Reencarnação: o que o Espiritismo ensina e o que a Bíblia diz sobre isso?

Quando começamos a conhecer uma religião diferente da nossa, existem alguns assuntos que inevitavelmente despertam curiosidade. No caso do Espiritismo, um dos principais é a reencarnação.Muitas pessoas já ouviram falar sobre ela, algumas acreditam, outras têm dúvidas e outras simplesmente não sabem exatamente o que a Doutrina Espírita ensina sobre o assunto.Por isso, antes de concordarmos ou discordarmos, precisamos primeiro entender.

O que é reencarnação para o Espiritismo? De maneira resumida, a Doutrina Espírita ensina que o Espírito é imortal e que, depois da morte do corpo físico, continua existindo. Em determinado momento, esse Espírito retornaria à vida corporal por meio de um novo nascimento, em outro corpo. Esse processo poderia acontecer diversas vezes. A ideia está relacionada à evolução espiritual. Segundo essa compreensão, a existência de uma pessoa não estaria limitada a uma única vida. As experiências vividas em diferentes encarnações fariam parte de um processo de aprendizado e aperfeiçoamento do Espírito. Assim, dificuldades, provas, oportunidades e experiências da vida poderiam estar relacionadas à trajetória espiritual daquele indivíduo. Para o pensamento espírita, a reencarnação também ajuda a explicar diferenças existentes entre as pessoas e determinadas situações da vida. Mas aqui precisamos fazer uma pausa. Porque essa explicação é diferente da compreensão cristã tradicional baseada na Bíblia.

E o que a Bíblia diz? Na Bíblia, encontramos uma compreensão diferente sobre a vida, a morte e o destino humano. O ser humano vive uma vida terrena, morre e aguarda a ressurreição e o juízo de Deus. Um dos textos mais conhecidos sobre esse assunto está em Hebreus: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo.” (Hebreus 9:27) Esse versículo é frequentemente utilizado pelos cristãos para explicar por que a ideia de várias vidas terrenas não corresponde ao ensino bíblico. A Bíblia não apresenta a pessoa como alguém que vive várias existências para alcançar gradualmente a perfeição espiritual. Ela apresenta uma vida, uma morte e, posteriormente, a ressurreição e o juízo.

Ressurreição é a mesma coisa que reencarnação? Não. E essa diferença é muito importante. Às vezes ouvimos alguém dizer: “Mas a Bíblia fala de pessoas voltando à vida.” Sim, a Bíblia fala de ressurreição. Mas ressurreição e reencarnação não são a mesma coisa. Na reencarnação, a ideia é que o Espírito retorna à vida em outro corpo, iniciando uma nova existência terrena. Na ressurreição apresentada pela Bíblia, Deus ressuscita a pessoa. Um dos maiores exemplos é o próprio Jesus. Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou. E os Evangelhos apresentam a ressurreição de Cristo como algo central para a fé cristã. Jesus não voltou como outra pessoa. Ele ressuscitou. Essa diferença é fundamental.

Mas e João Batista e Elias? Esse é outro ponto frequentemente utilizado quando se fala sobre reencarnação. Em Mateus 11:14, Jesus diz: “E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir.” À primeira vista, alguém poderia perguntar: “Então Jesus estava dizendo que João Batista era a reencarnação de Elias?” Mas precisamos olhar o contexto. Quando o anjo anunciou o nascimento de João Batista, disse que ele iria diante do Senhor “no espírito e poder de Elias”.
(Lucas 1:17)
E existe outro detalhe muito importante. Quando João Batista foi questionado se era Elias, ele respondeu: “Não sou.”
(João 1:21)
Portanto, dentro da interpretação cristã tradicional, a referência a Elias não significa que João Batista fosse literalmente Elias reencarnado. João veio com a mesma missão profética e com o mesmo tipo de autoridade espiritual, preparando o caminho para o Messias.

