Às vezes esperamos que outras pessoas reconheçam o nosso valor, quando, na verdade, somos nós que precisamos começar a enxergá-lo primeiro. Não estou dizendo que o blog deixou de ser prazeroso porque passou a ser trabalho. Pelo contrário. Talvez eu esteja gostando ainda mais porque agora consigo entender que aquilo que me fazia bem também pode ter propósito. Não é porque eu estou em casa que não estou trabalhando Essa frase parece simples, mas para mim teve um peso enorme. Durante muito tempo, talvez eu tenha associado trabalho àquilo que acontece fora de casa. Hoje penso diferente. Existem trabalhos que acontecem dentro de casa. Existem mulheres trabalhando enquanto cuidam da família. Existem pessoas trabalhando diante de um computador. Existem profissionais que trabalham com as mãos. Outras trabalham com a voz. Outras com a
profissionais que trabalham com as mãos. Outras trabalham com a voz. Outras com a criatividade. Outras com aquilo que aprenderam ao longo da vida. E existem pessoas que, como eu, descobriram que suas experiências também podem se transformar em palavras capazes de alcançar alguém. O lugar onde trabalhamos não determina o valor do nosso trabalho. E as limitações que temos também não determinam o tamanho daquilo que ainda podemos construir. Eu precisei viver muita coisa para compreender isso.
Talvez eu não tenha começado tarde: Às vezes fico pensando: “Como demorei tanto para perceber?” Mas talvez eu esteja olhando para isso da maneira errada. Talvez eu não tenha percebido antes porque ainda estava descobrindo o que aquela escrita significava para mim. Primeiro ela foi um refúgio. Depois virou uma forma de organizar a minha história. Depois se transformou em testemunho. E, aos poucos, tornou-se também trabalho. Talvez cada etapa tivesse seu tempo. Hoje, quando sento para escrever, não vejo apenas uma atividade que me distrai. Vejo responsabilidade. Vejo propósito. Vejo dedicação. E vejo uma parte de mim que continua viva, criativa e disposta a produzir, mesmo depois de tantas coisas terem mudado pelo caminho. Deus também pode usar aquilo que temos nas mãosQuando penso nisso, lembro de uma coisa muito simples: Deus muitas vezes começa com aquilo que já temos. Moisés tinha uma vara. Davi tinha uma funda. A viúva tinha apenas um pouco de azeite. E eu tinha histórias, experiências, papel, caneta e vontade de escrever. Talvez eu tenha demorado para entender que algumas coisas que eu considerava pequenas poderiam se transformar em algo maior. Não porque eu seja especial. Mas porque aquilo que colocamos nas mãos de Deus pode ganhar um propósito que nem imaginávamos. Hoje eu agradeço pelo meu cantinho. Agradeço pelo computador. Agradeço pelo papel e pela caneta. Agradeço por cada pessoa que lê. Agradeço por cada comentário. Agradeço até pelas palavras que me fazem pensar e melhorar. E agradeço porque, depois de tantos anos acreditando que precisava encontrar uma forma de voltar a ser produtiva como antes, descobri que talvez eu não precisasse voltar a ser quem eu era. Eu precisava descobrir quem eu poderia ser agora. E aqui estou. Escrevendo. Trabalhando. Aprendendo. Vivendo. E testemunhando.
Uma palavra para você: Talvez você também esteja fazendo alguma coisa hoje e chamando de distração aquilo que pode ser uma habilidade. Talvez você esteja fazendo artesanato. Cozinhando. Escrevendo. Vendendo alguma coisa. Ensinando. Cuidando de alguém. Criando. Estudando. Ou simplesmente usando uma habilidade que passou anos escondida dentro de você. Não tenha vergonha de reconhecer o valor daquilo que você faz. Nem todo trabalho precisa ter a mesma aparência. Nem toda realização acontece da mesma maneira. E não permita que as suas limitações façam você esquecer das suas possibilidades. Eu demorei para entender isso. Mas hoje, quando olho para o meu trabalho, sinto uma alegria diferente. Porque aquilo que um dia chamei de distração hoje eu reconheço como parte da minha vida, da minha reconstrução e também do meu trabalho. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que a maturidade nos ensina: não precisamos provar para o mundo que somos capazes o tempo todo. Às vezes, precisamos apenas olhar para nós mesmas e finalmente reconhecer: “Eu ainda tenho muito a oferecer .”E eu tenho. Enquanto houver histórias para contar, aprendizados para compartilhar e alguém precisando de uma palavra, continuarei escrevendo. Com papel, caneta, computador e coração. Porque agora eu sei: eu não estou apenas passando o tempo. Eu estou trabalhando. E isso me fez muito bem perceber.
Oração: “Senhor,
obrigada por me ensinar a enxergar valor naquilo que faço. Durante muito tempo, eu mesma não reconheci algumas das capacidades que o Senhor deixou em mim. Achei que determinadas coisas eram apenas distração, quando talvez fossem caminhos que o Senhor estava usando para me reconstruir. Ajuda-me a não diminuir aquilo que faço. Ensina-me a reconhecer os meus dons, respeitar os meus limites e continuar produzindo aquilo que pode fazer bem a outras pessoas. Que eu nunca me esqueça de que a minha história ainda pode servir de testemunho. E que aquilo que hoje está nas minhas mãos, por menor que pareça, possa continuar sendo usado para um propósito maior. Amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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Você pode estar chamando de distração aquilo que Deus está usando como propósito.
Para continuar no S R Testemunhos:
🌷 [Quando a vida muda os nossos planos, mas não acaba com os nossos sonhos]
🌷 [Recomeçar também é uma forma de coragem]
🌷 [Recomeçar também é uma forma de coragem][Recomeçar também é uma forma de coragem]






Louvado seja o Senhor por sua sensibilidade a ação do Espirito Santo. Eu sonhei por ouvir você dizer isso. Muito feliz de ver que eu estava certo. Um dia ela vai reconhecer o que pode ser seu Blog. Te amo!