Uma cama quentinha também é motivo para agradecer:
Hoje Curitiba resolveu mostrar que não está para brincadeira. 😂
O frio já estava daqueles de fazer a gente procurar uma blusa atrás da outra, colocar meia, coberta e pensar duas vezes antes de sair de casa. E agora, para completar, começou a cair granizo. Eu até brinquei pensando que Curitiba não quer ser apenas Europa. Agora está querendo experimentar um pouquinho dos Estados Unidos também. 😂 Mas, no meio da brincadeira, comecei a pensar em uma coisa que não consegui mais tirar da cabeça. E quem está na rua?
Enquanto nós podemos fechar a janela, fechar a porta e reclamar do frio dentro de uma casa protegida, existem pessoas que não têm essa possibilidade. Elas não têm uma porta para fechar. Não têm uma cama para onde voltar. Não têm uma coberta esperando por elas. Não têm a certeza de que poderão tomar um banho quente, vestir uma roupa seca e se deitar protegidas do frio, da chuva e do granizo. E isso me fez pensar em quantas vezes reclamamos justamente das coisas que, para outra pessoa, seriam um motivo enorme de gratidão. Às vezes reclamamos porque a casa está fria. Mas temos uma casa. Reclamamos porque está chovendo. Mas estamos debaixo de um teto. Reclamamos porque precisamos levantar para preparar alguma coisa para comer. Mas temos alimento. Reclamamos porque precisamos tomar banho e trocar de roupa. Mas temos água, banheiro, toalha e roupas limpas. Reclamamos porque a cama não está tão confortável quanto gostaríamos. Mas existe uma cama. E talvez seja justamente nos dias mais frios que Deus nos ensine a olhar para aquilo que temos com outros olhos. Uma cama quentinha não é apenas uma cama. É uma bênção. Uma coberta não é apenas uma coberta. É proteção. Um prato de comida não é apenas uma refeição. É provisão. Uma casa não é apenas paredes. É abrigo. E poder tomar um banho quente depois de passar o dia inteiro fora pode parecer uma coisa simples, mas não é para todo mundo. Por isso, hoje eu não quero apenas reclamar do frio. Quero agradecer. Agradecer a Deus pelo teto que tenho, pela cama onde posso descansar, pela coberta que me aquece, pelo alimento que chega à minha mesa, pela água quente, pelas roupas que posso vestir e por ter um lugar para me proteger quando o tempo lá fora fica difícil. Mas também quero pedir a Deus que não permita que a minha gratidão termine em mim mesma. Porque agradecer pelo que temos também deveria nos tornar mais sensíveis àquilo que falta na vida de outras pessoas. Talvez eu não consiga resolver a situação de quem está nas ruas. Talvez eu não possa mudar a história de todas essas pessoas. Mas posso olhar com mais humanidade. Posso não julgar. Posso ajudar quando estiver ao meu alcance. Posso doar uma roupa que está parada no armário. Posso compartilhar um alimento. Posso contribuir com quem trabalha ajudando essas pessoas. Posso oferecer uma palavra de respeito. E, principalmente, posso pedir a Deus que me dê um coração que não se acostume com a dor do outro. Porque uma das coisas mais perigosas que pode acontecer conosco é vermos o sofrimento tantas vezes que ele deixa de nos tocar. Que o frio de Curitiba hoje não seja apenas motivo para colocarmos mais uma blusa. Que ele também aqueça dentro de nós uma consciência diferente. A consciência de que somos privilegiados quando temos um lugar para voltar. Que somos abençoados quando temos alimento. Que somos cuidados quando podemos dormir em segurança. E que tudo aquilo que recebemos de Deus também pode se transformar em cuidado para alguém. A Bíblia
nos ensina: “Aquele que se compadece do pobre empresta ao Senhor, que lhe retribuirá o benefício.” — Provérbios 19:17
Então, nesta noite fria, antes de reclamar que está gelado demais, talvez seja bom olhar para nossa cama, puxar a coberta e dizer: “Obrigada, Senhor.” Obrigada pelo teto. Obrigada pela cama. Obrigada pela coberta. Obrigada pelo alimento. Obrigada pela água quente. Obrigada pela roupa. Obrigada pela segurança. Obrigada por tudo aquilo que muitas vezes considero tão normal, mas que é uma bênção enorme.E, Senhor, enquanto eu agradeço pelo que tenho, não permita que eu me esqueça de quem não tem. Que a minha gratidão produza compaixão. Que a minha compaixão produza atitude. E que eu nunca esteja tão confortável dentro da minha própria casa a ponto de deixar de enxergar quem está sofrendo do lado de fora.Porque talvez uma das formas mais bonitas de agradecer a Deus pelas bênçãos que recebemos seja permitir que, através de nós, outra pessoa também experimente um pouco do cuidado que Ele tem por nós.
Oração: “Senhor, nesta noite fria, eu quero simplesmente Te agradecer. Obrigada pelo teto sobre a minha cabeça, pela cama onde posso descansar, pela coberta que me aquece, pelo alimento, pela água, pelas roupas e por todas as coisas que muitas vezes parecem pequenas, mas são grandes presentes da Tua graça. Perdoa-me pelas vezes em que reclamei sem perceber o quanto já tenho. E, principalmente, Senhor, não permita que eu me torne indiferente ao sofrimento de quem está nas ruas. Olha por essas pessoas. Protege-as do frio, da chuva e de todo perigo. Levanta pessoas dispostas a ajudar e abre caminhos para que elas encontrem abrigo, alimento, dignidade e novas oportunidades. E coloca em mim um coração sensível, capaz de agradecer pelo que recebo e repartir quando puder. Que eu nunca me esqueça de que aquilo que para mim parece simples pode ser uma grande bênção para outra pessoa. Em nome de Jesus, amém.”
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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Para continuar refletindo:
- Quando foi que você percebeu que precisava aprender a agradecer pelo que já tinha?
- Nem tudo está sob o nosso controle, mas Deus continua cuidando
- Gratidão: aprender a enxergar as bênçãos que já estão dentro de casa