E por que a ideia de reencarnação parece tão atraente Talvez porque ela ofereça uma explicação para algumas perguntas muito difíceis. Por que algumas pessoas nascem em situações tão diferentes? Por que umas sofrem tanto e outras parecem ter uma vida tão tranquila? Por que uma criança nasce com determinadas limitações? Por que algumas pessoas têm oportunidades que outras nunca tiveram? São perguntas profundas. E quando não encontramos respostas fáceis, podemos procurar uma explicação que faça sentido para nós. A reencarnação apresenta uma resposta baseada na continuidade das experiências e na evolução espiritual. O Cristianismo, por sua vez, apresenta outra perspectiva: Deus é justo, conhece todas as coisas e haverá um juízo final. Nem tudo precisa ser explicado pela existência de vidas anteriores.

A diferença entre consequência e reencarnação: Outro ponto que merece atenção é que a Bíblia realmente fala sobre consequências das nossas escolhas. Nós colhemos aquilo que plantamos. Paulo escreveu: “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
(Gálatas 6:7)
Mas isso não significa que cada sofrimento seja uma consequência de algo que a pessoa fez em uma suposta vida anterior. A Bíblia não ensina isso. Aliás, o próprio Jesus rejeitou a ideia de que todo sofrimento pudesse ser explicado simplesmente pelo pecado daquela pessoa. Quando perguntaram sobre um homem que havia nascido cego, Jesus respondeu que aquela situação não era consequência de ele ter pecado ou de seus pais terem pecado.
(João 9:1-3)

Isso nos ensina algo muito importante.

Nem todo sofrimento é uma punição.

Existem situações da vida que simplesmente não conseguimos compreender completamente. E reconhecer isso também é uma forma de humildade.

Uma única vida ou várias? Aqui chegamos ao ponto central. A Doutrina Espírita ensina a reencarnação como parte do processo de evolução espiritual. A Bíblia, por outro lado, apresenta uma única vida terrena seguida pela morte, ressurreição e juízo. São duas compreensões diferentes. E reconhecer essa diferença não significa desrespeitar quem acredita de outra maneira. Podemos discordar de uma doutrina sem desrespeitar as pessoas que a seguem. Aliás, esse é justamente o propósito desta sequência.

Conhecer para não julgar pelo que ouvimos dizer.

E para quem é cristão? Para quem segue a Bíblia como fundamento da sua fé, talvez a pergunta mais importante não seja: “Quantas vidas eu terei?” Mas: “O que estou fazendo com a vida que Deus me deu?” Esta vida é uma oportunidade. Uma oportunidade para amar. Para perdoar. Para aprender. Para servir. Para reconhecer nossos erros. Para buscar a Deus. Para fazer o bem. Não precisamos esperar uma próxima existência para começar a mudar. Podemos começar hoje. Porque talvez a grande pergunta não seja quantas vezes teremos a oportunidade de viver. Talvez seja: “O que estamos fazendo com a oportunidade de viver que temos agora?”

Uma reflexão: Existem assuntos que despertam muitas perguntas e poucas respostas fáceis. A vida é um deles. A morte é outro. E aquilo que acontece depois da morte talvez seja uma das maiores perguntas que o ser humano carrega. Podemos ouvir diferentes respostas, estudar diferentes religiões e conhecer diferentes doutrinas. Mas também precisamos aprender a separar aquilo que cada religião realmente ensina daquilo que as pessoas simplesmente dizem que ela ensina. Conhecer é melhor do que julgar. E ter uma fé consciente é melhor do que simplesmente repetir aquilo que ouvimos.

Uma oração: “Senhor, obrigada pela vida que recebi. Ajuda-me a não desperdiçar os dias que tenho esperando por respostas para tudo aquilo que ainda não compreendo. Ensina-me a viver com sabedoria, a amar mais, perdoar mais e fazer o bem enquanto tenho oportunidade. Dá-me também respeito para ouvir quem pensa diferente de mim, sem abrir mão daquilo que creio. Que eu possa buscar a verdade com humildade e caminhar contigo todos os dias da minha vida. Amém.”

Sandra Rochedo,

Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

Se este texto trouxe uma reflexão para você, curta, comente e compartilhe. Conhecer aquilo em que o outro acredita também pode nos ensinar a compreender melhor aquilo em que nós acreditamos.

5 1 voto
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado