Às vezes eu tenho a impressão de que algumas pessoas olham para mim e pensam que, porque meu corpo passou a ter algumas limitações, minha mente também parou. É engraçado, porque às vezes dá vontade de rir. A pessoa olha para a minha dificuldade física e parece esquecer que, dentro desse corpo que precisa de mais cuidado, existe uma mente que continua funcionando, pensando, criando, sonhando, questionando e, principalmente, querendo viver. Meu corpo mudou. Minha maneira de fazer algumas coisas mudou. Algumas atividades que antes eram simples passaram a exigir mais esforço, mais tempo ou até a ajuda de alguém. Mas a minha capacidade de pensar não ficou para trás. E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de explicar para quem nunca precisou conviver com uma limitação física: uma limitação no corpo não significa uma limitação na pessoa inteira. Eu continuo tendo ideias. Continuo querendo aprender. Continuo fazendo planos. Continuo me emocionando. Continuo observando as pessoas e as situações ao meu redor. Continuo escrevendo. Continuo tendo sonhos. E continuo fazendo planos para o futuro. Aliás, às vezes acho que minha mente deveria ganhar um botão de desligar. Porque ela não para! Estou fazendo uma coisa e penso em outra. Vejo uma situação e já nasce uma reflexão. Acontece alguma coisa simples durante o dia e, de repente, penso: “Isso daria um texto para o blog.” E assim, de uma conversa, de um acontecimento, de uma lembrança, de uma dor ou até de um pedaço de bolo, nasce uma história. Então, quando alguém olha apenas para aquilo que meu corpo consegue ou não consegue fazer, talvez esteja enxergando somente uma pequena parte de mim. Eu sou muito mais do que as minhas limitações. E acredito que isso vale para muitas pessoas. Talvez você conheça alguém que utiliza uma cadeira de rodas, alguém que tem dificuldade para caminhar, alguém que perdeu parte dos movimentos, alguém que possui uma deficiência ou simplesmente alguém que passou por alguma mudança física que alterou sua maneira de viver. Antes de concluir que aquela pessoa “não consegue”, talvez seja melhor perguntar: “Como posso ajudar?” Porque existe uma diferença enorme entre ajudar alguém e decidir por alguém. Existe uma diferença entre reconhecer uma limitação e transformar aquela limitação na identidade da pessoa. Nós não somos aquilo que o nosso corpo deixou de conseguir fazer. Somos também aquilo que continuamos sendo capazes de pensar, sentir, criar, amar e sonhar. E talvez uma das maiores injustiças seja quando as pessoas começam a tratar alguém como incapaz antes mesmo de conhecer sua capacidade. Eu mesma, às vezes, fico ansiosa querendo voltar a fazer determinadas coisas como antes. Quero recuperar movimentos, quero ter mais autonomia, quero poder fazer determinadas coisas sem precisar depender de ninguém. E isso é legítimo. Mas também estou aprendendo uma coisa importante: não preciso esperar que meu corpo volte a ser exatamente como era para reconhecer que continuo sendo uma pessoa inteira. Eu não preciso provar o tempo todo que sou capaz. Também não preciso fingir que as limitações não existem. Elas existem. Mas elas não são tudo o que existe em mim. Meu corpo encontrou novos limites, mas minha mente continua encontrando novos caminhos. E talvez seja justamente isso que eu precise lembrar nos dias em que fico frustrada comigo mesma: eu não deixei de ser quem sou porque meu corpo mudou. Continuo sendo a mulher que pensa, que sente, que escreve, que ri, que se irrita, que faz planos, que tem sonhos e que ainda quer viver muitas coisas. E se alguém olhar para mim e enxergar apenas as minhas limitações, tudo bem. Eu não posso controlar aquilo que os outros enxergam. Mas posso escolher não enxergar a mim mesma através dos olhos deles.
Uma reflexão: Quantas vezes reduzimos uma pessoa àquilo que ela não consegue fazer? Talvez seja hora de olhar além da limitação. Além da cadeira. Além da bengala. Além da dificuldade. Além da aparência. Existe uma pessoa ali. Uma história. Uma mente. Sentimentos. Sonhos. Desejos. E uma vida que continua acontecendo.
Uma pequena oração: “Senhor, ajuda-me a nunca esquecer quem eu sou diante das minhas limitações. Quando eu olhar para aquilo que não consigo fazer, lembra-me de tudo aquilo que ainda posso fazer. Dá-me paciência para respeitar o tempo do meu corpo e sabedoria para não permitir que minhas limitações definam o valor da minha vida. Que eu continue tendo sonhos, criando, aprendendo, sorrindo e encontrando novos caminhos. E, principalmente, Senhor, ensina-me a olhar para mim mesma com os mesmos olhos de amor com que desejo que os outros me enxerguem. Amém.”
Para guardar no coração: Meu corpo pode ter aprendido novos limites, mas minha mente nunca deixou de pensar, criar, sonhar e querer viver.
Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.
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Lindo texto para que possamos refletir …muito emocionante…
obrigada lindona, sempre escrevo coisas do meu dia a dia
tem muito mais, é só clicar em categorias, escolher um texto ver se gosta, curte e comenta e compartilha pra mim, bjinhos
Lindo texto para reflexão, muito emocionante…